O sol de outono atravessava as folhas douradas do Central Park, projetando sombras delicadas sobre o chão. Andrea, sentada em um banco de madeira com um leve sorriso no rosto, observava suas quatro Priestlys com o coração em paz. Miranda, elegante mesmo com os cabelos presos de forma prática e usando jeans escuros e camisa branca impecável, caminhava ao lado de Chloe, encorajando a pequena com palavras doces e seguras a dar suas primeiras pedaladas sem as rodinhas.
— Vai, minha pequena, você consegue... mamãe está aqui. — Miranda dizia, com a voz embargada de orgulho e emoção.
Caroline e Cassidy, mais à frente, riam e corriam ao redor, apostando corrida, mas sempre mantendo os olhos atentos na caçula. Andrea, ali parada, se sentia completa. Aquela era sua vida, e era perfeita.
Foi então que uma voz familiar soou atrás dela:
— Olha só quem eu encontro aqui... Andrea Sachs no meio do parque.
Andrea se virou com um sorriso largo, levantando-se rapidamente ao ver Christian Thompson se aproximando de moletom cinza, tênis e os cabelos desalinhados de maneira charmosa. Eles se abraçaram com carinho e naturalidade.
— Chris! Meu Deus, quanto tempo. — ela disse, rindo. — Que surpresa boa!
Lá de longe, Miranda observava a cena com olhos estreitos. A forma como Andrea se jogou nos braços dele. A intimidade. A naturalidade. As lembranças começaram a queimar feito álcool derramado. Tudo o que ela conseguia ver era o homem que, mesmo com boas intenções, havia estado presente quando Andrea foi embora... levando consigo a filha que Miranda nem sabia que existia. Seu maxilar trincou, e o corpo ficou rígido como aço.
— A mãe está com ciúmes — sussurrou Caroline para Cassidy, que reprimiu uma gargalhada. — Olha o jeito que ela está olhando.
— Aposto que vai chegar lá do nada e fazer aquela cara de "sou absolutamente indiferente", mas por dentro está pegando fogo — completou Cassidy, divertida.
Enquanto isso, Chloe, que já havia ganhado confiança na bicicleta, pedalou até onde Christian estava e, ao vê-lo, largou a bike e correu em direção ao homem.
— Tio Chris! — gritou, pulando em seus braços.
Ele a ergueu com facilidade e a girou no ar, provocando risos altos da menina.
— Minha pequena Coisa 3! Você está enorme! — disse ele, abraçando-a forte.
Andrea ria, com a mão sobre o peito, visivelmente emocionada com o reencontro. Foi nesse momento que Miranda se aproximou. Sem dizer uma palavra, passou o braço pela cintura da noiva com discrição, mas de forma firme e territorial. Andrea não precisou olhar para saber o que estava acontecendo. Ela sorriu por dentro, adorava quando Miranda fazia isso. Aquela Miranda controlada, sofisticada, que raramente demonstrava emoções, ficava completamente desarmada quando se tratava dela.
— Christian. — disse Miranda, com um leve aceno de cabeça.
— Miranda. — ele respondeu, respeitoso. — Bom vê-la.
Chloe se agarrou no pescoço de Christian, mas olhou para Miranda e sorriu.
— Mamãe, o tio Chris me prometeu um sorvete da última vez. A gente pode?
Miranda apenas acariciou os cabelos da filha e respondeu:
— Talvez depois do almoço, querida.
O clima ficou levemente tenso. Andrea tentou suavizar com um comentário:
— Chris estava correndo e nos viu por acaso. Coincidência adorável, né?
— Adorável. — respondeu Miranda, com uma expressão indecifrável.
Christian sentiu o peso da presença da editora, que, mesmo sem elevar a voz ou mover um músculo, impunha respeito com cada palavra. Ele sorriu, mas entendeu o recado. Estava invadindo um momento de família, e, mesmo sem más intenções, aquela mulher ao lado de Andrea não estava disposta a dividir nada dela.
— Bom, já atrapalhei demais. Foi ótimo ver vocês. Chloe, vê se não cresce tão rápido, hein? Quero aproveitar ainda um pouco a minha afilhada.
— Tio Chris, me leva pra andar de skate da próxima vez? — pediu a menina.
— Combinado, coisinha. — ele riu, beijando sua bochecha antes de colocá-la de volta no chão.
Andrea o abraçou mais uma vez, e ele se despediu das meninas. Antes de ir, lançou um último olhar para Miranda, que não disse nada, apenas manteve seu braço em torno de Andrea.
— Ele é só meu amigo, você sabe disso, né? — disse Andrea, depois de alguns minutos, caminhando de volta ao banco com Miranda.
— Claro que sei. — respondeu Miranda com uma calma que não convencia nem a si mesma. — Só não gosto da maneira como ele... olha pra você.
Andrea parou e a olhou com ternura.
— Ele me admira. Mas quem eu amo é você. Só você. E não há espaço pra mais ninguém aqui — disse, pousando a mão sobre o próprio peito. — Você é minha casa, Miranda Priestly.
Miranda sentiu seu coração derreter. A insegurança, por mais absurda que fosse, ainda a visitava vez ou outra, porque amava com tanta intensidade que qualquer sombra sobre aquela felicidade a fazia estremecer.
— Desculpe se fui... irracional — murmurou.
— Você não foi irracional. Só foi humana. E por mais que eu goste de quando você se arma toda pra me proteger, saiba que eu nunca vou me deixar levar por ninguém além de você. — Andrea disse, pousando um beijo suave nos lábios da editora.
As meninas voltaram correndo em direção a elas. Chloe, empolgada, pulava de um lado pro outro, feliz com o dia no parque. Caroline e Cassidy continuavam zombando da expressão de Miranda, o que fazia a própria começar a rir, contra sua vontade.
— Ok, vocês duas... já chega! — disse ela, entre um sorriso e outro.
— A mamãe com ciúmes foi a melhor parte do passeio! — disse Cassidy.
— Vou lembrar disso da próxima vez que me chamarem de dramática — provocou Caroline.
Andrea ria alto, puxando Miranda pela mão.
— Vamos, Miranda. Temos uma pizza pra pedir e um filme pra escolher com nossas quatro mini nós.
Miranda suspirou, ainda com o orgulho um pouco ferido, mas com o coração inundado de amor. Sim, Christian era do passado. O presente — e o futuro — estavam ali, com ela. Era aquela mulher de olhos doces, coração imenso, e sorriso irresistível que ocupava todos os espaços do seu mundo.
E não havia lugar mais seguro do que aquele.
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A TERCEIRA PRIESTLY
FanfictionSer abandonada por Andrea, na noite mais importante no mundo da moda, o Paris Fashion Week, causava em Miranda uma dor tão pungente e o arrependimento de ter deixado o amor de sua vida escapar por entre seus dedos. Andrea, sofrendo com a rejeição ap...
