Capítulo 127

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As risadas doces ecoam pelo jardim, perfeitamente cuidado. Charlotte pedia para George não jogar a pequena bola de lama em seu vestido, mas o jovem príncipe ignorou seu pedido, lançando em sua direção a substância que estragaria sua vestimenta favorita.

A menina gritou, demonstrando sua raiva. E sua voz ecoou pelas paredes da casa de Campo da família, acendendo a luz de alerta de uma mãe  com uma barriga visível, muitos meses depois de Christine partir para Paris, sem passagem de volta.

O brilho da Princesa de Gales estava ainda mais intenso, seus olhos, levemente cansados, mas felizes, eram um dos sinais de sua gravidez. O rosto inchado, mostra que ela ficava diferente do que muitos estão acostumados a ver pelas fotos ou telas de TV, assim como os braços mais largos, porém, sem perder tanto o corpo de antes.

William, olhando para a tela de um computador no escritório perfeitamente arrumado, confirmava sua ida ao Brasil no ano seguinte, mas não confirmava a ida de sua esposa, mesmo sem consultá-la a respeito, algo que iria fazer quando acabasse. Mas ao mesmo tempo, ouvia os gritos de Charlotte e as risadas de George, sabendo que o jovem havia feito algo de maldosos contra a própria irmã.

Kate surgiu no jardim, vendo o vestido branco gelo e com pequenas rosas bordadas, com uma enorme mancha amarronzada, assim como os olhos enfurecidos de Charlotte ao tentar acertar o próprio irmão com um balde de água.

— Não faça isso, por favor.

As mãos de Middleton, agarram o material firme enquanto ele ainda está no ar e em direção a George, que corre com uma risada vitoriosa no rosto.

— Mãe??

— Eu... Estou vendo. - analisa o estrago no tecido tão delicado.

— Eu amava esse vestido, mãe!

— Eu vou tirar a mancha, meu amor, não se preocupe.

Os olhos de Charlotte brilharam devido às lágrimas que nasciam, assim que ela encontrava o estrago. E Kate, como qualquer mãe, sentia o coração partindo com a tristeza de sua menina. George, por outro lado, continuava como se nada estivesse acontecendo, mas parou ao ouvir a voz de sua mãe o chamando para pedir desculpas.

— Mas mãe...

— Peça desculpas, George!

— Mas estávamos brincando, e... Ela tem vários vestidos iguais

— George?! — a voz saiu firme, assim como o olhar era mais intenso.

— Desculpa?

William, ao longe, avistava a cena com encantamento, mesmo sendo algo que ele deveria intervir como pai. Porém, estava tudo tão lindo, tão magico e único, que ele permaneceu exatamente no mesmo lugar, com os braços cruzados e apoiado na parede fria ao lado da porta.

Kate sorria com as expressões de indignação de sua filha ao perceber que o próprio irmão não estava falando a verdade sobre o pedido de desculpas. Ela poderia intervir, mas eram crianças, além do mais, sua pequena criança chutava dentro de seu ventre, agitada e acelerada, como se quisesse sentir o mundo real antes do previsto dito pelos médicos. Ainda faltavam algumas semanas para que o futuro herdeiro chegasse, mas todos na cidade celebravam a alegria de Kate com seu quinto filho real. Algo que ela aceitava, mas não levava para dentro de seus pensamentos. Ela tinha a consciência de que não seria princesa ou rainha para sempre. E preferiria ensinar os filhos a viver atrás dessa monarquia.

Sua gravidez não deveria ser tão importante para o mundo, mas ela sabia que não tinha como fugir. Mas de tudo isso, todos esses momentos que não pode fugir, o melhor e que ela jamais deixaria passar, era William cuidando daquilo que eles, quando eram jovens, sonharam e esperaram para construir. Era ela ver que ele havia, de fato, se arrependido de seus erros, tinha esquecido que a vida fácil de um homem que traí, nunca tem apenas o lado bom.

Viagens, brincadeiras  e cupcakes aos fins de semanas com as crianças em uma enorme cozinha elegante e simples. Mas uma coisa ela nunca esqueceu: Sua Chris.

Os dias passavam, a saudade apertava seu peito, mas ela não poderia fazer nada. Christine tinha seguido seu caminho e estava bem, mesmo que as notícias sobre ela tenham se tornado rara. William cuidava de sua gravidez, como se organizasse uma guerra, devido os cuidados e esforço. Tudo parecia perfeito demais para ela acreditar. Seus dias eram tão turbulentos, que a calma existente no ar, era como a brisa de uma praia. E ela nunca se sentiu tão feliz.

O calor de uma mão a fez voltara ao mundo real, assim que percebeu William a abraçando por trás e encostando seu queixo em seus ombros.

— Pensando na gravidez?

— Não! — traz seus braços para mais perto de seu corpo — Estou pensando na Christine.

— Teve alguma notícia?

— Nenhuma. — Suspira — Nada.

— E isso está preocupando você, não é?

— Um pouco. Mas eu sinto que ela está bem.

SMILE - Vol. 2Onde histórias criam vida. Descubra agora