CAPÍTULO 66

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Luke Bryan

Eu a vi acordando, seus olhos se abrindo lentamente, como se estivesse tentando compreender onde estava, tentando decifrar o que havia acontecido. O ambiente estava sombrio, mas familiar, na cabana. A cama macia, os tons suaves ao redor, tudo parecia tão... calmo. Mas o silêncio pesava, e eu sabia que o que se passava em sua mente não era nada tranquilo.

Ela me olhou, seus olhos ainda turvos, e eu a vi recuar, como se o medo tivesse tomado conta dela de novo. Isso me cortou mais do que eu queria admitir. Eu estava ali, na sua frente, tentando parecer seguro, tentando transmitir que estava tudo bem, mas ela me via como uma ameaça, e não podia culpá-la por isso. O que eu sou... o que eu fiz. Tudo isso era real demais para ela.

Me inclinei um pouco mais, me aproximando, e vi o choque em seu rosto. Tentei disfarçar a dor que sentia, o medo de ter perdido tudo. Minha expressão mudou sem que eu quisesse, uma frustração interna que me fez olhar para o lado. Não podia fazer nada, não podia mudar o que já havia sido feito. Mas eu ainda queria, de alguma forma, fazê-la entender. Queria que ela visse que eu não era o monstro que ela precisava tremer.

- Você tá bem? - A pergunta saiu da minha boca quase sem querer, mas foi mais do que isso. Era uma tentativa de me reconectar, de garantir que ela não tivesse se perdido completamente. Mas logo que eu disse, percebi o receio nos seus olhos. Não queria que ela visse isso em mim. Não queria que ela visse o homem quebrado que eu era.

Ela se sentou, um pouco mais devagar do que eu esperava, e eu observei os movimentos dela. Vi como ela se sentiu desconfortável, insegura. A cabeça dela ainda parecia doer, a expressão tensa em seu rosto não mentia. Olhei para os braços dela, as marcas da queda da escada isso fazia eu me sentir como se estivesse me afogando. Mas eu precisava manter a calma. Eu precisava ter controle.

Quando ela me olhou, meus olhos caíram automaticamente, como se eu não pudesse desviar. Eu sabia o que ela estava pensando. Ela estava pensando em tudo que aconteceu, nas coisas que ela viu, na parte de mim que ela ainda não conhecia. Eu sabia que ela se recusava a acreditar, mas as imagens da violência, da dor, da raiva... Elas estavam em sua mente. Eu poderia ver isso em cada detalhe do rosto dela. Eu podia ver o medo.

Eu não queria que ela me visse assim. Mas, ao mesmo tempo, havia algo dentro de mim que não podia deixar de expor. Algo que queria ser visto por ela, mesmo que eu soubesse que era arriscado. Algo que não conseguia esconder mais.

Ela não percebeu, mas eu estava perdido. Perdido em tudo que ela representava para mim. Ela me fez sentir coisas que eu nunca imaginei que seria capaz. E, por mais que eu quisesse evitar, eu estava me entregando a ela. Cada pedaço de mim.

- Não me olha assim - eu disse, a voz mais cansada do que eu queria que fosse. Era uma súplica, uma tentativa de afastar a tensão entre nós, mas ela não me ouviu. Ela não podia. Ela só queria entender o que estava acontecendo, mas eu não tinha palavras para isso.

Estendi a mão para ela, um gesto de entrega. Algo que nem eu mesmo entendi. Eu só sabia que precisava que ela soubesse. Precisa que ela visse que eu não estava mais em controle de nada.

- Me dá seu celular - eu pedi, sem saber direito o porquê, mas era algo que eu precisava fazer. Ela estava tão distante, tão quebrada. Talvez fosse uma forma de me conectar a ela, uma forma de me redimir, de me mostrar vulnerável. Mas ela hesitou. E aquilo me fez questionar tudo. Será que ela me odiava de verdade? Será que ela me temia?

Ela me entregou o celular. Estava desbloqueado. Eu poderia ver o medo em seus olhos. E, ao mesmo tempo, uma curiosidade inquietante. Eu sabia que ela estava me julgando, estava tentando entender o que estava acontecendo comigo, comigo de verdade.

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