O Plano em Movimento

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Sofia vinha ajudando Juliana a reunir todas as informações possíveis. Elas analisaram os documentos que Camila havia deixado em sigilo, tentando encontrar pistas sobre essa filha. No meio de tudo, uma pista finalmente emergiu: um e-mail. Não era muito, mas era um ponto de partida.

— Esse endereço parece estranho — comentou Sofia, franzindo o cenho enquanto lia o remetente. — Não parece de alguém que quer ser rastreado.
Juliana aproximou-se, lendo a tela do computador.
— Mas deixou rastro. É tudo que preciso.

Os dias seguintes foram intensos. Sofia fazia o possível para acompanhar o ritmo de Juliana, mesmo que sentisse a amiga sendo consumida pela obsessão. A determinação de Juliana era implacável, mas o que a movia era mais do que apenas o desejo por justiça. Era também culpa, um sentimento que ela não conseguia afastar.

— Sabe, às vezes eu penso que falhei com ela — Juliana confessou uma noite, enquanto as duas compartilhavam uma pizza fria sobre a mesa bagunçada da sala.
Sofia levantou os olhos do papel que lia e a encarou com seriedade.
— Juliana, você nunca falhou com a Camila. Você foi tudo para ela. Ela te amava de uma forma que ninguém mais poderia entender.
Juliana desviou o olhar, mexendo no guardanapo que segurava.
— Então por que ela não me contou? Por que ela escolheu lidar com isso sozinha?

Sofia segurou a mão de Juliana.
— Porque Camila era assim. Ela sempre quis proteger você, mesmo que isso a destruísse.

Enquanto isso, Gabi estava ausente. Uma viagem de trabalho havia levado-a para longe, e Juliana não sabia como lidar com essa ausência.

— Ela vai voltar logo — disse Sofia, tentando tranquilizá-la em um momento de silêncio.
Juliana suspirou, os olhos fixos no monitor do computador.
— Espero que sim..

Com o tempo, Juliana começou a sentir algo novo crescer dentro dela. Não era apenas raiva, mas uma fome insaciável por justiça. Ela sabia que encontrar essa pessoa não traria Camila de volta, mas também sabia que não poderia continuar vivendo sem confrontar quem tinha tirado tudo de sua vida.

— O que faremos quando a encontrarmos? — perguntou Sofia certa noite, enquanto ambas revisavam o que haviam descoberto.
Juliana olhou para ela, os olhos brilhando com uma intensidade que Sofia nunca havia visto antes.
— Vamos ouvir. Vamos entender. E então, eu vou decidir o que fazer.

As duas ficaram em silêncio, o peso das palavras de Juliana pairando no ar. As noites passavam, os dias se tornavam semanas, e a busca as levava cada vez mais perto da verdade.

Juliana sabia que, quando finalmente estivesse diante daquela pessoa, sua vida mudaria novamente. Mas, desta vez, ela não seria pega desprevenida. Ela estava pronta. Ou, pelo menos, era o que dizia a si mesma.

Blue | ⚢Histórias para pegar e não largar. Descubra agora