Capítulo 61 - Novos Rumos

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Mesmo diante da queda vergonhosa de Jacqueline Foullet e da saída melancólica de Irv Ravitz, Miranda Priestly sabia que uma estrutura — ainda que podre — não se reergue sem que uma nova base sólida a substitua. Desde Paris, enquanto o jatinho cruzava o Atlântico em direção à França, seu olhar permanecia fixo na tela do tablet, mas sua mente vagava por entre lembranças, dívidas morais e certezas há muito gestadas. Uma delas tinha nome, sotaque britânico, um humor ácido afiado como tesoura de alfaiate e lealdade à prova de balas: Nigel Kipling.

Ao seu lado, Andrea brincava suavemente com os dedos de Chloe, que dormia aninhada no colo da mãe. A criança, enfim, sorria em seus sonhos — os traumas do encontro com Jacqueline começavam a dissipar-se, graças ao acolhimento, ao amor incondicional das duas mulheres que agora eram seu lar.

Miranda observou a cena por um instante, permitindo-se um breve suspiro. A tempestade havia passado, mas as decisões não podiam esperar.

— Amor — disse ela, em voz baixa para não acordar Chloe —, preciso resolver algo com Massimo assim que chegarmos.

Andrea ergueu os olhos castanhos e sorriu com ternura.

— Claro. Sei que isso ainda está em aberto na sua mente. Você quer colocar alguém de confiança na Runway Paris, não é?

Miranda assentiu. As palavras de Andrea, sempre tão precisas.

— Mais que isso. Quero colocar alguém que mereça. Alguém que tenha aguentado o pior da indústria, que tenha suportado a minha exigência sem jamais trair a própria integridade. Nigel está pronto há anos. E eu... — ela parou por um segundo — sinto que lhe devo isso.

Andrea apertou com delicadeza a mão de Miranda.

— E a Emily?

— Emily também. Se há alguém capaz de entender a estética da Runway e conduzi-la para um novo momento, é ela. Sempre foi muito mais que uma assistente. Ela sacrificou sua vida pessoal por essa revista, por mim. E nunca pediu nada em troca. Está na hora de reconhecer isso de verdade.

Andrea sorriu.

— Então faça. O Massimo confia em você. O conselho inteiro confia. Qualquer nome que você indicar, será aprovado. Porque todos sabem que ninguém entende dessa indústria como você.

Miranda desviou o olhar, quase constrangida. Era raro ouvir elogios que não viessem com bajulações vazias. Andrea, como sempre, dizia com franqueza e afeto, e era isso que a tocava.

Assim que pousaram no aeroporto de Le Bourget, uma comitiva os esperava. Massimo estava entre eles, impecavelmente trajado, e conduziu-as com discrição até a limusine que os levaria à sede parisiense da Runway. A cidade fervia com rumores sobre o escândalo de Jacqueline, e jornalistas se acumulavam nas calçadas como formigas em busca de migalhas. Mas Miranda Priestly não tinha tempo para migalhas — estava ali para reconstruir.

Na grande sala de reuniões da filial francesa, com vista para o rio Sena e o brilho suave da primavera europeia, estavam reunidos os principais nomes da revista: diretores financeiros, investidores, representantes de marcas, além dos advogados e os responsáveis pela nova transição. Miranda entrou como uma tempestade de elegância, seguida por Emily, que vestia um Alexander McQueen impecável, e por Nigel, que usava um blazer florido que só ele poderia carregar com tamanha classe.

Massimo ergueu-se imediatamente, abrindo os braços com um sorriso largo.

— Miranda! Que prazer tê-la de volta à Paris, ainda mais depois de tudo...

— Vamos economizar o prazer para depois, Massimo. Temos decisões a tomar. A Runway não pode ficar acéfala, e não podemos errar em quem colocaremos no lugar de Jacqueline.

A TERCEIRA PRIESTLYHistórias para pegar e não largar. Descubra agora