Último Capítulo

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Esse fim veio antes do previsto, assumo. Mas eu fico feliz que estejam aqui comigo até o fim.

Obrigada por estarem até o fim. Sinto que o fim não foi o que muitos esperavam, mas foi a demonstração de o quanto o amor verdadeiro, mesmo não sendo do mesmo sangue, é mais forte do que imaginamos.

Finalizo com uma Kate sendo a mesma mãe que conhecemos. A que sofreu, mas buscou vingança. E conseguiu? Talvez.

Aproveitem e...
Até a próxima, meus queridos ❤️

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O corredor era úmido, com um cheiro metálico e estagnado. O som de passos ecoava em ritmos firmes, sem pressa, mas absolutamente decididos. Guardas se entreolharam, hesitaram, mas abriram passagem sem uma palavra. Ela não usava coroa, não precisava. A dor tinha se tornado sua armadura.

A luz fria do presídio caía sobre Kate Middleton com uma crueza que não perdoava nem a mais delicada curva de seu rosto. Ela vestia um casaco vinho escuro, elegante mas contido, e uma blusa com laço pálido que contrastava com a dureza de sua expressão. Os cabelos, meticulosamente soltos, caíam com leveza — única coisa ainda suave nela.

 Os cabelos, meticulosamente soltos, caíam com leveza — única coisa ainda suave nela

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Ela parou diante da cela. Não havia emoção em seu rosto. Apenas olhos firmes e gélidos, como se todas as lágrimas que um dia existiram tivessem congelado ali.

Dentro da cela, sentada em um banco de concreto, estava ela — a mulher que roubara o maior amor de sua vida. A assassina de Christine. O motivo de tantas noites insones, de berros engolidos e do vazio que nem o tempo ousava preencher.

Rosy ergueu os olhos devagar. Tentou sorrir com escárnio, mas o gesto morreu no canto da boca ao ver Kate parada ali — uma figura silenciosa e absolutamente letal em sua serenidade.

— Então você veio — Rosy murmurou, com a voz rouca.

Kate não respondeu de imediato. Seus olhos percorreram cada traço do rosto diante dela, como quem grava uma cena pela última vez. Depois, aproximou-se do vidro da cela, inclinando-se levemente. Havia uma calma quase cruel em sua postura.

— Você poderia ter ido embora — disse Kate, com voz baixa, quase um sussurro.
— Mas você ficou.

Rosy não respondeu. Seus dedos tremeram levemente. Havia algo nos olhos de Kate que ela não compreendia. Não era fúria. Não era dor. Era... algo maior. Um silêncio que esmagava.

Kate endireitou o corpo. Passou a mão suavemente pela barriga — ainda um reflexo inconsciente da gravidez que já não existia. Depois, encarou a mulher novamente.

— Você tirou minha filha de mim. E, com ela, todas as versões de mim mesma que eu jamais conhecerei.
A mãe que eu seria com ela aos 25. A avó que ela faria de mim. A amiga que ela foi.
Tudo isso... você apagou.

Pausa. E então, com um tom que não era ameaça, mas destino:

— Você não sabe ainda...
Mas... Ninguém vai sentir sua falta.

SMILE - Vol. 2Onde histórias criam vida. Descubra agora