Tommy Chavez
As ruas estavam um verdadeiro pandemônio. De um lado, buzinas soavam sem cessar; do outro, pessoas corriam para fora de suas casas, atraídas pelo caos. Mas o que mais chamava atenção naquele cenário eram os helicópteros do exército, que rasgavam o céu, formando um esquadrão ameaçador.
Me aproximei do homem. - Céus! Isso está uma loucura... - suspirei. - Ei, senhor, poderia nos conceder uma entrevista sobre o apagão?
- Claro! Eu estou entediado neste trânsito.
- Ótimo... Obrigado... - tentei aumentar o meu tom de voz por conta do barulho. - Califórnia está um caos, não? Ainda permanecemos sem energia...
- Eu estava escutando música no meu carro quando de repente teve esse apagão esquisito! Eu liguei para a polícia, mas ninguém atendeu... Provavelmente meu cachorrinho deve estar com medo lá em casa... - olhou para o céu. - Eu confesso que estou com medo de...
- Olha... Será impossível fazer entrevista nesse caos! Tem muitos helicópteros indo em direção ao sul! Teremos que esperar...
O vento gerado pelas hélices era tão forte que quase me jogou ao chão, e o gravador que eu segurava foi arrancado das minhas mãos, caindo ruidosamente no asfalto.
Me agachei rapidamente para recuperá-lo, meu corpo tenso, enquanto todos ao redor corriam para seus carros, tentando escapar daquela confusão.
- Porra! O que está acontecendo? É uma guerra civil? - murmurei para mim mesmo, com o coração disparado.
Entrei no carro e liguei de novo, frustrado. Ao me abaixar para pegar o celular que havia caído, esbarrei na escuridão dentro do veículo, apenas levemente iluminado pelos faróis dos outros carros.
- Droga! - gritei, jogando o corpo para trás com um suspiro pesado, derrotado pela falta de luz.
A ideia de sair dali se tornava cada vez mais desesperadora. Tentei dar ré, mas os carros congestionados atrás de mim formavam uma parede intransponível, e avançar para frente não era uma opção.
Eu estava preso, como uma marionete em meio a um espetáculo de caos.
Olhei ao redor, procurando alternativas. Uma rua lateral, parcialmente bloqueada por uma caçamba de lixo, parecia uma possível rota de fuga. A via levava a uma estrada que circundava uma floresta, um local histórico para grandes festivais, especialmente no Halloween.
Contudo, desde um misterioso incidente que ninguém nunca esclareceu, o local fora interditado. Mais um detalhe perturbador para somar ao que já se parecia com o fim do mundo.
Do carro à frente, vi um homem sair com o celular em mãos, gravando os helicópteros. Era como se todo mundo ali estivesse fascinado e aterrorizado ao mesmo tempo pelos pequenos pontos brancos no céu, claramente indicando que o exército estava focado em algo específico em San Bernardino.
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A Maldição De Westerfair
Romance"Não adianta fugir de mim, coelhinha. Eu sempre estarei escutando cada passo que você der na Terra." Uma vila amaldiçoada, um mundo alternativo, um casarão assombrado, e um stalker. Cassie Kennedy decidiu trancar sua faculdade de psicologia na Calif...