Capítulo 122

63 10 0
                                        

Horas depois, já em casa, Kate e Christine se sentaram na sala, longe de William. A tensão ainda pairava no ar, mas agora havia um cansaço misturado à mágoa da mentira.

— Eu só... queria fazer justiça, mãe — Christine confessou. — Eu fiz tudo isso por você. Por tudo o que Camilla te fez passar. Eu não ia conseguia viver sabendo que ela sairia impune. Eu só queria te proteger e acabar com a vida daquela mulher.

Kate fechou os olhos por um instante, absorvendo as palavras. Quando os abriu novamente, sua expressão estava menos rígida, mas ainda marcada pela dor.

— Filha... eu entendo seu desejo de me proteger. Entendo o que a Camilla fez com todos. Mas você não precisava fazer isso. Você não precisava se arriscar tanto assim e me deixar desse jeito. Você acha que eu queria que você se arriscasse por ela? 

Emily sentiu as lágrimas rolarem. — Mas você é a minha única família agora, Kate... eu precisava fazer alguma coisa pra você parar de sofrer por tudo que viveu.

Kate respirou fundo e puxou a filha para um abraço apertado. — Eu nunca esqueci o dia em que lhe vi pela primeira, nunca! E eu só queria entender o que você tinha para que eu ficasse tão precisa em você. Depois você me mostrou que é a Princesa mais aversa a Coroa que eu conheci na vida, mas que se arriscou para vingar uma Princesa, como eu. — A analisa — Mas você não precisava manchar suas mãos por mim.

Christine respirou o perfume de Kate, enquanto repousava no peito de sua mãe. — Me desculpa... eu só queria proteger você.

Kate acariciou os cabelos da filha, deixando que as lágrimas de ambas se misturassem. — Você já é forte, minha menina. Mas ser forte também é saber que nem tudo é tão simples. É você pensar que pode fazer alguém sofrer muito, muito.

Naquele momento, o peso da culpa deu lugar a algo mais leve. Elas não estavam consertadas por completo, mas estavam juntas. E isso era o que mais importava.

William observava de longe, encostado no batente da porta, enquanto mãe e filha se abraçavam. Um sorriso discreto surgiu em seus lábios. Apesar de toda a turbulência, ainda havia amor entre elas. Isso era o mais importante.

Após alguns minutos, Kate se afastou e limpou os olhos marejados, inspirando fundo. O silêncio pairou por um instante, até que ela finalmente falou:

— Mudando de assunto... precisamos conversar sobre sua coroação, Christine.

A expressão da adolescente mudou imediatamente. Seus músculos ficaram tensos, e ela revirou os olhos, afastando-se do abraço.

— De novo isso? — resmungou, cruzando os braços. — Eu já disse mil vezes que não quero nada disso. Eu não sou uma Princesa como você.

William interveio com cautela, tentando aliviar o impacto.

— Filha, eu sei que esse assunto é complicado para você, mas é algo que precisamos discutir. Você é a herdeira do título de Princesa de Gales, e isso não pode simplesmente ser ignorado. Ainda mais com a saída da Camilla e tudo o que descobrimos sobre ela. Você vai ser coroada.

Christine bufou, afastando-se ainda mais.

— Eu entrei nessa família por amor a Kate e aos meninos, não para ser a Princesa de Gales. Não quero essa responsabilidade, não quero esse título! Já sou a da França, e já está de bom tamanho. — Sua voz subiu um tom, carregada de frustração. — Eu sou só uma adolescente, que por mais madura que seja, porque aprendi a ser, eu não quero isso pra mim. Eu não me vejo tendo a responsabilidade de alguém que inspira um país. Eu não quero isso.

Kate suspirou, passando a mão pelos cabelos. Sabia que esse era um ponto delicado para a filha, mas também sabia que não poderia simplesmente deixá-la fugir de algo tão grande.

— Eu entendo que seja difícil, meu amor. Mas você faz parte dessa família. E, gostando ou não, o futuro da Coroa também é seu.

— Eu só quero continuar sendo a filha de vocês. E não a filha da Princesa e do Príncipe de Gales.

Christine desviou o olhar, mordendo o lábio inferior. Ela não queria ouvir nada daquilo. Para ela, a Coroa Inglesa era apenas um fardo que nunca desejou carregar, e por aquilo que sempre teve desprezo, e só aceitava por causa de sua falecida mãe.

William observou a filha com compaixão. Sabia que o peso dessa realidade era imenso para ela. E, por mais que desejasse facilitar as coisas, havia verdades das quais Christine não poderia escapar.

Kate suspirou, sabendo que essa conversa não levaria a lugar algum.

— Christine, isso não é uma escolha. É seu direito e seu dever.

— Então eu abro mão — respondeu Christine friamente. — Eu não quero ser coroada, não quero esse título. Quero viver minha vida do meu jeito e ao lado de vocês. Só isso.

Antes que Kate pudesse responder, Christine saiu da sala e seguiu para a saída, entrou no carro e seguiu para seu refúgio: o segundo andar de sua biblioteca. Era lá que ela se sentia segura, entre as prateleiras de madeira antiga e o cheiro reconfortante dos livros.

Pouco depois, Kate chegou até a biblioteca atrás da filha. Assim que entrou, um arrepio percorreu sua espinha. O ambiente tinha uma presença forte, mas ao mesmo tempo calma. O ar parecia mais denso, carregado de algo familiar. Kate fechou os olhos por um instante e sorriu. Ela conhecia essa sensação. Era a mesma que sentiu quando tocou piano naquele dia... A presença de Catherine, a falecida mãe de Christine, estava ali.

— Você sempre está por perto, não é? — sussurrou Kate, sentindo um calor confortante em seu peito.

Christine, alheia à percepção da mãe, continuava folheando um livro sem muito interesse. Kate apenas sorriu, deixando-se envolver por aquela paz inesperada, e sentou-se ao lado da filha, determinada a estar ao lado dela, independentemente de sua escolha.

- Você sentiu ela, não sentiu? - perguntou a mais velha.

- Quem?

- Sua mãe. - olhou em direção a porta - Sinto a alegria dela, e ela cuidando de você. - fala assim que fecha o livro que a adolescente olhava - Não quero lhe obrigar a fazer isso. Só quero que entenda que você não vai poder fugir.

 - Fico imaginando como a mamãe ficaria se me visse sendo coroada, sabe? Será que a senhora Waller, ia gostar? - demonstra tristeza devido a saudade - Eu tô com saudade dela.

- Eu posso imaginar, meu amor. E eu acredito que é por isso que ela está aqui. - olha para a porta uma segunda vez - Ela tá cuidando de você. - a trás para perto.

- Eu não queria que ela fosse para que eu tivesse essa vida.

SMILE - Vol. 2Onde histórias criam vida. Descubra agora