*Vol. 2 de A Vendedora de Livros*
O sorriso nos lábios da Princesa de Gales, Kate Middleton, exaltava a liberdade de ser uma mulher comum acima da Coroa Britânica, e só existiu graças a uma adolescente de 15 anos, que mudou sua vida em 360 graus. So...
O som do vento atravessa as janelas abertas do segundo andar da livraria Waller, enquanto em seu interior e trajando uma camisa larga na cor preta e calça de algodão, estava Kate Middleton olhando no fundo dos olhos de uma adolescente, visivelmente, feliz e sorridente com as palavras que haverá de ouvir de sua mãe adotiva em relação ao retorno, mas do que esperado por uma população inteira, mas acima de tudo, para ela mesma, que deixava claro que havia superado seus fantasmas e iria bater de frente com a maior dinastia da humanidade: Família Real Britânica.
Christine Waller, apenas cruzou os braços e acenou com concordância, vendo sua mãe fazer o mesmo e sorrir com a coragem súbita que lhe tomou após o encontro com William, onde deixou claro que só iria acreditar em suas palavras, quando ele realmente demonstrasse que havia mudado e que não iria deixá-la de segundo plano quando as coisas ficassem feias para a família que ambos construíram.
A Princesa de Gales, caminhou lentamente em direção ao quarto de sua filha, vendo todos os seus três filhos assistindo TV na sala, enquanto sua filha mais velha lhe acompanha em uma jornada somente de ida, onde ao chegar em frente ao guarda-roupa compartilhado por ambas, ela abre a porta lentamente, sentindo o cheiro de rosas exalando de suas roupas finas e de alfaiataria, e pensando que jamais voltaria a usá-las novamente, mas que estava imensamente enganada sobre seus próprios desejos.
Kate Middleton não poderia mais se esconder atrás de paredes de tijolos e livros, porque ela precisava cuidar a segurança e futuro de seus quatro filhos, e mais a criança que crescia dentro de seu ventre a cada dia. E essa mesma criança estava lhe dando a energia necessária para que ela erguesse à cabeça, olhasse para seu próprio passado e para as recordações do olhar de William ao lhe ver entrando dentro do carro, para que ela se tornasse ainda mais forte do que já era. E quando isso lhe tomou, a primeira coisa que fez ao olhar suas roupas perfeitamente cuidadas e limpas, foi pegar um conjunto verde-água com uma camisa clara, voltar em direção a cama e deixá-lo ali, onde olhou para Christine em uma confirmação se ela estava fazendo a escolha certa, e tendo em um sorriso malicioso sua resposta.
A tarde chegava no céu de Londres, e olhando em direção a uma espelho, estava Christine com uma escova de cabelo em mãos e olhando pelo reflexo a imagem de uma mulher extremamente elegante e linda, com o olhar decidido e certeza do que iria fazer. E quando Kate se levantou da poltrona em que se encontrava, virou em direção a sua filha, que não pensou duas vezes e lhe abraçou forte o suficiente para que a mulher de 41 anos, sentisse todo o amor atravessando pela menina e chegando até ela para lhe dizer o quanto ela lhe amava.
- Minha Princesa Rebelde está de volta - fala Christine, se afastando e vendo Kate erguer o olhar em superioridade e mostrar que sim, a Princesa Rebelde estava de volta - Por isso e por muitas outras razões que eu te amo, sabia?
-Sabia! - sorri.
O relógio marcava 15h da tarde na cidade mais agitada do mundo, e onde o berço da monarquia britânica descansava a centenas de anos, e onde o nome de Kate e Camilla eram, frequentemente, falados por conhecidos e desconhecidos. Mas ninguém poderia imaginar que, naquelas 15h, muitas pessoas iriam encontrar a Princesa de Gales descendo de um carro de aplicativo, trajando uma roupa elegante e discreta, saltos finos e pretos, fios soltos e lindamente volumosos, acompanhada por um sorriso nos lábios e mostrando que a mulher que muito foi e era admirada por todos, não havia mudado em nada depois de seu sumiço e escândalo envolvendo o nome da Rainha da Inglaterra.
Kate caminhava pelas suas, sendo acompanhada por Christine e nenhum segurança ao lado, já que não estava sob a proteção da Coroa. E nem por isso, ela deixou de cumprimentar a quem lhe deseja boa-sorte e lhe erguia flores improvisadas na floricultura ao lado do Palácio de Kensington, local para onde ela estava indo e havia estacionado bem na entrada dos imensos portões de aço.
