A semana parecia se arrastar, como se cada dia durasse uma eternidade. Era quinta-feira, e, mesmo com o final das aulas se aproximando - faltando apenas uma semana para o encerramento -, o tempo parecia insistir em se arrastar. A ansiedade crescia, se misturando a um nervosismo constante. Por mais que eu tentasse me distrair, uma pontada de saudade insistia em cutucar meu peito. Era frustrante admitir, mas eu sentia falta do Luke. Muita falta. E, para piorar, estava com raiva dele também.
Nos últimos dias, ele havia parado de ligar. Provavelmente percebeu que eu não atenderia. No fundo, eu queria que ele tentasse mais, mas não podia evitar esse jogo de orgulho e mágoa. Não queria falar com ele à distância. Eu queria que ele estivesse aqui, perto, me mostrando que, só uma vez, eu seria mais importante do que qualquer coisa relacionada à gangue. Talvez fosse pedir demais, mas meu coração insistia em alimentar essa esperança.
Assim que abri a porta de casa, vozes vindas da cozinha chamaram minha atenção. Reconheci imediatamente meu pai e Lilian conversando, e um sorriso escapou dos meus lábios. Havia algo na risada do meu pai que parecia genuíno, como se ele estivesse realmente feliz.
- Você acha? - ouvi meu pai perguntar, a voz carregada de um tom leve e descontraído.
- Acho, e isso é meio constrangedor - respondeu Lilian, com um sorriso que não pude evitar imaginar. - Você é bonito, mesmo com a idade.
Meu coração quase parou. Eles estavam flertando? Meu pai estava... corando? Eu não sabia se ria ou me afastava para evitar invadir o momento. Dei dois passos para trás, mas ele me viu. Seus olhos se arregalaram por um breve instante, e então ele me lançou um sorriso meio sem jeito. Lilian fez o mesmo, como se ambos tivessem sido pegos no flagra.
- Desculpa, estou indo para o meu quarto - falei, apontando para a escada enquanto esboçava um sorriso quase constrangido.
- Não, vem cá - meu pai chamou, fazendo um gesto com a mão para que eu me aproximasse. - Lilian quer falar com você.
Ela se virou para mim, repetindo o gesto do meu pai com um sorriso acolhedor. Apesar do meu nervosismo, caminhei até eles com passos hesitantes, parando na frente da bancada.
- Queria saber se você gostaria de ir ao hospital comigo amanhã à tarde. Podemos fazer uma espécie de tour lá.
Minhas sobrancelhas se ergueram em surpresa. Ela estava falando sério? Um sorriso enorme tomou conta do meu rosto, e antes que pudesse me controlar, dei dois pequenos pulinhos de alegria. O som da risada deles ecoou na cozinha, me deixando levemente envergonhada pela minha reação espontânea.
- Isso seria perfeito!
- Acho que ela gostou da ideia - disse meu pai, ainda rindo, enquanto lançava um olhar cúmplice para Lilian.
- Muito obrigada mesmo! - respondi, ainda sorrindo para ela.
Lilian apenas assentiu com um sorriso sereno, seus olhos rapidamente voltando a se fixar no meu pai. Foi nesse momento que percebi que estava sobrando ali. Resolvi me retirar antes que minha presença estragasse o clima.
- Vou deixar vocês aqui - falei enquanto começava a me afastar.
- Nicole - meu pai chamou, me fazendo parar no meio do caminho. - Sua mãe quer que você vá dormir lá hoje. Ela disse que está com saudades.
O nome dela foi o suficiente para fazer meu estômago revirar. Não era minha mãe que me preocupava, e sim Otávio. Eu já sabia o que me esperava, aquele olhar sarcástico, os comentários venenosos e, suas , ameaças veladas. Suspirei, tentando esconder o desconforto.
- Claro - respondi, forçando um tom neutro. - Mas antes vou no bar ajudar a Camila.
- Só não fique até tarde - meu pai advertiu, lançando um olhar protetor.
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GANGSTER
RomanceNicole Forbes é uma garota de 17 anos, muito tímida e recatada, que mora em uma cidade pequena. Sempre foi uma romântica incurável. Sua vida muda quando descobre que Luke Bryan, irmão de sua melhor amiga e chefe de uma gangue, está de volta à cidade...
