O final de semana chegou com céu limpo e uma brisa suave que fazia as folhas dançarem como se celebrassem algo. Para a maioria das pessoas, isso significava um típico sábado ao ar livre. Para Miranda Priestly, significava a mais radical experiência de sua vida: acampar. Mas é claro que não seria um simples acampamento. Seria um Acampamento Priestly — com direito a estrutura cinco estrelas no meio do mato.
Andrea achava que tinha vencido uma batalha quando convenceu Miranda a passar dois dias fora da civilização. Mas subestimou completamente a capacidade da rainha da moda de transformar qualquer ocasião em um evento memorável.
Miranda contratou uma empresa especializada em experiências de "glamping" (glamour + camping) com estrutura montada no campo a duas horas de Manhattan. Quando a família chegou, as meninas correram na frente, encantadas com as barracas imensas — que mais pareciam tendas de um resort exótico. Havia iluminação ambiente, camas de casal com lençóis egípcios, ar-condicionado portátil, tapetes persas, velas aromáticas, e até uma seleção de vinhos cuidadosamente disposta sobre uma mesinha rústica.
Andrea ficou parada com a boca aberta.
— Você literalmente montou uma suíte cinco estrelas no meio do nada.
— Claro. Você realmente achou que eu dormiria em um saco de dormir no chão duro e úmido, disputando espaço com insetos e pedras pontudas? — respondeu Miranda, sem qualquer ironia, já tirando os óculos escuros e observando o ambiente como se fosse avaliar a nova coleção de outono.
— Eu subestimei seu poder.
— Realmente querida.
Chloe, Cassidy e Caroline estavam eufóricas. Cada uma já havia escolhido uma cama — Andrea, obviamente, dormiria com Miranda — e corriam de um lado para o outro com lanternas, fingindo que estavam em uma expedição misteriosa.
Andrea ajudava a descarregar as mochilas quando Miranda apareceu com um chapéu de aba larga, luvas de couro e um lenço de seda no pescoço. Ela parecia pronta para explorar o Saara em grande estilo.
— Isso é um acampamento ou uma produção editorial? — brincou Andrea, rindo.
— Ambas. Mas se mosquitos me picarem, Andrea, juro que volto andando.
A tarde foi leve. As meninas aprenderam a montar marshmallows em gravetos, riram, correram atrás de borboletas, e Chloe insistia em que todas tinham que chamá-la de "capitã da floresta".
Miranda, apesar do desconforto inicial, parecia estranhamente em paz. Sentada em uma cadeira de madeira dobrável com almofadas macias, ela observava as filhas e Andrea com um leve sorriso nos lábios. Às vezes, Andrea percebia esse olhar e sentia o coração aquecer.
— Está tudo bem amor? — perguntou, se sentando ao lado dela.
— Estou me perguntando por que não fiz isso antes. Não exatamente assim, claro. Mas... sair da bolha. Respirar outro tipo de ar. Ver vocês assim...
Andrea encostou a cabeça no ombro dela, sem dizer nada por um tempo. O som do riacho ali perto, a brisa, o cheiro da lenha queimando no começo da fogueira. Era tudo simples. Mas era tudo perfeito.
— Eu sabia que isso ia te fazer bem. — disse Andrea.
— Eu ainda acho loucura. Mas é uma loucura com vocês... então é aceitável.
Ao anoitecer, sentaram-se todos em volta da fogueira. Cassidy contava histórias de fantasmas completamente malucas, e Chloe criava finais alternativos ainda mais absurdos. Andrea estava com as meninas, rindo até chorar, e Miranda observava tudo com aquele olhar meio abobalhado que só ela sabia dar quando se permitia amar em paz.
— E se a bruxa pegasse a lanterna mágica e usasse para hipnotizar todo mundo? — sugeriu Chloe.
— Isso é o que você faz com as suas irmãs quando quer que te obedeçam. — retrucou Caroline.
— Ei! Eu sou a capitã da floresta!
— Por mais algumas horas só, querida. — comentou Miranda, arrancando gargalhadas de Andrea.
Já tarde da noite, quando as meninas estavam exaustas, enroladas em cobertores e dormindo juntas em uma das camas, Andrea e Miranda ficaram do lado de fora, sob o céu absurdamente estrelado.
— Você está tão quieta. — disse Andrea, acariciando a mão dela.
— Estou tentando absorver tudo isso. — Miranda respondeu, olhando para o céu. — E me perguntando como fui tão estúpida de pensar que poderia viver sem vocês. Sem isso.
— Você não foi estúpida. Você estava tentando se proteger. Eu também estava.
— Mas agora... eu só quero isso. Essa confusão, essa bagunça de gravetos e risadas, esse caos de amor. É tudo o que eu quero.
Andrea se aproximou e a beijou, devagar, com gratidão.
— Eu te amo tanto que meu peito chega a doer às vezes. — sussurrou ela.
Miranda a olhou como quem finalmente encontra abrigo depois de uma longa tempestade.
— Eu também. Mais do que sou capaz de expressar.
E naquela noite, dormiram ali, na imensa tenda iluminada por luzinhas penduradas, com o som dos grilos, o cheiro da mata e a presença uma da outra como única certeza.
Era acampamento, era natureza, era caos... mas acima de tudo, era amor. E era delas.
VOCÊ ESTÁ LENDO
A TERCEIRA PRIESTLY
FanfictionSer abandonada por Andrea, na noite mais importante no mundo da moda, o Paris Fashion Week, causava em Miranda uma dor tão pungente e o arrependimento de ter deixado o amor de sua vida escapar por entre seus dedos. Andrea, sofrendo com a rejeição ap...
