Andrea estava parada em frente à janela da cozinha, os braços cruzados e o celular largado no balcão, virado para baixo. O sol já começava a se pôr, tingindo o céu com tons dourados e alaranjados, mas nada naquele dia parecia bonito para ela. O relógio marcava 18h43, e desde às 08h17 da manhã — quando Miranda mandou um breve "Cheguei" —, não houve mais nenhum sinal de vida.
Nada. Nenhuma mensagem, nenhuma ligação, nenhum "como estão as meninas?", muito menos um "estou com saudades". E isso... estava acabando com ela.
Andrea tentou racionalizar. Sabia que Miranda estava envenenada por ciúmes. Sabia que o reencontro com Christian, mesmo inocente, mexera com ela de um jeito que talvez nem a própria editora conseguisse explicar. Mas isso não justificava o silêncio absoluto. A frieza. O orgulho. A imaturidade.
— Ela é adulta demais pra agir assim — murmurou, irritada, arrastando o pé pela cozinha enquanto Chloe fazia um desenho no chão da sala e Caroline e Cassidy brincavam com as mochilas recém-abertas, contando sobre o dia.
O pior de tudo? Foi ter que mentir. Ter que sorrir para as meninas e dizer que "sim, Miranda mandou mensagem mais cedo perguntando como todas estavam", quando na verdade, seu celular estava mudo o dia todo. A frustração estava se acumulando no peito de Andrea como vapor preso em uma panela de pressão.
Até que teve uma ideia. Impulsiva? Sim. Mas necessária.
Pegou o celular, discou o número de Cara.
— Oi, desculpa ligar assim, mas você pode ficar com as meninas hoje à noite? É importante... — fez uma pausa. — Não, não estou bem, mas vou ficar. Eu só preciso... resolver uma coisa.
Depois de desligar, Andrea virou-se para as filhas com um sorriso aberto.
— Meninas, a mamãe Miranda me convidou pra jantar com ela hoje. Só nós duas.
— Aaaah, um encontro! — exclamou Cassidy, empolgada.
— Isso quer dizer que tá tudo bem? — perguntou Chloe, esperançosa.
Andrea engoliu em seco, forçando um sorriso.
— Claro que sim, minha flor. Só precisamos conversar um pouco, como os adultos fazem às vezes. E quero estar linda pra ela, né?
As meninas riram e foram ajudar Chloe a arrumar a mochila, já animadas com a presença de Cara.
Assim que a porta se fechou atrás de Cara e das garotas, Andrea pegou o notebook e escreveu o e-mail mais direto e frio que já havia mandado para Miranda:
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Assunto: Preciso falar com você
Miranda,
Já que sua capacidade de comunicação se resume a uma mensagem protocolar dizendo que chegou ao trabalho, e como aparentemente passamos a nos tratar com formalidades, resolvi acompanhar sua linha.
Estarei na casa da Rua Delancey, com ou sem jantar romântico. Não se preocupe com as meninas — estão com Cara, felizes, achando que sua outra mãe ainda se importa o suficiente para ME chamar para um encontro.
Estou magoada, irritada e cansada dos malabarismos emocionais que precisei fazer hoje para proteger as nossas meninas da verdade — que você, a quem elas tanto admiram, está se deixando consumir por insegurança e orgulho.
Nos vemos às 20h.
Andrea.
*******
Miranda chegou pontualmente às 20h. Vestia ainda a roupa impecável do trabalho, mas seu rosto denunciava o cansaço — e o conflito interno. Ela segurava as chaves da casa entre os dedos, como se quisesse algo físico para agarrar enquanto cruzava a soleira.
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A TERCEIRA PRIESTLY
FanfictionSer abandonada por Andrea, na noite mais importante no mundo da moda, o Paris Fashion Week, causava em Miranda uma dor tão pungente e o arrependimento de ter deixado o amor de sua vida escapar por entre seus dedos. Andrea, sofrendo com a rejeição ap...
