A tarde seguia serena e o mar tranquilo enquanto Andrea e Miranda retornavam para a lancha após explorarem as águas cristalinas. O passeio havia sido revigorante, e agora, de volta ao convés, Andrea observava Miranda se movimentar com precisão e graça na pequena cozinha da embarcação. Era tão prazeroso vê-la assim, sem a armadura de editora-chefe da Runway, e Andrea se pegou admirando cada gesto cuidadoso da mulher que preparava o almoço para as duas.
O aroma do peixe grelhado misturava-se ao frescor do mar, criando um ambiente intimista. Miranda, concentrada na tarefa, lançava olhares furtivos para Andrea, que estava sentada em um dos bancos acolchoados, com um sorriso suave nos lábios. A jovem jornalista não conseguia esconder a admiração que sentia por aquela mulher forte, determinada e, ao mesmo tempo, surpreendentemente atenciosa.
— Não precisa me olhar como se eu estivesse fazendo algo extraordinário, Andrea — disse Miranda, com um leve tom de divertimento na voz.
— Mas é extraordinário — Andrea respondeu, sem hesitação. — Você é Miranda Priestly. Imaginar que essa mulher, a mulher mais poderosa do mundo da moda, está aqui preparando o almoço para nós duas é algo que eu nunca pensei que veria.
Miranda arqueou uma sobrancelha, mas não conseguiu conter um pequeno sorriso.
— Bem, não posso deixar que você desmaie de fome antes de voltarmos para terra firme. E também gosto de garantir que as coisas sejam feitas do jeito certo.
Andrea riu suavemente, sabendo que essa era a maneira de Miranda admitir que gostava de cuidar dela. Pouco depois, as duas se sentaram para comer, saboreando o prato simples, mas perfeitamente preparado. O silêncio entre elas não era desconfortável; pelo contrário, era repleto de significado. Cada olhar, cada pequeno gesto, comunicava mais do que palavras poderiam expressar.
Após o almoço, Andrea e Miranda caminharam até a proa da lancha. O sol aquecia a pele, e uma brisa suave tornava o momento ainda mais agradável. Andrea se sentou primeiro, esticando as pernas e fechando os olhos por um instante, permitindo-se absorver a tranquilidade daquele momento. Miranda, hesitante por um breve instante, sentou-se ao lado dela, permitindo-se relaxar, algo que raramente fazia.
Sem pensar muito, Andrea deslizou sua mão até a de Miranda, entrelaçando seus dedos com delicadeza. Miranda não recuou. Pelo contrário, apertou suavemente a mão de Andrea, como se aquele simples gesto fosse a coisa mais natural do mundo.
— Se alguém me dissesse que eu estaria aqui, assim, com você, há um ano, eu teria rido da cara dessa pessoa — Andrea murmurou, ainda de olhos fechados.
— O mesmo vale para mim — Miranda respondeu, sua voz suave, quase levada pelo vento. — Mas não posso dizer que me arrependo.
Andrea abriu os olhos e virou o rosto para encará-la. Havia algo nos olhos de Miranda que a fez prender a respiração. Uma mistura de ternura e vulnerabilidade que raramente se via naquela mulher. Sem pensar muito, Andrea se inclinou ligeiramente para mais perto, sentindo o calor da presença de Miranda ao seu lado.
O mar continuava seu ritmo constante ao redor delas, indiferente ao que acontecia na pequena embarcação. Mas para Andrea, naquele instante, nada mais existia além de Miranda. Elas permaneceram ali, em silêncio, absorvendo aquele momento raro e precioso antes de voltarem para terra firme.
Miranda viu os olhos de Andrea mudar. Aquelas duas avelãs que há segundos atrás transmitiam ternura agora comunicavam desejo, um desejo ardente e inegável. O olhar de Andrea percorria Miranda com intensidade, como se estivesse memorizando cada detalhe, cada curva, cada linha do rosto e do corpo da mulher à sua frente.
A respiração de Miranda vacilou por um breve instante, mas ela não desviou o olhar. Havia algo de magnético na maneira como Andrea a observava, como se estivesse descobrindo um segredo que sempre esteve ali, oculto sob camadas de perfeição meticulosamente construídas.
