Andrea desceu as escadas com passos controlados, mantendo a coluna ereta, as mãos relaxadas ao lado do corpo, e um sorriso perigoso no canto dos lábios. Miranda estava sentada na sala de estar folheando um exemplar da Runway, a perna cruzada com elegância e um cálice de vinho equilibrado em uma das mãos. Os olhos azul-gelo ergueram-se com uma expressão impassível quando Andrea parou à sua frente.
— Não se atrasou — Miranda comentou casualmente, tomando um gole do vinho. — Surpreendente.
Andrea inclinou a cabeça para o lado, estudando Miranda por um momento. Aquela mulher era um enigma, uma obra de arte envolta em mistério e desejo. Mas Andrea já havia aprendido a decifrar alguns de seus códigos. E agora, queria testar um novo jogo.
— Você tem razão — disse Andrea, sua voz aveludada. — Mas sabe o que mais é surpreendente? Como certas provocações podem ter consequências inesperadas.
Miranda arqueou uma sobrancelha, intrigada, mas não teve tempo para responder. Andrea se inclinou, pegando a taça de vinho das mãos da editora e levando-a aos próprios lábios. Tomou um gole sem desviar o olhar, saboreando lentamente antes de devolver a taça à mão de Miranda.
— Pronto — murmurou, passando a língua pelos lábios de forma provocativa. — Podemos ir.
O olhar de Miranda brilhou, avaliando a jovem com um misto de aprovação e algo mais sombrio. No entanto, a postura impenetrável permaneceu intacta. Ela se levantou, ajeitou a barra do blazer de alfaiataria e estendeu a mão para Andrea.
O restaurante para onde foram era um dos mais sofisticados de Nova York. Sentaram-se em um ambiente privado, afastado da movimentação principal, cercado por iluminação suave e uma decoração intimista. Miranda, como sempre, controlava a situação. Ou pelo menos acreditava que controlava.
Enquanto Miranda se concentrava no menu, Andrea inclinou-se sobre a mesa, diminuindo a distância entre elas.
— Está satisfeita com seu joguinho de mais cedo? — Andrea sussurrou, sua voz quase um ronronar.
Miranda não desviou os olhos do menu, mas Andrea viu os dedos da mulher apertarem levemente a capa do cardápio. Foi um detalhe pequeno, mas suficiente para lhe arrancar um sorriso satisfeito.
— Eu não jogo, Andrea — Miranda respondeu, fingindo desinteresse. — Apenas administro circunstâncias.
— É mesmo? — Andrea murmurou, inclinando-se ainda mais. — Então administre isso.
Sua perna deslizou sob a mesa, roçando levemente a panturrilha de Miranda antes de subir gradualmente. O toque era discreto, mas certeiro. Miranda continuou imóvel por um longo momento antes de fechar o menu com um clique audível.
— Você está se comportando de maneira infantil — comentou, erguendo os olhos para encará-la. No entanto, o tom de sua voz traía a compostura que tentava manter.
Andrea sorriu e recuou um pouco, deixando Miranda recuperar um mínimo de controle. Mas não por muito tempo. Durante o jantar, ela fez questão de demonstrar o quanto estava confortável e absolutamente no comando da situação. Tocava o próprio pescoço, brincava com os lábios, inclinava-se na cadeira de forma a destacar suas curvas, sempre sob o olhar atento de Miranda.
Ao final do jantar, quando o garçom trouxe a conta, Andrea apoiou o queixo na mão e disse com falsa inocência:
— Sabe, Miranda... estou curiosa para saber como pretende terminar essa noite.
Miranda inclinou-se levemente para frente, apoiando os cotovelos na mesa, e sorriu de um jeito que enviou um arrepio pela espinha de Andrea.
— Eu? — Miranda perguntou, voz baixa e perigosa. — Querida, você que está me devendo uma explicação sobre essa... vingança infantil.
Andrea gargalhou, pegando sua taça de vinho e tomando um último gole. Sentia-se vitoriosa, mas sabia que o jogo estava longe de acabar. Miranda Priestly nunca se rendia sem contra-atacar. E isso tornava tudo ainda mais excitante.
