CAPÍTULO 52

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Camila disse que viria me buscar. Provavelmente percebeu minha tristeza com a viagem de Luke e quis me animar. Mas, no fundo, eu sabia que não adiantaria muito. Não conseguia evitar o nó na garganta sempre que pensava nele. Luke parecia ter uma habilidade única de desaparecer justo quando as coisas começavam a ficar bem entre nós. Essa constatação me deixou ainda mais amarga. Parando para pensar, ele havia sumido por três dias. Três dias em que, mesmo estando na cidade, ele não fez questão de me ver. Era como se o espaço entre nós fosse aumentando, mesmo quando ele estava por perto.

Um carro preto parou em frente à minha casa, iluminado pelas luzes amareladas da rua. A noite estava fria, com uma leve névoa cobrindo as calçadas. Suspirei e peguei minha bolsa antes de sair apressada. Entrei no carro, mas assim que bati a porta, uma surpresa me aguardava, Cal estava ao volante. Isso só podia significar uma coisa - Luke havia viajado sozinho.

- Cal? - minha voz saiu mais surpresa do que planejei. - Achei que você tinha viajado.

Ele lançou um sorriso tenso, os olhos vagando para Camila, que estava no banco ao lado dele, antes de retornar ao volante.

- Felizmente não. - Ele respirou fundo e ligou o motor, que rugiu suavemente. - Somente o Luke é necessário, e ele não quer deixar a cidade desprotegida. Eu, como subchefe, assumo a gangue.

O aperto no peito voltou, mais forte agora. Por que só ele? Por que Luke sempre tinha que carregar o peso de tudo sozinho? Cal trocou outro olhar rápido com Camila, cujos olhos brilhavam de admiração por ele, algo que me deu uma pontada de inveja. Eles pareciam cada vez mais próximos, enquanto Luke e eu... bem.

- E por que só ele? - perguntei, incapaz de conter o questionamento.

Cal me olhou pelo retrovisor, os olhos mais sérios do que de costume.

- Luke é o chefe. Existem assuntos que só podem ser resolvidos por ele.

- Ele foi sozinho? - minha voz vacilou, deixando transparecer o que eu tentava esconder.

- Não, ele foi com o Tom. - Isso me deu um pequeno alívio. Pelo menos ele não estaria completamente sozinho.

- Ainda bem que o Cal ficou. - Camila falou de forma animada, claramente tentando aliviar a tensão no ar. Mas sua empolgação só fez crescer a sensação de vazio em mim. Ela e Cal tinham algo fácil, fluido. Eu e Luke? Sempre parecia complicado.

As luzes dos postes passavam pela janela como vultos, e o ar dentro do carro era quente, abafado. Cruzei os braços, sentindo o desconforto crescer.

Era difícil ignorar as palavras de Cal e não pensar no combinado que eu tinha com Luke, o jantar com meu pai. Mais uma vez, ele escolheu as responsabilidades em vez de mim. Talvez fosse isso que mais doía. A constatação de que, por mais que tentássemos, eu sempre seria uma prioridade secundária na vida dele.

- Não fica assim, Cole. - A voz de Camila cortou meus pensamentos. - Quer saber? Vamos para a minha casa pedir pizza.

- É segunda-feira, Camila. - Lembrei como se isso fosse óbvio, mas a verdade é que não queria companhia. Tudo o que eu queria era ficar sozinha, remoendo minha frustração, como fiz no sábado e no domingo.

- Me fala o que você fez a semana toda? - insistiu Camila, com seu tom sempre determinado.

Dei de ombros, desviando o olhar para as ruas. - Fiquei com meu pai, li um livro, ignorei as ligações de Luke no domingo... - As palavras saíram mais duras do que eu esperava, mas não me arrependi. Realmente não queria falar com ele.

Camila franziu o cenho, mas não insistiu.

- Bom, nada de especial. Você e o Gael sumiram, e eu queria passar mais tempo com meu pai. - Era quase verdade. Pelo menos meu pai parecia finalmente feliz de novo, e isso era um alívio.

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