CAPÍTULO 33

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Passei a manhã na casa do meu pai, como ele tinha pedido, mas, à tarde, fui para a casa da minha mãe. Minha avó havia organizado uma ida ao parque da cidade com todos nós, algo que eu sabia que ela adorava. O clima estava agradável, o sol filtrava-se entre as árvores, e o som de risadas e conversas se misturava ao das crianças brincando ao longe. Mesmo assim, a sensação de algo inquietante pairava no ar, como se eu estivesse constantemente sendo observada.

Quando chegamos à fila da roda-gigante, Quin, que estava andando à minha frente, virou-se com uma expressão séria. Suas sobrancelhas estavam ligeiramente franzidas, e havia um brilho de cautela em seus olhos, algo que não combinava com o seu jeito normalmente relaxado.

- Nem sei se deveria tá falando com você - disse ele, com um tom que soou mais como uma confissão do que um aviso.

Ao lado dele, Jink, seu melhor amigo, observava em silêncio, com a mandíbula travada. Ele passou os olhos ao redor, como se estivesse preocupado que alguém pudesse nos ouvir.

A frase de Quin me pegou de surpresa.

- Depois da ameaça que ele lançou pra todos - completou Jink, finalmente se manifestando, mas sua voz saiu baixa, quase um sussurro. Suas palavras trouxeram um peso imediato ao momento, fazendo-me sentir como se estivesse afundando em um território sombrio e desconhecido.

Senti a tensão crescendo entre nós e não consegui conter uma resposta.

- Ah, vocês dois parem, vão me dar as costas agora? - perguntei, tentando soar firme, mas sentindo um nó se formar em minha garganta.

Estamos todos parados na fila, e percebo que Mia foi para outra cabine com meus avós e minha mãe, deixando-me sozinha com eles. Quin hesita, olhando para mim como se precisasse encontrar as palavras certas para não aumentar o desconforto.

- Não é isso... A gente gosta muito da sua companhia, mas ele falou sério - ele insistiu, tentando justificar seu distanciamento, mas sem esconder a apreensão no olhar.

- O que ele falou? - Perguntei, curiosa e com um pouco de medo.

- Que esmagaria qualquer um! até mesmo a uma gangue inteira.

Ele parecia um pouco assustado, e não consegui evitar que meu coração batesse mais rápido. Senti uma pontada de frustração e, talvez, até de mágoa.

- Vocês estão com medo? - perguntei, fixando o olhar nos dois. Eles trocaram um breve olhar, e o silêncio deles foi a única resposta que precisei.

Por fim, Jink olhou ao redor novamente, inquieto, como se esperasse ver alguém nos observando. Havia algo na postura dele, quase como um medo enraizado, que me deixou ainda mais desconfiada.

- Eu não deixaria ele fazer nenhum mal a vocês por causa de mim - garanti, mas meu tom traiu minha própria incerteza. Sabia que queria protegê-los, mas até que ponto eu realmente conseguiria fazer isso?

Quin suspirou profundamente, passando a mão pelo cabelo enquanto lançava um olhar sério para mim.

- Aí é que tá... Ele tá achando que tá te protegendo - respondeu, e a intensidade em sua voz parecia mais uma advertência do que uma simples explicação.

Chega a nossa vez, e entramos na cabine da roda-gigante. A sensação de estarmos isolados ali, subindo lentamente enquanto o parque se tornava menor lá embaixo, só acentuava o clima tenso entre nós. Sentei-me no canto, com Quinn ao meu lado e Jink do outro. Quando a roda-gigante começou a girar, pude ver a cidade toda de uma nova perspectiva, como se estivesse me distanciando de todos os problemas lá embaixo... mas a presença de Quin e Jink ao meu lado não me deixava esquecer do peso daquela conversa.

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