A luz dourada do sol atravessava os vitrais coloridos, tingindo o chão de sombras rosadas e lilases. O silêncio era pontuado apenas pelo som distante de pássaros e pelas folhas dançando ao vento. Kate caminhava devagar entre as plantas floridas, com um pequeno volume de couro entre as mãos — gasto nas bordas, mas cuidadosamente preservado.
Ela encontrou Christine sentada num banco de ferro, os pés descalços tocando o mármore frio. Os sapatos estavam jogados de lado e um caderno de desenhos no colo. A garota olhava para o céu como se buscasse uma resposta lá em cima... ou um sinal.
Kate se aproximou com leveza.
— Você sempre desenha quando não quer falar — disse, sentando-se ao lado dela.
Christine deu um sorrisinho de canto.
— E você sempre traz chá quando quer que eu fale.
Kate riu, balançando levemente a cabeça. Depois estendeu o diário.
— Hoje não trouxe chá.
Christine olhou o caderno. Reconheceu de imediato. Engoliu em seco.
— É da minha mãe...
Kate assentiu.
— Achei que talvez estivesse pronta. Ou... que pelo menos merecia isso.
Christine passou a mão com delicadeza sobre a capa. Ficou em silêncio por um instante, antes de abrir. As páginas estavam preenchidas com uma caligrafia leve, feminina, às vezes apressada. Trechos de pensamentos, versos, pequenas lembranças. E entre eles, palavras que batiam como coração:
"Se algum dia eu não estiver mais aqui, quero que minha filha saiba que ela nasceu do amor. Mesmo que o mundo diga o contrário. Mesmo que a realeza, os jornais, ou o próprio pai dela tentem apagá-la do livro da história. Ela é minha página favorita."
Os olhos de Christine marejaram. Ela mordeu o lábio inferior, tentando segurar.
— Ela escrevia melhor que eu pensava.
— Ela escrevia como quem precisava deixar algo para trás — sussurrou Kate, tocando de leve a mão da menina.
Christine fechou o diário com cuidado. Olhou para o lado, diretamente para Kate.
— Por que você aceitou cuidar de mim? Mesmo depois de tudo o que ela viveu... e do que vocês viveram.
Kate respirou fundo. O vento bagunçou levemente seus cabelos.
— Porque ela confiou na Princesa de Gales, de um jeito estranho, silencioso... mas real. E eu não a conhecia, até lhe ver na chuva e entrar na livraria. Eu vi a força que ela tinha. Vi o medo nos olhos dela... e vi o amor quando ela falava de você. Ela não confiava em ninguém, Chris. Mas confiou em mim.
Christine desviou o olhar, engolindo mais um nó na garganta.
— Às vezes eu acho que estou tentando ser forte igual ela. Mas... eu não sei se sou.
Kate sorriu, segurando a mão dela com firmeza.
— Você é. Mas não precisa ser o tempo todo. Sua mãe lutou sozinha. Você não precisa.
A garota olhou para ela, com um sorriso molhado de ironia.
— Isso é coisa de princesa ou de terapeuta emocional com pós-graduação?
— Isso é coisa de mãe — respondeu Kate, sem hesitar.
Christine baixou os olhos. E, como fazia sempre que não sabia o que responder, se escondeu no sarcasmo:
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SMILE - Vol. 2
Acak*Vol. 2 de A Vendedora de Livros* O sorriso nos lábios da Princesa de Gales, Kate Middleton, exaltava a liberdade de ser uma mulher comum acima da Coroa Britânica, e só existiu graças a uma adolescente de 15 anos, que mudou sua vida em 360 graus. So...