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O carro seguiu caminho e todos os seguranças que fazem a proteção do local a anos, e são conhecidos por serem imóveis e impossíveis de serem distraídos, moveram-se de seus pontos fixos, apenas para ver Kate e Christine caminhando pelas areias finas e brancas do local mais famoso do mundo, e berço de seus piores pesadelos e momentos. E assim que chegou em frente aos imensos portões para entrar, ninguém pensou duas vezes ao abrir as imensas grandes de aço para que ela entrasse em sua antiga casa com glórias e reverências de Princesa de Gales, algo que ela sempre foi.
Kate sentia o coração acelerado, mas a adrenalina em seu corpo lhe fez caminhar ainda mais em direção a entrada daquele imenso local, vendo elas se abrindo por mais guardas e todos os funcionários que ali estavam, sorriam com os olhos cheios de lágrimas ao ver sua passagem em apenas uma direção: Os aposentos do Rei.
O local continuava o mesmo, sem nenhuma mudança desde a última vez que esteve ali. E no fim de um imenso e longo corredor com artes e obras avaliados em bilhões de libras, ela viu a mesma janela que foi seu consolo em muitas noites de choro, assim como o vaso raro e que amava de todo aquele lugar, mas também viu um homem petrificado e com os olhos arregalados e lábios entreabertos ao perceber sua presença e a de Christine em um local onde ela havia jurado nunca mais pisar.
William, sorria e ao mesmo tempo tentava encontrar palavras que descrevessem o que ele estava sentindo naquele exato momento ao ver sua esposa linda e elegante diante de seus olhos, mas ao dar seus primeiros passos, o homem foi parado por uma voz ainda mais grave que a sua, que se aproximou e o segurou pelo braço, parando o avanço que quebrava a distância entre ele e Kate. E assim que olhou para trás, William viu seu próprio pai, Rei Charles II, segurando fortemente em seu braço e falando:
- Você não vai até ela!
Kate, que olhava a distância, sentiu seu coração acelerar ainda mais ao imaginar que o Rei estava com raiva de tudo que ela havia feito para a Coroa. E isso lhe fez fraquejar, pois o via como um segundo pai e o homem que lhe apoiou quando estava em dúvida sobre o futuro de Christine em sua vida. Então deu um passo de cada vez em sua direção, passando por uma obra de Da Vinci e vendo o Rei Charles lhe encarando com o semblante sério e bravo, que lhe mostrava o quão magoado ele estava com sua "Neta" favorita.
Christine ficou no mesmo lugar, assim como William, mas não porque ele queria, mas porque seu pai lhe obrigou, enquanto Kate e Charles II estavam frente à frente, depois de tudo que aconteceu para ambas as partes, até o momento em que a adolescente de 16 anos falou:
- Por favor, Rei? Ela está grávida e não pode ter fortes emoções.
As palavras de Christine ecoam pelo Palácio. E o que antes era uma expressão séria, se torna um sorriso bobo e uma imensa vontade de abraçar Kate. Vontade essa que foi percebida por ela no exato momento em que Charles II abriu os braços e ela avançou rapidamente, apertando e se afundando no carinho que apenas ele conseguia lhe dar. Assim como ouvi-lo sussurrar:
- Que saudades que eu estava da minha neta favorita. - aperta o abraço, fazendo Kate derrubar a muralha que havia criado para conseguir estar ali - Desculpa por tudo que fizemos você sofrer, querida? Me perdoe por ter contribuído para que isso chegasse a esse nível?
- Você não teve culpa, vovô.
- Me desculpe? - se afasta, olhando para os intensos olhos verdes e cheios de lágrimas - Juro que tentarei retratar cada sofrimento que lhe fizemos ter. Eu prometo!
- Fico feliz que não tenha ficado com raiva de mim.
- Fiquei no começo, mas depois eu entendi que nós estávamos errados em relação a você, querida. Nós! - a abraça mais uma vez - E eu vou cuidar de você e dessa criança.
A cena era algo lindo de se ver, mas William queria estar perto, queria tocá-la para saber se ela realmente estava ali, mas Charles, seu próprio pai, iria lhe impedir de se aproximar de Kate se ele cogitasse, pensar.