O encontro

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Ana Clara aproximou-se devagar, segurando uma mochila desgastada. Ela tinha o rosto marcado pela vida difícil que levara, mas havia uma força no modo como caminhava, um orgulho misturado à cautela.

Juliana levantou-se e estendeu a mão.
— Você é Ana Clara.
— E você é Juliana — respondeu, ignorando a mão estendida e sentando-se do outro lado da mesa.

Elas ficaram em silêncio por alguns segundos, o barulho da praça preenchendo o espaço entre elas. Juliana pediu dois cafés no food truck, mais por necessidade de fazer algo do que por real interesse.

— Por que aceitou me encontrar? — Juliana quebrou o silêncio.

Ana Clara olhou para ela, os olhos avaliando cada detalhe de sua expressão.
— Porque achei que devia uma explicação.

Juliana manteve o olhar firme.
— Então comece.

Ana Clara suspirou, cruzando os braços sobre a mesa.
— Eu sabia quem Camila era há muito tempo. Minha mãe adotiva sempre me disse que eu fui deixada para adoção por uma adolescente que não podia me criar. Quando cresci, comecei a procurar por ela. Não foi tão difícil. Ela era uma artista famosa. A internet está cheia de informações.

Juliana sentiu um nó formar-se em sua garganta, mas permaneceu em silêncio.

— No começo, eu só queria conhecê-la — continuou Ana Clara. — Queria entender por que ela me abandonou. Mas quando a encontrei... Ela não parecia alguém que queria lembrar do passado. Ela tinha outra vida. Você.

Ana Clara hesitou, como se estivesse pesando as próximas palavras.
— Eu estava na rua quando encontrei Camila. Minha mãe adotiva morreu, e eu não tinha para onde ir. Pensei que talvez ela pudesse me ajudar, mas ela me rejeitou. Disse que não tinha espaço para mim na vida dela.

Juliana fechou os olhos por um momento, a dor das palavras de Ana Clara misturando-se à sua própria raiva.

— Eu fiquei com raiva. Ódio, na verdade. Pensei: Se ela não vai me ajudar, por que merece viver essa vida perfeita? Foi aí que comecei a ameaçá-la. Eu sabia que ela amava você mais do que tudo. Achei que, se pressionasse o suficiente, ela cederia. Mas... — A voz de Ana Clara falhou. — Eu não queria que ela...

— Não queria que ela o quê? — Juliana interrompeu, a voz baixa, mas carregada de emoção.

Ana Clara levantou os olhos, e Juliana viu o brilho de lágrimas começando a se formar.— Não queria que ela morresse.

Blue | ⚢Histórias para pegar e não largar. Descubra agora