Capítulo 129

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A chuva fina batia suavemente contra as janelas do quarto. Londres dormia sob o céu cinzento, e no palácio, quase tudo estava em silêncio — exceto por uma respiração leve e uma conversa sussurrada que ecoava entre os lençóis.

Kate estava deitada de lado, uma das mãos repousando sobre a barriga arredondada. William, ao seu lado, passava os dedos devagar por seu braço, desenhando linhas invisíveis, como se quisesse memorizar cada centímetro de pele.

— Ela está diferente — disse ele, baixinho.

Kate sorriu, ainda olhando o teto.

— Crescida. Sarcástica. Dramática. — suspirou. — Mas... ela voltou, Will. Isso é o que importa.

William se virou na cama, apoiando o rosto perto do dela.
— E você... como se sente?

Kate demorou um instante antes de responder. Os olhos estavam marejados, mas tranquilos.

— Como se uma parte de mim tivesse voltado ao lugar. Como se... agora eu pudesse respirar melhor.

Ele a observou em silêncio, depois passou os dedos delicadamente por seus cabelos, afastando uma mecha da testa.

— Eu te admiro tanto, sabia? Pela forma como você a amou, mesmo quando não sabia como seria. Por tudo o que você deu a ela... e agora ao nosso bebê.

Kate virou-se, ficando de frente pra ele. Tocou seu rosto com os dedos suaves, com aquele carinho que só ela sabia oferecer.

— Eu não fiz nada sozinha, Will. Você sempre esteve comigo. Quando recebi a carta da Catherine... você não hesitou. Nem uma vez.

William sorriu de canto.

— Eu vi nos seus olhos. Aquela menina já era sua antes mesmo de entrar nesse palácio. Eu só segui você. Sempre sigo.

Eles se beijaram devagar, como quem agradece. Como quem encontra descanso um no outro.

— Ela te ama, sabe? — disse ele depois, encostando a testa na dela.

— Ela finge que não. Mas sei que ama.

— Um dia vai te agradecer por tudo.

Kate fechou os olhos.

— O silêncio dela hoje foi o agradecimento mais bonito que eu poderia ter.

William deslizou a mão até a barriga e a beijou com ternura.
— Esse aqui vai ter sorte. Vai nascer com uma mãe extraordinária.

Kate sorriu, emocionada, puxando-o para perto.
— E um pai que é meu porto seguro.

A chuva continuava lá fora, mas ali dentro o mundo estava em paz.

No silêncio da madrugada, entre respirações calmas, mãos entrelaçadas e corações aquecidos, William e Kate dormiram — com a certeza de que o amor deles, silencioso e firme, sustentava não apenas uma família, mas um legado inteiro.

O sol atravessava as cortinas com delicadeza, iluminando a enorme cozinha com uma luz dourada suave. William estava de avental — sim, de avental, com a frase "King of Breakfasts" bordada em azul-marinho no centro. No balcão, ele mexia uma panela com um zelo que beirava o exagero.

Ahhh... voilà! — exclamou, com sotaque francês improvisado e ridículo. — Omelette au fromage puant avec un toque royal de sarcasmo.

Do corredor, Christine apareceu com o cabelo bagunçado, vestindo um dos moletons de Kate, visivelmente recém-despertada. Ela franziu o nariz no instante em que o aroma atingiu suas narinas.

SMILE - Vol. 2Onde histórias criam vida. Descubra agora