CAPÍTULO 45

2.5K 134 6
                                        

Luke me deixou na casa da minha mãe depois de dizer que precisava resolver algo. O som da moto sumiu ao longe, e por algum motivo, aquela despedida me deixou inquieta. Quando entrei, notei que minha mãe parecia mais calma. Pelo menos, já não estava com aquela expressão dura de antes.

Depois de um banho, fui para o meu quarto me vestir. Enquanto escolhia uma roupa confortável, ouvi uma batida na porta, seguida pela voz animada de Mia.

- É verdade que o Luke Bryan é meu cunhado? - ela perguntou com um tom brincalhão, aparecendo no batente e cruzando os braços.

Eu ri, balançando a cabeça.

- Sim, ele é.

Ela me olhou com aquela cara de quem não acreditava.

- Sempre achei que você fosse namorar um cara como o Emmet.

- É, mas o Luke sempre foi mais o meu tipo - retruquei, dando de ombros enquanto procurava algo na gaveta.

Mia revirou os olhos com dramaticidade antes de pegar seu caderno e começar a rabiscar alguma coisa.

- Ele é do tipo de todo mundo, na verdade - ela disse com um sorriso travesso.

- Isso é verdade - respondi, rindo. Ela riu comigo, mas nossa diversão foi interrompida quando minha mãe entrou no quarto.

- Vamos jantar, já está pronto - disse ela, com a voz firme, como sempre.

Fomos até a sala, e assim que entrei, notei uma figura familiar sentada à mesa.

- Quin? - exclamei surpresa.

Ele levantou e me deu um abraço rápido. Parecia diferente, mais magro e com olheiras evidentes, como se tivesse passado noites em claro.

- Nicole, como você está? Estava preocupado com você.

Me sentei de frente para ele, com Mia ao meu lado. Ele se acomodou do outro lado da mesa.

- Preocupado? Por quê?

- Fiquei sabendo que você e o Luke assumiram o namoro.

Minha mãe imediatamente fechou a cara, e Otávio, sentado ao lado dela, lançou um sorriso irônico que me irritou profundamente. Quem ele pensa que é? Não é meu pai.

- Sim, e daí?

Minha voz soou mais firme do que eu esperava. Não gostava nem um pouco da maneira como Otávio falava, como se tivesse algum tipo de autoridade sobre mim.

- Todos sabem que o Luke é um bandido e um assassino - ele disse com desdém.

Uma risada seca escapou dos meus lábios antes que eu pudesse me conter. Era surreal ouvir aquilo dele, justamente dele.

- Ah, para, Otávio. Essa história pode até colar com a minha mãe, mas comigo? Não.

O clima na mesa ficou pesado. Todos pararam de comer. Mia, que até então parecia alheia à conversa, agora nos observava atentamente.

- O que você está querendo dizer, Nicole? Fale abertamente - minha mãe exigiu, sua voz carregada de tensão.

- O Otávio não é quem você pensa, nem ele nem o Quin - respondi, virando-me para Quin rapidamente. - Mas você ainda é legal, tá, Quin?

Quin deu um sorriso sem graça, visivelmente desconfortável. Minha mãe colocou a palma da mão aberta sobre a mesa, respirando fundo como se tentasse conter a raiva.

- Me fale quem ele é - ela disse, com a voz trêmula, mas firme.

Olhei para ela, percebendo o quanto estava magoada. Mas de que adiantaria falar? Ela não acreditaria em mim. Era como gritar para uma parede.

GANGSTER Onde histórias criam vida. Descubra agora