Capítulo 130

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A luz dourada do sol atravessava os vitrais coloridos, tingindo o chão de sombras rosadas e lilases. O silêncio era pontuado apenas pelo som distante de pássaros e pelas folhas dançando ao vento. Kate caminhava devagar entre as plantas floridas, com um pequeno volume de couro entre as mãos — gasto nas bordas, mas cuidadosamente preservado.

Ela encontrou Christine sentada num banco de ferro, os pés descalços tocando o mármore frio. Os sapatos estavam jogados de lado e um caderno de desenhos no colo. A garota olhava para o céu como se buscasse uma resposta lá em cima... ou um sinal.

Kate se aproximou com leveza.

— Você sempre desenha quando não quer falar — disse, sentando-se ao lado dela.

Christine deu um sorrisinho de canto.

— E você sempre traz chá quando quer que eu fale.

Kate riu, balançando levemente a cabeça. Depois estendeu o diário.

— Hoje não trouxe chá.

Christine olhou o caderno. Reconheceu de imediato. Engoliu em seco.

— É da minha mãe...

Kate assentiu.

— Achei que talvez estivesse pronta. Ou... que pelo menos merecia isso.

Christine passou a mão com delicadeza sobre a capa. Ficou em silêncio por um instante, antes de abrir. As páginas estavam preenchidas com uma caligrafia leve, feminina, às vezes apressada. Trechos de pensamentos, versos, pequenas lembranças. E entre eles, palavras que batiam como coração:

"Se algum dia eu não estiver mais aqui, quero que minha filha saiba que ela nasceu do amor. Mesmo que o mundo diga o contrário. Mesmo que a realeza, os jornais, ou o próprio pai dela tentem apagá-la do livro da história. Ela é minha página favorita."

Os olhos de Christine marejaram. Ela mordeu o lábio inferior, tentando segurar.

— Ela escrevia melhor que eu pensava.

— Ela escrevia como quem precisava deixar algo para trás — sussurrou Kate, tocando de leve a mão da menina.

Christine fechou o diário com cuidado. Olhou para o lado, diretamente para Kate.

— Por que você aceitou cuidar de mim? Mesmo depois de tudo o que ela viveu... e do que vocês viveram.

Kate respirou fundo. O vento bagunçou levemente seus cabelos.

— Porque ela confiou na Princesa de Gales, de um jeito estranho, silencioso... mas real. E eu não a conhecia, até lhe ver na chuva e entrar na livraria. Eu vi a força que ela tinha. Vi o medo nos olhos dela... e vi o amor quando ela falava de você. Ela não confiava em ninguém, Chris. Mas confiou em mim.

Christine desviou o olhar, engolindo mais um nó na garganta.

— Às vezes eu acho que estou tentando ser forte igual ela. Mas... eu não sei se sou.

Kate sorriu, segurando a mão dela com firmeza.

— Você é. Mas não precisa ser o tempo todo. Sua mãe lutou sozinha. Você não precisa.

A garota olhou para ela, com um sorriso molhado de ironia.

— Isso é coisa de princesa ou de terapeuta emocional com pós-graduação?

— Isso é coisa de mãe — respondeu Kate, sem hesitar.

Christine baixou os olhos. E, como fazia sempre que não sabia o que responder, se escondeu no sarcasmo:

SMILE - Vol. 2Onde histórias criam vida. Descubra agora