Capítulo 119

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 As flores enfeitam o jardim ao redor de um palácio no interior da França, e caminhando por ele, estava Christine Waller, olhando para a tela do próprio celular em busca de notícias de sua família, mas a única coisa que consegui ter, era o afastamento de sua mãe ao saber o que ela havia feito com Fernanda.

A adolescente não iria desistir após conseguir ir tão longe em suas escolhas, e isso era para o bem de sua nova família real, mas Kate não conseguia entender essa decisão, optando por não responder às mensagens mandadas e as ligações. Christine estava em completo isolamento.

Em Londres, Middleton caminhava por um enorme corredor vazio, vendo as mesmas obras de artes de mais de 12 anos de convivência com ela, e acreditando fielmente que estava sendo radical demais, porém, não iria mudar seu comportamento para agradar sua filha, já que sabia que ela estava errada de todas as formas e que poderia ser presa.

Vendo a esposa com os pensamentos aflorados com toda aquela situação, William tentou argumentar, mas nada adiantava e a fazia mudar de ideia sobre entrar em um avião e seguir para Paris, atrás de Christine.

- Você não pode fazer isso, Kate.

- Posso! Ela é a minha filha, e se ela for presa, preciso estar por perto.

- Ela não vai ser presa, Kate.

- Como você me garante isso? - gira com as mãos na cintura e visivelmente preocupada - Ela está fazendo tudo isso por uma família que ela sempre odiou. O mínimo que você pode fazer, é entrar naquele avião e ajudar ela de alguma forma, não acha?

- Eu me candidatei para fazer isso, mas você não permitiu.

- Por Deus, William! Estou gravida! Você acha que alguma grávida tem a capacidade de decidir sobre alguma coisa quando os hormônios estão a flor-da-pele, ainda mais uma que passou o que passou por causa de uma mulher como a Camilla?

- Eu...

- Vai atrás da Christine, por Deus!

Kate bufou por frações de segundos, deixando claro que os hormônios de sua gravidez lhe faziam agir e falar de uma forma que ela jamais falaria, mas não se arrependeu pelas palavras, apenas continuou caminhando para longe do Príncipe, que com um sorriso discreto nos lábios, tentou não ser visto pela Princesa, porque causaria ainda mais estresse e raiva em uma mulher que, só de olhá-lo, deixava clara a sensação de raiva.

William viu a mulher desaparecer no fim da enorme porta, então negou e seguiu para o caminho oposto de sua esposa, voltando para o quarto e pegando algumas peças de roupas, pondo-as em uma mala com tamanho suficiente para passar um dia e meio e Paris e voltar com sua filha, assim como pegou o passaporte real e dinheiro. Ele não sabia como iria viajar para Paris naquele horário, mas iria ter que improvisar.

Na delegacia e narrando tudo o que Camilla havia falado para Fernando, estava Fernanda com a imagem do delegado  fixa em seus olhos, para saber se ela estava mentindo ou falando a verdade. Seu francês não era um dos melhores e Christine não poderia estar ali para lhe ajudar, porém, o homem de fios castanhos e pele morena, conseguia compreender e até lhe pedia para falar com inglês, se não conhecesse a palavra a ser citada. E assim ela continuou, chegando ao fim de seu 12ª dia de depoimento para a policia francesa, e fechando a página número 80 de um dos papeis mais importantes do mundo naquele momento.

- A senhora pode ir embora, e uma viatura irá acompanhá-la até sua residência por questões de segurança.  Os arquivos que nos deu, irá para uma perícia e entraremos em  contato com o departamento real de Londres.

- Só não quero que meu nome seja exposto, Delegado. Ela pode me matar.

- Não será, lhe garantimos isso.

Às horas passavam ainda mais rápidas a cada minutos que William avançava em direção a França, chegando na famosa Cidade Luz, de madrugada e percebendo que ela era ainda mais linda ao inicio do amanhecer. Mas ele não estava ali para apreciar a cidade e sim achar Christine.

Seus seguranças  analisaram a calma e seguiram até o carro real que aguardava do lado de fora do aeroporto, e entrando ele, William agarrou o celular, perguntando para Kate onde era o endereço da falecida tia de Christine. O mesmo veio sem demora, e para lá o carro seguiu, passando por campos verdes e iluminados pela luz tristonha da Lua, já que ela estava se despedindo para a chegada do sol amarelado e alaranjado.

Não havia movimentação, com isso não havia trânsito que obstruísse a "comitiva" do Príncipe de Gales pelo interior da França, muito menos pessoas com mini bandeiras da Inglaterra lhe dando as boas-vindas, pois ninguém sabia que ele estava ali, e se soubessem, lhe daria uma enorme dor de cabeça.

Eram horas de carro, e William estava cansado, mas só voltaria com Christine ao seu lado ou Kate lhe mataria. Então quando viu o imenso e belo Casarão antigo brilhando com a luz do sol, já nascente, ele respirou fundo e sorriu, esperando que o carro entrasse após os portões serem aberto e vendo de uma das várias janelas, Christine se afastando e sumindo no interior da casa, mas surgindo poucos minutos depois na porta principal e esperando ele estacionar diante de seus olhos.

Uma fina garoa começa a cair assim que William  desce do carro e encontra Christine lhe olhando com uma expressão curiosa. E enquanto sua roupa formal absorve as pequenas gotas, o homem coloca as mãos diante do corpo e fica em uma posição de paz ao ver a adolescente se aproximando e fazendo o mesmo.

- Deixe eu ver se adivinho: Ela mandou você aqui?

- Ela tá furiosa com você.

- Posso imaginar. - sorri - Mas eu precisava fazer isso.

- E agora que já fez, vai voltar comigo para Londres.

- Não posso. Ainda não.

- Não faça isso com a mulher que fez tudo por você, Christine.

- É exatamente por ela que eu estou fazendo tudo isso.

- Isso não vai terminar bem para ninguém. - a vê se afastando - Você, por um acaso pensou no fato de estar envolvendo dois países? - William percebe o exato momento em que sua filha para de caminhar - Se você for presa aqui, irá envolver todo um país, porque você não deve esquecer do que é. - se aproxima - Você, querendo ou não aceitar, é uma Princesa de Gales e faz parte da Família Real Britânica. E sabe o quanto isso vai ser muito pior, pelo simples fato de você estar na França?

- Não se esqueça que posso ser presa como uma francesa - o olha - Minha família é daqui.

- Não! Você ainda não é.

- Eu acho que sim - sorri, virando mais parando ao ouvir.

- Por que você quer ferir tanto a Camilla? E não me diga que é porque ela fez o que fez com a sua mãe, porque eu não acredito em nada disso.

Christine virou lentamente enquanto respirava, olhando nos olhos azuis piscina de William e sorrindo ao falar:

- Ela mandou matar o Fernando, que por brincadeira do destino, era o pai que eu nunca conheci...

- Você mesma disse que ele jamais seria o seu pai.

- Sim! Mas isso não significa que eu quisesse ele morto. - continua o olhando - Você faz ideia de quantas vezes eu ignorei a existência do meu pai, quando, lá no fundo, eu só queria que ele me defendesse dos meninos? Me levasse pra escola e me dissesse: "Não quero aquele menino aqui!"? Ele abandonou a minha mãe como todos sabemos, mas ele era minha única família de sangue, William. E nem por isso eu queria que ele fosse morto.

- Então, você está vingando o Fernando? É isso?

- Não! Estou vingando a família que aquela mulher tirou de mim.




SMILE - Vol. 2Onde histórias criam vida. Descubra agora