Capítulo 62 - La Famille

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A cidade de Paris era um cenário encantado para a nova fase da família Sachs-Priestly. Durante o restante da semana, depois da tempestade que foi o confronto com Jacqueline e as decisões empresariais tomadas com Massimo, a família pôde finalmente respirar fundo. A tranquilidade veio em forma de dias ensolarados, parques floridos, lojas encantadoras e muitas risadas. Chloe, Caroline e Cassidy aproveitavam cada minuto juntas, encantadas com a cidade, com as novidades e, especialmente, com os preparativos para o novo membro da família que estava a caminho.

No Jardin du Luxembourg, Miranda e Andrea observavam as três meninas correndo entre as árvores, parando para admirar esculturas ou observar flores. Cassidy, com sua curiosidade aguçada, fazia perguntas sobre tudo. Caroline, mais contida, lia as placas com atenção e explicava para a irmã mais nova o que era cada flor, cada inseto, cada símbolo nas fontes. Chloe, com os cabelos soltos e um sorriso cheio de pequenos dentes, brincava de imitar os gestos das irmãs.

Andrea segurava a mão de Miranda e sorria. Ali, naquele cenário quase cinematográfico, tudo parecia finalmente no lugar.

Entre passeios ao Louvre, compras em pequenas boutiques de bebês e tardes de crepes de Nutella, as meninas estreitaram ainda mais seus laços. Caroline e Cassidy, embora não fossem mais crianças pequenas, ainda tinham aquele brilho nos olhos que surgia quando se sentiam seguras e amadas. E ali, com Andrea cada vez mais presente como figura materna, a segurança era quase palpável.

Na última noite da viagem, após um jantar íntimo no hotel, Chloe adormeceu entre as irmãs na grande cama da suíte. Miranda e Andrea as cobriram com cuidado, trocaram um olhar cúmplice e saíram para a varanda, onde a noite parisiense soprava um vento ameno e perfumado.

Andrea estava quieta, com as mãos apoiadas no parapeito de ferro da sacada. Miranda, ao seu lado, trazia uma taça de vinho e a observava de relance, sentindo que havia algo no ar.

— Tudo bem? — perguntou suavemente.

Andrea virou-se um pouco, assentiu com um sorriso tímido, e depois respirou fundo.

— Tem algo que quero te dizer. E... é importante pra mim.

Miranda ficou atenta, deixando a taça sobre uma mesinha ao lado. Seus olhos encontraram os de Andrea com delicadeza.

— Pode dizer.

Andrea mordeu o lábio inferior, buscando as palavras certas.

— Durante essa semana... vendo as meninas tão próximas, tão naturais umas com as outras... vendo como elas me chamam quando querem ajuda, como confiam em mim... eu fiquei pensando. — Ela fez uma pausa. — Chloe tem meu sobrenome. O bebê também terá. Mas e Caroline e Cassidy?

Miranda franziu levemente a testa, como quem ainda não havia considerado aquilo.

— O que quer dizer?

Andrea a encarou com firmeza, mas seus olhos estavam marejados.

— Quero dizer que elas também são minhas filhas, Miranda. Não biologicamente, claro, mas de coração. De vínculo. De amor. Eu as amo tanto quanto amo a Chloe e o bebê que estou carregando. Eu me preocupo com elas. Eu as educo. Eu as acolho. Eu defendo. E elas... elas me chamam de mãe com tanto afeto... — Sua voz embargou por um instante. — Então não faz sentido, pra mim, que elas não tenham o mesmo sobrenome. Não porque o nome em si seja importante. Mas porque representa o que a gente é. Uma família. Completa.

Miranda respirou devagar. As palavras a atingiram fundo, de um modo que poucas coisas conseguiam. Havia ali um pedido puro, nascido do mais genuíno amor. Não era sobre formalidade. Era sobre pertencimento.

Andrea continuou, com a voz mais baixa.

— Eu sei que você sempre cuidou delas sozinha. Que foi mãe e pai. E que o vínculo de vocês é algo que eu respeito profundamente. Mas se tem algo que aprendi com vocês é que família se constrói com escolha, com afeto, com entrega. E eu escolho, todos os dias, ser mãe das três. Logo quatro. Então... queria te pedir isso. Que Caroline e Cassidy também pudessem ter meu sobrenome. Porque, no fundo, elas já são minhas filhas. Só falta isso ser oficial.

Miranda levou a mão ao rosto, comovida, e depois sorriu. Um sorriso pequeno, mas cheio de emoção.

— Você não imagina o quanto isso significa pra mim — disse, com a voz rouca. — Eu sempre soube que você amava as meninas. Mas ouvir isso... ouvir que você quer que elas levem o seu nome também... — Ela fez uma pausa e então continuou: — É um dos gestos mais lindos e significativos que alguém já teve comigo. Com elas.

Andrea se aproximou e segurou sua mão.

— Eu só quero que elas saibam, sempre, que são amadas por nós duas. Que esse amor é real, sólido e eterno.

— E elas sabem. Porque você demonstra isso todos os dias. Caroline e Cassidy já são Sachs em tudo que importa. Vamos tornar isso oficial.

Andrea sorriu, aliviada, e se jogou nos braços de Miranda, que a abraçou com força. Ficaram assim por alguns instantes, em silêncio, ouvindo a cidade ao fundo, como uma trilha leve para aquele momento tão íntimo.

Quando seus olhos se encontraram novamente, havia ternura e desejo. Miranda tocou o rosto de Andrea com cuidado, como se a visse pela primeira vez. E ali, naquela varanda em Paris, elas se beijaram como se estivessem renovando votos silenciosos de amor e pertencimento.

Foram para o quarto sem pressa. A penumbra envolvia o ambiente, e a cama parecia mais acolhedora do que nunca. Andrea deitou-se, e Miranda a seguiu, tocando-lhe a pele com reverência, como quem agradece por tudo o que têm construído juntas. O amor que fizeram naquela noite foi calmo, intenso e cheio de significado.

Depois, deitadas uma ao lado da outra, com os dedos entrelaçados sobre o ventre de Andrea, Miranda sussurrou:

— Amanhã, assim que voltarmos a Nova York, vou ligar para o advogado. Caroline e Cassidy terão o sobrenome Sachs. É o mínimo que posso fazer para honrar tudo que você é para elas. E para mim.

Andrea sorriu, já com os olhos pesando de sono.

— Obrigada, Miranda. Por me deixar amar vocês assim.

— Obrigada você, por nos ensinar o que é ser uma verdadeira família.

Na madrugada, Miranda acordou brevemente, ouvindo a respiração ritmada das crianças no quarto ao lado. Deitou-se de lado, observando Andrea dormir com uma das mãos sobre a barriga. Sorriu. Pela primeira vez em muito tempo, tudo estava exatamente como deveria ser.

A TERCEIRA PRIESTLYHistórias para pegar e não largar. Descubra agora