Andrea moveu-se lentamente, como se temesse quebrar a magia daquele momento. Sua mão deslizou pelo braço de Miranda, os dedos traçando um caminho suave até alcançar a curva delicada do ombro exposto. Um arrepio percorreu Miranda, mas ela não se afastou. Pelo contrário, inclinou-se levemente para Andrea, aceitando aquela proximidade inédita entre as duas.
O silêncio entre elas era espesso, carregado de significados não ditos. O único som audível era o do mar ao redor da lancha, um fundo musical perfeito para a tensão elétrica que se formava entre seus corpos. Miranda percebeu que sua própria respiração estava mais curta, e isso a surpreendeu. Quando foi a última vez que alguém a fez sentir assim?
Andrea inclinou o rosto, seus lábios pairando perigosamente perto da pele de Miranda. Não havia pressa, apenas um jogo de antecipação que deixava o ar quase irrespirável. Miranda sentiu o calor do corpo de Andrea a centímetros do seu e, pela primeira vez em muito tempo, não soube ao certo qual seria seu próximo movimento.
— Você está brincando com fogo, Andrea — sussurrou Miranda, sua voz rouca, carregada de emoção.
— Talvez eu queira me queimar — respondeu Andrea, com um sorriso de canto, seus dedos agora traçando o contorno da clavícula de Miranda.
Miranda fechou os olhos por um instante, absorvendo a sensação do toque suave contra sua pele. Quando os abriu novamente, encontrou o olhar de Andrea fixo em sua boca, e uma onda de calor percorreu seu corpo. Ela poderia parar aquilo ali, encerrar a provocação com uma palavra cortante, mas não queria. Pela primeira vez, ela não queria.
Andrea se aproximou ainda mais, até que seus lábios roçaram suavemente o canto da boca de Miranda, um toque leve, quase uma pergunta. O coração de Miranda bateu forte contra o peito, e sua mão encontrou o quadril de Andrea, segurando-a com firmeza, como se quisesse se ancorar naquela realidade que se desdobrava diante dela.
— Diga-me para parar — murmurou Andrea, os olhos brilhando com uma mistura de desejo e respeito.
Mas Miranda não disse nada. Em vez disso, moveu-se imperceptivelmente, seus lábios buscando os de Andrea em um beijo que começou hesitante, mas rapidamente se tornou profundo e cheio de significado. O gosto dela era uma mistura de sal e do vinho que haviam compartilhado no almoço, e Miranda se perdeu por um instante, entregando-se ao momento sem reservas.
As mãos de Andrea deslizaram para a cintura de Miranda, puxando-a para mais perto, seus corpos finalmente se alinhando. Miranda sentiu-se viva de uma forma que há muito tempo não sentia. Não era apenas desejo; era algo mais profundo, algo que ameaçava desmoronar todas as paredes que havia construído ao longo dos anos.
O beijo se tornou mais urgente, mais intenso, como se estivessem compensando pelo tempo perdido, por todas as vezes que se olharam e desviaram os olhos, fingindo que nada estava acontecendo entre elas. Mas agora não havia mais como negar. Era real, inegável.
Miranda puxou Andrea para seu colo, sem romper o beijo, os dedos se enredando nos cabelos castanhos da jovem. Andrea arfou contra seus lábios, suas unhas cravando levemente nas costas de Miranda, como se quisesse se certificar de que aquilo estava mesmo acontecendo.
Quando finalmente se separaram, ofegantes, Miranda encontrou os olhos de Andrea mais uma vez. Agora, havia muito mais do que desejo neles. Havia algo próximo à devoção, algo que fez Miranda engolir em seco.
— Isso muda tudo — disse Miranda, sua voz baixa, quase temerosa.
Andrea sorriu, seus dedos traçando um caminho delicado pelo rosto de Miranda.
— Então que mude. Eu não quero voltar atrás.
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A TERCEIRA PRIESTLY
FanfictionSer abandonada por Andrea, na noite mais importante no mundo da moda, o Paris Fashion Week, causava em Miranda uma dor tão pungente e o arrependimento de ter deixado o amor de sua vida escapar por entre seus dedos. Andrea, sofrendo com a rejeição ap...
