Capítulo 31

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Andrea e Miranda entraram em casa acompanhadas por Caroline, Cassidy e a pequena Chloe, que andava agarrada ao pescoço de Andrea, enquanto as gêmeas seguiam ao lado da mãe com expressões de quem tramavam algo.

Assim que a porta se fechou, Caroline foi a primeira a falar, com uma inocência claramente ensaiada:

— Mamãe, você tem certeza que precisa ir?

Miranda arqueou uma sobrancelha e cruzou os braços.

— Eu não "preciso" ir, querida. Eu quero ir. Há uma diferença significativa.

Cassidy, sempre a mais ousada, colocou-se entre Andrea e Miranda, unindo as mãos em súplica dramática.

— Mas nós tínhamos planos! Filmes! Pipoca! Guerra de travesseiros!— ela exclamou, jogando-se no sofá como se o mundo estivesse desmoronando.

Andrea, que já esperava resistência, segurou um riso. Olhou para Miranda, que manteve a postura implacável, mas ela conhecia sua namorada o suficiente para perceber a hesitação momentânea no olhar azul. Chloe, sentindo o clima da conversa, levantou a cabecinha dos ombros de Andrea e piscou com seus grandes olhos.

— Mamãe... fica? — murmurou com uma vozinha que teria derretido corações menos treinados.

Andrea mordeu o lábio. Aquilo não era justo.

— Filhas, nós já conversamos sobre isso — interveio Miranda, firme. — Andrea e eu passaremos o fim de semana fora. Vocês ficarão com Cara, e tenho certeza de que vão se divertir.

— Mas... — Caroline começou, sendo prontamente interrompida por Cassidy, que se jogou dramaticamente nos braços de Andrea.

— Nós vamos morrer de saudade! Vocês vão sumir e a gente nunca mais vai ver vocês! Como podem nos abandonar assim? — exagerou, forçando um soluço teatral.

Andrea soltou um suspiro e passou a mão pelos cabelos ruivos da enteada.

— Vocês realmente estão tentando nos manipular emocionalmente? — perguntou, arqueando a sobrancelha.

— Com muito empenho, se me permite dizer — completou Miranda, olhando de uma para a outra com impaciência contida. — E não vai funcionar.

Caroline mudou de estratégia e foi até Miranda, abraçando sua cintura.

— Mamãe... e se acontecer algo enquanto vocês estiverem fora? Se eu tiver um pesadelo? Se Cassidy dormir na minha cama de novo e me empurrar para fora? E se a Chloe chorar a noite inteira sentindo a sua falta?

Miranda olhou para Chloe, que agora brincava distraidamente com o colar de Andrea, alheia ao drama armado pelas irmãs. Suspirando profundamente, deslizou os dedos sobre a bochecha de Caroline e respondeu:

— Então vocês lidarão com isso como as crianças inteligentes e capazes que são. Cara estará aqui para ajudar, e é apenas uma noite. Vocês sobreviverão, garanto.

Cassidy fez um biquinho indignado.

— Mas por quê? Por que vocês precisam sair? Vocês estão sempre juntas aqui, podem ter um encontro em casa mesmo!

Andrea sentiu suas bochechas esquentarem ao notar os olhares atentos das meninas. Miranda estreitou os olhos, claramente ficando sem paciência.

— Porque Andrea e eu merecemos um tempo a sós. Vocês têm todo o nosso tempo, todos os dias. Não acho que uma noite longe de vocês seja um sacrifício tão grande assim.

— Mas é! — exclamou Caroline, cruzando os braços.

Miranda bufou e então sua voz assumiu aquele tom autoritário que fazia qualquer um tremer:

— Meninas, isso não é uma democracia. Andrea e eu vamos sair. Vocês vão ficar. O assunto está encerrado.

O silêncio que se seguiu foi quase cômico. Caroline e Cassidy se entreolharam, e Chloe piscou os olhos grandes, apenas observando a interação sem realmente entender o contexto.

Andrea teve que morder o lábio inferior para conter o riso. As gêmeas pareciam atordoadas, como se não acreditassem que a mãe não cederia. Chloe, por sua vez, enterrou o rostinho no pescoço de Andrea, parecendo já ter aceitado a decisão.

— Certo, então — Cassidy resmungou. — Se morreremos de saudade, que seja por culpa de vocês.

— Cassidy... — Andrea repreendeu de leve, mas não conseguiu evitar o sorriso.

— Está bem! — Caroline suspirou dramaticamente. — Mas queremos pelo menos um presente quando voltarem.

Miranda revirou os olhos.

— Veremos.

Cassidy apontou para a mãe.

— Isso não é um "sim", é um "talvez" disfarçado!

Andrea riu, sentindo o alívio de finalmente ter o assunto resolvido. Colocou Chloe no chão e beijou sua testa.

— Vamos ficar longe por um dia só. Vocês vão se divertir com Cara e quando voltarmos, podemos fazer uma noite do pijama para compensar. O que acham?

Cassidy e Caroline se entreolharam mais uma vez antes de soltarem um suspiro coletivo.

— Tá bom... — responderam em uníssono, derrotadas.

Miranda deu um sorriso vitorioso e se inclinou para beijar a testa de cada uma.

— Agora vão arrumar suas coisas. Quero vocês prontas quando Cara chegar.

As gêmeas se afastaram, ainda resmungando, e Chloe seguiu saltitando atrás delas, sem compreender completamente a situação, mas feliz em acompanhar as irmãs. Assim que sumiram no corredor, Andrea soltou um suspiro e se encostou na parede, olhando para Miranda com um sorriso divertido.

— Você não facilita para elas, hein?

— Se eu facilitasse, estaríamos cancelando nossa viagem neste exato momento. Não subestime o poder de manipulação das minhas filhas — respondeu Miranda, ajeitando os cabelos impecáveis.

Andrea mordeu o lábio, sentindo a excitação crescer ao pensar no tempo que teriam a sós. Aproximou-se, deslizando os braços ao redor da cintura de Miranda.

— Então, estamos mesmo indo? Sozinhas? Sem distrações?

Miranda segurou o rosto de Andrea entre as mãos, os olhos analisando os dela com intensidade.

— Sim, querida. E tenho planos para nós.

Andrea sorriu, sentindo o coração disparar em antecipação.

— Mal posso esperar.

A TERCEIRA PRIESTLYHistórias para pegar e não largar. Descubra agora