Capítulo 47

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O quarto estava banhado por uma luz suave e dourada do fim de tarde, filtrada pelas cortinas translúcidas. As janelas estavam entreabertas, permitindo que uma brisa leve e perfumada pelo jardim percorresse o ambiente. Miranda encostou a porta devagar, como quem sela um segredo precioso.

Andrea, deitada sobre os lençóis, com os cabelos soltos e os olhos brilhando, parecia ainda mais bonita. O sorriso que trazia nos lábios era sereno, mas o fogo em seu olhar queimava com urgência.

— Você está tão linda assim, deitada na nossa cama, grávida do nosso bebê... — Miranda disse, a voz rouca, tomada pela emoção e pelo desejo.

Andrea sorriu, estendendo a mão.

— Vem aqui, mulher da minha vida.

Miranda caminhou até ela com passos calmos, mas o coração acelerado. Assim que seus corpos se tocaram, um arrepio percorreu ambas. Miranda deitou-se ao lado da noiva, seus lábios se encontrando em um beijo lento e faminto ao mesmo tempo.

Era diferente agora. Como se tudo entre elas estivesse mais profundo, mais simbólico, mais... real.

— Não consigo parar de pensar que tem uma vida dentro de você, Andrea — Miranda murmurou, entre beijos no pescoço da jornalista. — Algo que fizemos com o nosso amor.

Andrea segurou o rosto da editora entre as mãos, olhando-a intensamente.

— Nunca imaginei que teria tudo isso, Miranda. Você, nossas meninas, e agora... mais uma luz em nossas vidas.

— E ainda acha que vou conseguir tirar as mãos de você? — Miranda brincou, a boca agora explorando o colo de Andrea.

— Espero que não — ela respondeu com um riso baixo, os dedos puxando suavemente os fios grisalhos da noiva.

As mãos de Miranda deslizavam pela pele morena de Andrea com reverência. Ela a conhecia em cada detalhe, mas naquela tarde, queria redescobri-la. Queria tocar cada centímetro como se fosse a primeira vez, com a admiração de quem toca algo sagrado.

Andrea arqueava o corpo sob os toques da noiva, seus suspiros se misturando aos sussurros de Miranda.

— Você é o meu templo — Miranda disse, enquanto sua boca traçava um caminho de beijos até o ventre da jornalista. Ela parou ali, encostando os lábios sobre a pele suave, sobre o lugar onde a nova vida crescia. — Nosso bebê está aqui...

Andrea sentiu os olhos marejarem, o toque, as palavras, a devoção de Miranda... era demais.

— Vem cá, Miranda. Me ama como só você sabe.

A editora a olhou, o azul de seus olhos queimando de paixão e ternura. E então, ela se entregou à urgência que crescia entre elas desde o instante em que ouviram aquele pequeno coração bater.

Elas não eram mais apenas amantes. Agora, eram criadoras de vida. Parceiras de uma jornada que só conhecia o crescimento do amor.

Miranda deitou-se sobre Andrea com cuidado, os corpos se moldando com familiaridade e desejo. Seus movimentos eram profundos, suaves e intensos. Andrea murmurava palavras de amor entre gemidos baixos, as mãos cravadas nas costas de Miranda, puxando-a para mais perto, para mais fundo.

— Você me possui por inteira, Miranda — ela arfou. — Meu corpo, minha alma, meu coração.

— E você me deu tudo isso de volta — Miranda respondeu entre suspiros, sentindo seu próprio corpo se perder em prazer. — E agora, me dá até uma vida nova...

Elas se moviam em sincronia, os corpos colados, os corações acelerados, os lábios trocando beijos vorazes e promessas eternas. O prazer construía-se como uma onda — crescente, poderosa, incontrolável.

E quando atingiram o ápice, juntas, foi como se o mundo se calasse para que apenas seus corpos falassem, para que apenas seu amor existisse.

Caíram juntas nos lençóis, ofegantes, suadas, sorrisos extasiados.

— Ainda não consigo acreditar... — Andrea disse, virando-se de lado e traçando desenhos imaginários no braço de Miranda. — Estamos mesmo vivendo isso.

— E o melhor ainda está por vir — Miranda respondeu, puxando-a para mais perto. — Cada dia, cada fase da gravidez, cada risada das nossas filhas, cada manhã ao seu lado...

Andrea apoiou a cabeça no peito da editora e fechou os olhos.

— Eu te amo, Miranda Priestly.

— E eu te amo, Andrea Sachs. Minha noiva, minha mulher, mãe dos nossos filhos.

Silêncio se instalou por um tempo, apenas o som das respirações lentas e do vento batendo nas janelas.

E então Miranda murmurou:

— Vamos fazer esse bebê sentir, desde já, o quanto é amado.

Andrea sorriu, os olhos ainda fechados, abraçando mais forte o corpo da mulher que amava.

— E vamos lembrar todos os dias que o amor... foi o que começou tudo isso.

O sol já se punha quando elas adormeceram nos braços uma da outra, embaladas pela certeza de que tinham tudo — amor, desejo, família, e um novo começo crescendo dentro de Andrea.

A TERCEIRA PRIESTLYHistórias para pegar e não largar. Descubra agora