O sábado amanheceu preguiçoso, com o céu encoberto e um vento suave balançando as cortinas do quarto. Miranda abriu os olhos antes mesmo do despertador tocar. O hábito, mais do que a necessidade, a fazia despertar cedo, mas naquela manhã algo era diferente. Havia um silêncio sereno na casa, e o calor do corpo de Andrea aninhado ao seu a fazia querer permanecer ali por horas.
Ela olhou para o lado e encontrou sua mulher dormindo profundamente, com os cabelos desgrenhados sobre o travesseiro e um leve sorriso nos lábios. Miranda passou a ponta dos dedos pela bochecha de Andy, maravilhada com a paz que aquela imagem lhe trazia. Tinha a mulher que amava, as filhas mais incríveis do mundo, e agora um bebê a caminho. Sua vida finalmente estava onde deveria estar.
— E pensar que aquela jornalista desajeitada de saia cafona virou a dona do meu mundo — sussurrou, com um sorriso bobo nos lábios.
Andy mexeu-se ligeiramente e murmurou, ainda sonolenta:
— Se tá me chamando de cafona de novo, vai dormir no sofá hoje.
— Cafona e mandona — Miranda riu baixinho, beijando-lhe os lábios de leve. — Bom dia, amor.
— Bom dia... — Andy se espreguiçou, os olhos ainda semicerrados. — Você já tá acordada há muito tempo?
— Há alguns minutos. Só estava... te admirando.
Andrea sorriu, corando levemente.
— Boba. Mas pode continuar, se quiser.
Miranda riu de novo e a puxou mais para perto, envolvendo-a com os braços. Ficaram assim por alguns instantes, apenas ouvindo o som distante das árvores e dos pássaros lá fora. Era um daqueles raros momentos em que o mundo parecia desacelerar — e ambas sabiam valorizar cada segundo.
— Quer que eu faça o café da manhã? — Andrea perguntou, tentando sair da cama.
— Nem pensar. Hoje eu cuido de você. — Miranda a impediu suavemente. — Fica aqui, descansa. Você está grávida, precisa de mimo.
— Agora você me dá licença que eu vou chorar — Andy disse com a voz embargada, rindo. — Você mimando alguém é a coisa mais linda desse mundo.
Miranda se levantou, vestiu o roupão e saiu do quarto em direção à cozinha. Preparou um café reforçado: panquecas de banana com mel, ovos mexidos leves, torradas integrais com avocado, suco de laranja e, claro, uma xícara de chá de camomila com gengibre para Andy. Tudo disposto com esmero numa bandeja. Ela ainda acrescentou uma pequena flor colhida do jardim e um bilhete rápido escrito com sua caneta tinteiro:
"Para a mulher mais importante da minha vida. Você carrega em si a luz que me guia. Te amo. — M."
Voltou para o quarto e encontrou Andrea sentada na cama, os cabelos presos em um coque bagunçado e o olhar emocionado ao ver a bandeja.
— Miranda... isso tudo... Meu Deus. — Ela levou a mão à boca, tocada.
— Come, antes que esfrie — disse com um sorriso terno, colocando a bandeja no colo da esposa.
Andy comeu entre elogios e olhares apaixonados, dividindo bocados com Miranda, que se sentava ao lado dela. Quando terminaram, ficaram deitadas de conchinha por mais um tempo, até ouvirem um barulho vindo do andar de cima.
— Aposto uma Chanel que é Chloe querendo café da manhã com glitter. — Miranda disse com a voz preguiçosa.
— Eu dobro a aposta: Cassidy e Caroline estão discutindo se o bebê vai se chamar Taylor ou River.
Ambas riram antes de ouvirem a correria pelas escadas. Três meninas entraram no quarto num turbilhão de risadas, abraços e empolgação.
— Bom dia, família! — gritou Cassidy, pulando na cama.
— Vocês acordaram o bebê! — brincou Caroline, passando a mão na barriga de Andrea.
— A gente pode cantar a música que fizemos? — Chloe perguntou, segurando o ukulele minúsculo cor-de-rosa.
Miranda revirou os olhos com ternura.
— Só se prometerem que hoje não vai ter glitter no suco.
— Prometo nada! — respondeu Chloe, dando um beijinho estalado no rosto da mãe.
A manhã passou entre risadas, cócegas, músicas desafinadas e pequenas declarações de amor. A família, cada vez mais unida, sentia-se invencível dentro daquela bolha de afeto, como se o mundo lá fora não pudesse alcançá-los.
Mais tarde, enquanto as meninas estavam entretidas com um jogo de tabuleiro na sala, Miranda e Andrea sentaram-se na varanda com xícaras de chá em mãos, observando o jardim florido.
— Estive pensando em nomes — disse Andrea, com um brilho nos olhos. — Se for menina... pensei em Helena. Ou talvez Luna.
— E se for menino? — perguntou Miranda, interessada.
— Noah? Rafael? Eu gosto de nomes que têm melodia.
— Eu gosto de ver você pensando nisso — respondeu Miranda, encostando a cabeça no ombro de Andrea. — É a coisa mais doce do mundo.
Andy ficou em silêncio por um tempo, até dizer:
— Eu sonhei com ele ontem. Ou ela. Sonhei que esse bebê ia ter seu olhar. Aquele olhar firme, que vê através das pessoas, mas com ternura. Como se já soubesse que o mundo pode ser difícil... mas que tem amor nele também.
Miranda sentiu os olhos se encherem.
— Eu quero te ver grávida. Quero sentir os chutes, quero comprar cada roupinha idiota que você quiser. Quero dormir sentindo esse bebê entre nós.
— E vai. Vai viver tudo isso. Dessa vez, juntas, do começo ao fim.
Se beijaram devagar, com a suavidade de quem ama sem pressa, mas com a certeza de quem sabe exatamente onde quer estar.
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A TERCEIRA PRIESTLY
FanfictionSer abandonada por Andrea, na noite mais importante no mundo da moda, o Paris Fashion Week, causava em Miranda uma dor tão pungente e o arrependimento de ter deixado o amor de sua vida escapar por entre seus dedos. Andrea, sofrendo com a rejeição ap...
