Chegaram em casa pouco antes das sete da manhã, tempo suficiente para despertarem as meninas com beijos e cócegas. Chloe, sempre a mais carinhosa ao acordar, pulou direto nos braços de Miranda, ainda com o pijama todo embolado e o cabelo bagunçado. Cassidy e Caroline não demoraram a se juntar, sorrindo ao verem as duas mães ali, juntas, como se nada pudesse abalar aquele lar novamente.
— Bom dia, minhas riquezas. — disse Miranda, com a voz suave e firme, beijando a testa de cada filha. — Preciso pedir desculpas pelo meu mau humor ontem. A mamãe teve um dia complicado, mas isso não justifica. Vocês não merecem isso. Me perdoam?
Chloe respondeu primeiro, com a língua ainda enrolada de sono:
— Claro que sim, mamãe. Você é a melhor mamãe do mundo. Só estava meio azedinha.
Cassidy e Caroline caíram na risada, e Miranda, para sua própria surpresa, riu junto. A leveza do perdão infantil era uma dádiva.
— Bem... — disse Caroline, de olhos brilhantes. — A gente sabia que você estava meio triste, então fizemos isso!
As três correram até a mesinha de artes do quarto e voltaram com caixinhas improvisadas, embrulhadas em papel colorido. Miranda se ajoelhou no meio da sala, recebendo com reverência o conteúdo: colares e pulseiras de miçangas, todas coloridas, com letrinhas formando palavras como "MOM", "LOVE", "QUEEN" e, numa pulseira de Chloe, "CHLOE + MOM".
— Isso é uma concorrência desleal à Cartier. — murmurou Miranda, emocionada. — Vocês são as artistas mais talentosas que eu conheço. Vou usar todas essas joias com o maior orgulho do mundo.
Elas se amontoaram em um abraço coletivo, daqueles que preenchem todos os espaços da alma.
Miranda chegou em casa em silêncio, equilibrando o pacotinho da delicatessen entre os dedos. O cheiro adocicado dos biscoitos de goiabada pairava no ar, mas seu coração ainda pesava um pouco. A noite anterior fora intensa, e apesar da reconciliação, a vergonha ainda morava em seus gestos contidos.
Abriu a porta do escritório devagar. Andrea estava ali, de cabelos presos de qualquer jeito, vestida com uma blusa velha da universidade, concentrada na tela do notebook. Os dedos dançavam pelas teclas com familiaridade, os olhos focados, os lábios levemente franzidos. Miranda ficou parada na porta, só observando.
Era impossível não sentir o peito apertar. Por tudo o que haviam vivido, pelo quanto Andrea fora paciente com suas inseguranças, e pelo simples fato de que... ela a amava com uma intensidade que ainda a assustava.
Andrea sentiu sua presença, mas não olhou de imediato. Estava terminando um parágrafo importante. Só depois de concluir a ideia, ergueu o olhar. Aqueles olhos castanhos encontraram os dela — e então, silêncio.
Miranda estava ali com os ombros um pouco curvados, os cabelos presos de maneira mais relaxada que o usual, segurando aquele pacote como se fosse um pedido de desculpas embrulhado em papel manteiga. Mas o que mais chamou a atenção de Andrea foram os olhos. Os olhos de Miranda. Aquele oceano profundo, normalmente tão firme, agora tão... carente.
— Trouxe os seus biscoitos preferidos. — disse Miranda, quase num sussurro.
Andrea sorriu. Levantou-se da cadeira devagar e foi até ela.
— Adoro quando você me mima com coisas de comer sabia?
— Com o melhor da goiabada carioca, direto da sua delicatessen preferida. — respondeu, tentando soar leve, mas havia uma fragilidade ali.
Andrea pegou o pacote e o colocou de lado. Depois segurou as mãos de Miranda com delicadeza, como quem segura algo precioso demais para ser deixado cair.
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A TERCEIRA PRIESTLY
FanfictionSer abandonada por Andrea, na noite mais importante no mundo da moda, o Paris Fashion Week, causava em Miranda uma dor tão pungente e o arrependimento de ter deixado o amor de sua vida escapar por entre seus dedos. Andrea, sofrendo com a rejeição ap...
