Quando cheguei ontem, estava tudo apagado. Agradeci silenciosamente, aliviada por não precisar lidar com Otávio. Mia já estava dormindo, e eu finalmente tive um momento de paz. Mas a manhã seguinte veio como um soco na cara. Acordei com Mia se sentando na minha cama, me sacudindo levemente.
- Só mais cinco minutos, Mia... - murmurei, me virando para o outro lado, tentando segurar o sono por mais alguns segundos.
- Mamãe disse que quer ver você antes de sair.
O tom insistente dela me fez abrir os olhos. Esfreguei o rosto enquanto me sentava lentamente, o peso do cansaço ainda grudado no meu corpo.
- Sair pra onde? Essa hora?
- Pro trabalho. - Ela deu de ombros, como se fosse óbvio.
Minha testa franziu. Ainda eram seis da manhã. Mamãe trabalha em um banco, não é normal sair tão cedo assim. Algo parecia fora do lugar.
- Aconteceu alguma coisa? - perguntei, mas Mia balançou a cabeça.
- Não... quer dizer, acho que não. Mamãe anda meio nervosa ultimamente. Ela diz que é por causa do casamento.
Casamento. Só ouvir essa palavra me dá náuseas. Respiro fundo e, mesmo relutante, levanto da cama.
Segui em direção à sala, ainda com os olhos pesados de sono. Lá estava minha mãe, já arrumada e pronta, mas meu corpo ficou tenso assim que vi Otávio ao lado dela. Ele falava algo em voz baixa, e seus olhos pareciam me queimar. O desconforto era quase gritando, como uma sombra que me engolia lentamente.
- Mamãe? - chamei, minha voz saindo mais baixa do que pretendia. Ela se virou rapidamente, abrindo um sorriso enorme ao me ver.
- Filha! - Sua expressão mudou completamente. Ela levantou e veio me abraçar com força, seu toque quente contrastando com o frio que percorreu minha espinha sob o olhar de Otávio.
Retribuí o abraço com um pouco de hesitação, mas meus olhos captaram Otávio nos observando. Seus olhos... Eu odiava esse desgraçado.
- Estava com saudades de você. Você nunca vem me visitar e... - A voz dela carregava uma ponta de tristeza.
- Desculpa, estava meio ocupada. - Minha voz saiu quase automática, tentando me concentrar nela e ignorar a presença pesada ao nosso lado.
Minha mãe segurou meu rosto com as duas mãos, acariciando minhas bochechas com um carinho que só ela tinha.
- Sinto muito por ter contado ao seu pai sobre você e Luke. - Apenas assenti, sem vontade de discutir isso agora. - Fiquei sabendo que ele viajou. Como vocês estão?
- Estamos bem. Ele viajou para resolver algumas coisas.
Eu estava tentando manter a conversa leve, mas o olhar de Otávio me perfurava como uma faca. Ele parecia absorver cada palavra que eu dizia.
- Querida... - Ele interrompeu, levantando-se e caminhando até minha mãe, parando ao lado dela como uma sombra ameaçadora. - Jovens fazem coisas imprudente o tempo todo.
Seu tom era casual, mas carregava algo oculto, algo que fez minha pele arrepiar. Luke concordaria com essa frase? Talvez.
- Mas venha me ver mais vezes. Pode dormir aqui. Eu sei que é chato dividir o quarto.
Minha mãe parecia ansiosa, e isso só tornava tudo pior. Eu queria dizer a ela que estava tudo bem, mas sabia que seria mentira. Mesmo assim, forcei um sorriso.
- Claro, venho sim.
Ela me abraçou de novo, e dessa vez fechei os olhos, tentando me concentrar no calor do abraço dela e ignorar Otávio, que continuava ali, como uma presença sufocante.
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GANGSTER
RomanceNicole Forbes é uma garota de 17 anos, muito tímida e recatada, que mora em uma cidade pequena. Sempre foi uma romântica incurável. Sua vida muda quando descobre que Luke Bryan, irmão de sua melhor amiga e chefe de uma gangue, está de volta à cidade...
