CAPÍTULO 61

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Meu coração parecia martelar contra as costelas, cada batida ecoando como um tambor de guerra dentro do meu peito. O medo me apertava por todos os lados enquanto eu olhava pela janela do táxi, vendo as luzes da cidade passarem como borrões. Minhas mãos tremiam tanto que mal conseguiam segurar a bolsa no colo.

Se Luke fizer algo... Se ele machucar alguém... Eu não sei se vou conseguir lidar com a culpa.

- Moço, anda mais rápido. - Minha voz saiu trêmula, quase desesperada.

O taxista apenas assentiu, acelerando um pouco mais pelas ruas já escuras.

Otávio tinha um escritório quase no fim da cidade, um lugar discreto e afastado. E Luke sabia disso. É claro que sabia. Nada ficava escondido dele por muito tempo. O ar dentro do carro parecia sufocante, e eu puxava a respiração em pequenas golfadas, tentando controlar o pânico crescente.

Quando o carro finalmente parou, mal esperei o troco. Joguei o dinheiro para o motorista e saí correndo antes mesmo que ele pudesse responder.

A primeira coisa que vi foi a moto de Luke estacionada perto da calçada. O motor ainda estava quente.

A porta do escritório estava entreaberta. Um calafrio subiu pela minha espinha.

Isso é um péssimo sinal.

Entrei apressada, o eco dos meus passos ecoando nos corredores estreitos e escuros. As paredes eram revestidas de madeira escura, e o cheiro de cigarro velho e couro me deixou enjoada. Assim que coloquei os pés no corredor, ouvi barulhos. Algo pesado sendo jogado contra a parede.

Depois, gritos.

Meu coração subiu para a garganta.

Acelerei o passo e virei a esquina a tempo de ver Quinn caído no chão. Ele tinha uma mancha vermelha viva no rosto, o queixo cortado e os olhos semicerrados, como se estivesse lutando para ficar consciente.

Meu corpo agiu antes da minha mente, e me abaixei ao lado dele, sentindo o calor do sangue no chão enquanto verificava se ele ainda estava respirando.

Alívio. O peito dele subia e descia, mesmo que de forma lenta e pesada.
Um grito ecoou pelo corredor, cortando minha atenção como uma faca.

Corri na direção do som, parando diante de uma porta aberta no final do corredor.
A cena dentro do escritório parecia ter saído de um pesadelo.

Luke estava atrás de Otávio, segurando seu braço em um ângulo impossível. O rosto de Otávio estava pressionado contra a mesa de madeira, a superfície já manchada por gotas vermelhas.

- Então estava ameaçando ela, seu desgraçado. - A voz de Luke estava carregada de raiva, cada palavra saindo como um rugido.

Otávio tentava falar algo, mas Luke empurrou a cabeça dele contra a mesa de novo, fazendo-o gemer de dor.

Quando Luke levantou o olhar e me viu na porta, eu me encolhi instintivamente. O rosto dele estava sombrio, selvagem. Os olhos pareciam brasas vivas, queimando em fúria pura.

- Ela está aqui. - Luke empurrou Otávio para frente, puxando mais o braço dele, que gritou. - Faz com ela o que você disse que ia fazer.

Otávio tropeçou, quase caindo aos meus pés. Ele levantou o rosto, o olhar desesperado como se implorasse por ajuda.

- Vai! - Luke gritou novamente, empurrando-o com força. - É sua única chance.

- Luke... - Minha voz saiu fraca, trêmula.

Ele ignorou. Sem aviso, o som seco de ossos se quebrando encheu o ambiente, fazendo as paredes vibrarem com o eco.

Otávio gritou, um som agonizante que rasgou meus ouvidos.

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