O sol da manhã estava começando a esquentar, mas graças ao guarda-sol, um calor confortável nos envolvia enquanto sentávamos juntos na espreguiçadeira. O ambiente ao nosso redor parecia suspenso no tempo, com o som suave da água da piscina. Eu estava com os peitos apoiadas no peito dele, sentindo a batida constante do seu coração. Ele envolvia minha cintura com firmeza, o toque dele parecia querer me manter ali para sempre.
- Quer mesmo ser enfermeira? - A voz dele saiu baixa, quase um sussurro, fazendo um arrepio percorrer minha pele.
Pisquei, tentando processar a pergunta. Ele parecia genuinamente interessado, o que fez meu coração acelerar um pouco mais.
- Ainda não sei - murmurei, quase em resposta automática.
Ele apertou um pouco mais a minha cintura, um gesto protetor.
- Mas por que você acha que quer ser enfermeira? - insistiu, a voz agora carregada de curiosidade e algo mais que eu não conseguia identificar.
Tomei um pouco de ar antes de me virar para encará-lo. Os olhos dele estavam fixos em mim, um mar de profundidade e intensidade.
- Não sei. Essa coisa de salvar vidas... me encanta muito - confessei, sentindo minha voz sair mais suave do que pretendia.
Um sorriso breve surgiu em seus lábios, mas não alcançou seus olhos. Era como se aquele gesto escondesse uma melancolia que ele tentava disfarçar.
- Mas ainda tenho tempo pra pensar - acrescentei, tentando aliviar a tensão que senti no ar.
Na verdade, meu coração estava dividido. Salvar vidas me parecia nobre, mas a literatura sempre me chamou, como um mundo onde eu poderia me perder e me encontrar ao mesmo tempo.
- E você? Como resolveu ser chefe da gangue? - perguntei, desviando o foco de mim.
Ele ficou em silêncio por um momento, segurando minha mão com delicadeza. Seus dedos traçavam pequenos círculos na palma da minha mão, um gesto simples, mas que parecia carregar todo o peso do mundo. Então, ele levantou minha mão e a beijou suavemente antes de responder.
- Quando o Luís morreu, todos já sabiam que eu ficaria no lugar dele. Não foi bem uma escolha - ele murmurou, com um olhar distante, como se estivesse revivendo aquele momento.
Seus olhos vagaram até a piscina, o brilho da água refletindo em seu rosto. Depois, ele voltou a me encarar, e um sorriso breve, quase resignado, curvou seus lábios. Mas logo ele voltou a brincar com minhas mãos, como se precisasse daquele contato físico para ancorar seus pensamentos.
- Se você não fosse da gangue, o que você seria? - arrisquei perguntar, curiosa.
Dessa vez, ele parou. O sorriso brincalhão desapareceu por um instante, dando lugar a uma expressão pensativa. Seus olhos voltaram para a piscina, e, por um segundo, percebi algo diferente neles, um brilho suave, quase nostálgico.
- Quando eu tinha 12 anos, queria ser bombeiro - disse, com um meio sorriso que misturava nostalgia e leveza. - Mas isso foi antes. Hoje, sou o que sou.
Havia uma sinceridade crua na sua voz, uma aceitação quase dolorosa do destino que lhe foi imposto. Antes que eu pudesse dizer algo, levei minha mão ao rosto dele, acariciando sua pele, sentindo a textura quente e ligeiramente áspera, da barba. Então, me inclinei e dei um beijo leve em seus lábios, um gesto cheio de carinho e cumplicidade.
- Sabe de uma coisa, Nicole? - Ele me encarou com uma expressão que eu nunca tinha visto antes. - Você foi a primeira pessoa que me perguntou isso.
Meu coração apertou com a confissão. Ele sempre parecia tão forte, tão invulnerável, mas naquele momento, ele se mostrou humano, vulnerável. Dei outro beijo nele, desta vez mais suave. Minha mão foi parar em seu peito, sentindo o ritmo constante de seu coração sob minha palma.
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GANGSTER
RomanceNicole Forbes é uma garota de 17 anos, muito tímida e recatada, que mora em uma cidade pequena. Sempre foi uma romântica incurável. Sua vida muda quando descobre que Luke Bryan, irmão de sua melhor amiga e chefe de uma gangue, está de volta à cidade...
