O domingo chegou carregado de sol e brisa fresca, com o aroma do jardim invadindo os cômodos da casa. Era dia de brunch em família, uma tradição recente que Andrea instaurou desde que se mudaram definitivamente para a casa de Miranda. As meninas adoravam ajudar na cozinha, especialmente Chloe, que levava muito a sério sua função de "chefe do glitter".
Mas antes do brunch, Andrea acordou antes de todas.
Desceu com cuidado da cama para não acordar Miranda, que ainda dormia profundamente, com os cabelos espalhados no travesseiro e a mão repousada em sua barriga. Andy sorriu, emocionada com a imagem. Aquela mulher que um dia a assustou tanto agora era seu lar, sua fortaleza, sua esposa. E em poucos meses, seria também mãe de seu bebê.
Na cozinha, ela colocou a chaleira no fogo, separou frutas, ovos, torradas e algumas panquecas que já tinha deixado semi prontas na noite anterior. Colocou uma música suave, uma playlist chamada "Domingo de Amor", criada especialmente para esses momentos.
— Bom dia, meu bem. — disse uma voz grave e sonolenta atrás dela.
Andrea virou-se e deu de cara com Miranda, descalça, vestindo apenas o robe de seda vinho e com um sorriso pequeno nos lábios.
— Você devia estar descansando... — Andrea murmurou, indo até ela.
— E perder a chance de te ver assim? Nunca. — respondeu Miranda, puxando-a para um beijo leve, mas demorado.
— Dormiu bem?
— Como um anjo. — disse, acariciando a barriga de Andrea. — E vocês dois?
Andy riu.
— Estamos ótimos. Com desejos de panqueca com geleia de pimenta.
— Isso é alarmante. — Miranda arqueou uma sobrancelha.
— Nem me fale.
Pouco depois, as meninas começaram a descer, uma a uma, ainda de pijamas, com cabelos bagunçados e olhos inchados de sono. Chloe vinha com seu urso de pelúcia, e ao ver Andrea e Miranda na cozinha, correu para abraçá-las.
— O bebê já acordou? — perguntou, passando a mão na barriga da mãe.
— Ainda não, mas logo, logo ele vai começar a dar uns chutinhos pra dizer "bom dia". — Andrea sorriu.
— A gente pode conversar com ele?
— Claro que pode, amor. Ele adora ouvir a voz das irmãs.
Cassidy e Caroline se aproximaram também, ambas sorrindo. Era incrível como aquela casa, antes tão silenciosa, agora transbordava vida. Andrea olhou em volta, sentindo uma emoção profunda. Ela se lembrava dos dias de correria como assistente de Miranda, das lágrimas escondidas, dos sapatos apertados, das noites sem dormir. Jamais teria imaginado que estaria ali, sendo chamada de "mamãe" por três meninas incríveis, casada com a mulher mais intensa e fascinante que já conheceu, grávida de um filho muito desejado.
— Amor? — Miranda chamou, tirando-a dos pensamentos. — Está tudo bem?
— Tá sim. Só estava... agradecendo. Em silêncio.
Miranda entrelaçou os dedos aos dela.
— Eu também. Todos os dias.
Após o brunch, enquanto as meninas organizavam um desfile improvisado na sala — Chloe com um vestido de princesa e Cassidy como estilista — Miranda e Andrea sentaram-se no jardim com uma taça de suco e uma almofada entre elas.
— Você já pensou em como quer o parto? — Miranda perguntou, acariciando o braço da esposa.
— Pensei. Quero que você esteja do meu lado, o tempo todo. Segurando minha mão, xingando os médicos se for preciso, controlando a playlist, escolhendo a roupa que o bebê vai usar ao sair.
— Então, natural?
— Acho que sim. Se for possível. Mas não quero romantizar a dor. Se eu precisar de anestesia, se eu quiser gritar, me deixa fazer do meu jeito.
— Você vai ter tudo do seu jeito, meu amor. — Miranda disse com firmeza. — E se alguém tentar impedir isso, vai lidar comigo.
Andrea sorriu, emocionada.
— Você seria capaz de dar uma bronca no médico?
— Andrea Sachs, eu mandei uma editora-chefe do Le Figaro ir se catar semana passada por insinuar que você era uma oportunista. Você duvida?
— Realmente, não duvido de nada.
Ficaram em silêncio por um instante, apenas observando as meninas rindo juntas na sala. Miranda levou a mão até o ventre de Andrea e ficou ali, sentindo a conexão vibrar sob sua pele.
— Sabe o que me deixa mais feliz? — Miranda sussurrou. — Saber que dessa vez, nós duas vamos viver tudo. Cada exame, cada ultrassom, cada crise de azia ou desejo maluco. Eu estarei com você. E com ele. Ou ela.
— E quando chegar a hora, ele vai nascer em meio a todo esse amor. — Andrea completou, encostando a cabeça no ombro da esposa.
Mais tarde, enquanto ajudavam as meninas a guardar as roupas do "desfile", Miranda tirou um momento para conversar com cada uma. Chloe estava desenhando bebês com glitter, dizendo que o irmão teria olhos azuis e cabelo prateado. Cassidy estava fazendo uma lista com nomes, e Caroline pesquisava músicas para acalmar o bebê.
— Vocês vão ser as melhores irmãs do mundo — Miranda disse, orgulhosa.
— A gente já é! — respondeu Chloe, toda convencida.
Andrea apareceu com um álbum de fotos antigo, com registros de quando Cassidy e Caroline eram pequenas.
— Vamos mostrar pra Chloe como foi quando ela chegou?
— Simmm! — gritou a pequena.
Sentaram-se todas na sala, revendo fotos, rindo das roupas, das expressões, das histórias. E no meio daquela tarde quente de domingo, Miranda percebeu que, mesmo depois de tudo que havia vivido, mesmo sendo quem era — Miranda Priestly, a mulher que aterrorizava o mundo da moda — ali, cercada de sua família, ela se sentia mais poderosa do que nunca.
Porque era amada.
E amava.
Incondicionalmente.
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A TERCEIRA PRIESTLY
Fiksi PenggemarSer abandonada por Andrea, na noite mais importante no mundo da moda, o Paris Fashion Week, causava em Miranda uma dor tão pungente e o arrependimento de ter deixado o amor de sua vida escapar por entre seus dedos. Andrea, sofrendo com a rejeição ap...