A tensão entre as duas ainda era palpável enquanto seguiam para o heliporto privativo do restaurante. O vento noturno agitava os cabelos de Andrea, que, com um brilho travesso no olhar, parecia se divertir com a maneira como Miranda tentava manter a compostura.
No elevador panorâmico que as levaria ao topo do prédio, Miranda manteve-se firme, os braços cruzados enquanto olhava fixamente para frente. No entanto, Andrea sabia que a editora estava em estado de alerta. A jovem mordeu o lábio, segurando um sorriso ao notar os dedos de Miranda levemente crispados sobre o próprio antebraço.
Quando as portas do elevador se abriram, Andrea deu um passo à frente e, em um movimento propositalmente lento, descruzou e cruzou as pernas ao sair. O tecido suave do vestido se moveu de forma provocante, revelando por um breve instante mais do que Miranda esperava. O som da respiração sutilmente acelerada da editora não passou despercebido.
— Está desconfortável, Miranda? — Andrea perguntou, fingindo inocência.
Miranda não respondeu imediatamente. Em vez disso, caminhou à frente, mantendo a postura impecável, mas Andrea notou como os saltos de Miranda cravavam-se um pouco mais firmemente contra o chão. Quando chegaram à plataforma do heliporto, Miranda se virou e olhou diretamente para Andrea, os olhos azul-gelo faiscando no escuro.
— Você está brincando com fogo — murmurou Miranda, sua voz baixa e perigosa.
Andrea sorriu, satisfeita. — E eu acho que você gosta disso.
Miranda respirou fundo, tentando ignorar a forma como Andrea parecia mais à vontade do que nunca. A jovem estava se divertindo, testando todos os seus limites, e isso a deixava dividida entre a irritação e um desejo quase incontrolável.
No momento em que entraram no helicóptero, Andrea ajeitou-se ao lado de Miranda e, assim que o cinto de segurança foi afivelado, sua mão pousou casualmente na coxa da editora. Um toque leve, mas carregado de intenção. Miranda fechou os olhos por um instante, como se buscasse paciência.
A viagem foi silenciosa, exceto pelo barulho das hélices. Andrea deslizou a ponta dos dedos pelo próprio braço de maneira preguiçosa, mas propositalmente provocante. Ela sabia que Miranda estava observando cada movimento, mesmo que fingisse estar indiferente.
Quando pousaram na ilha particular de Miranda, a lua iluminava suavemente a areia branca e a vegetação luxuriante ao redor da propriedade. O motorista as aguardava com um carrinho elétrico, mas Andrea demorou-se um pouco antes de entrar.
— Bela vista — comentou, olhando para o mar.
— Sim, fascinante — Miranda retrucou, mas seus olhos estavam cravados em Andrea.
Enquanto seguiam até a casa principal, Andrea percebeu que Miranda estava segurando as rédeas de sua paciência com todas as forças. No entanto, a editora não era a única a saber jogar aquele jogo.
Antes de entrar na mansão, Andrea fez questão de passar na frente de Miranda, inclinando-se um pouco mais do que o necessário para retirar os sapatos antes de adentrar a casa. Um movimento sutil, mas suficiente para que Miranda perdesse o fôlego por um segundo.
Miranda estreitou os olhos. — Você realmente quer testar seus limites, não é?
Andrea virou-se devagar, mordendo o lábio e dando um passo à frente. — Só estou me divertindo, Miranda.
A editora cruzou os braços, inclinando-se levemente para Andrea. — Ótimo. Porque eu também.
E com isso, ela virou-se e caminhou para o interior da casa, deixando Andrea curiosa — e excitada — pelo que ainda estava por vir.
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A TERCEIRA PRIESTLY
FanfictionSer abandonada por Andrea, na noite mais importante no mundo da moda, o Paris Fashion Week, causava em Miranda uma dor tão pungente e o arrependimento de ter deixado o amor de sua vida escapar por entre seus dedos. Andrea, sofrendo com a rejeição ap...
