CAPÍTULO 63

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Minha mente estava em ruínas. As palavras de Pience ecoavam sem parar, como se uma bomba tivesse explodido dentro de mim e deixado apenas destroços. Era como se uma chave tivesse girado e, de repente, tudo começasse a fazer sentido - cruel e impiedosamente.

Luke realmente tinha me usado esse tempo todo?

A dor queimava em meu peito como uma ferida aberta. Era difícil respirar, difícil pensar com clareza. Luke havia manipulado cada parte da minha vida, e eu... eu só conseguia me sentir estúpida por ter acreditado nele. Ele usou a mim. Usou a Melody.

Ele nunca veio aqui por nós. Nunca se importou. Tudo sempre foi sobre a gangue. Cada sorriso, cada promessa... tudo fazia parte de um plano.

Senti como se meu coração tivesse sido dilacerado, partido em mil pedaços afiados que cortavam por dentro, deixando um vazio insuportável. O sol que antes parecia quente agora estava pálido, quase frio. Era como se nada mais importasse.

Eu andava pelas ruas sem rumo. As pernas se moviam por puro impulso, porque parar significava pensar demais, e pensar demais significava desmoronar. Luke me encontraria se eu parasse. Eu sabia disso. E eu não estava pronta para encará-lo - não agora.

Meu celular tocou pela terceira vez. O nome dele brilhou na tela, apertando ainda mais o nó na minha garganta. Ignorei, deixando tocar até cair na caixa postal. Se eu recusasse, ele saberia que algo estava errado. E eu não podia deixar que ele soubesse.

Logo em seguida, chegou uma mensagem.

Luke:
Tem algo errado? Por que não atende as ligações?

Minhas mãos tremiam. O estômago revirava enquanto eu lia aquelas palavras. Era típico dele - direto, sem rodeios. Mas eu não podia responder. Não agora.

Continuei andando por horas, até meus pés doerem. Ainda estava quente quando finalmente decidi voltar para casa do meu pai. Peguei um táxi. Estava exausta, mas principalmente... vazia.

Assim que abri a porta, o cheiro familiar de café me envolveu. O cheiro da casa do meu pai.

Ele estava sentado no sofá, o celular colado ao ouvido. Assim que me viu, se levantou, parecendo aliviado.

- Ah, ela chegou - disse ele, na ligação e já estendendo o telefone para mim, mesmo quando balancei a cabeça em negação.

- Princesa - a voz do meu avô saiu do outro lado, e meus olhos imediatamente se encheram de lágrimas.

- Vô - falei quase em um choro.

- Oi, princesa, como está aí?

Eu queria dizer que não estava bem. Que precisava deles. Que queria ficar com eles por um tempo e tentar esquecer tudo. E essa parecia ser uma boa ideia.

- Bem... bem... vô? Posso ir pra aí?

Meu pai levantou uma sobrancelha e segurou meu olhar, tentando entender o motivo daquele pedido repentino. Mas eu realmente queria e precisava me afastar de Luke por um tempo.

- Claro, sua avó vai ficar muito feliz. Quando você quer vir?

- Hoje!

Não queria esperar. Precisava sair dali antes que Luke aparecesse. Meu pai pareceu ainda mais confuso com a minha pressa.

- Está com tanta saudade assim? - falou ele, meio desconfiado. - Peça para seu pai comprar a passagem.

- Certo, vou preparar as coisas.

Assim que desliguei o celular, meu pai cruzou os braços e ficou me encarando, como se tentasse enxergar através de mim. Ele sabia que havia algo errado. E havia. Mas eu não podia dizer.

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