Kate entrou no antigo quarto de Catherine e fechou a porta atrás de si. O ambiente estava vazio, sem móveis ou qualquer vestígio da mulher que um dia vivera ali. Apenas o grande espelho ornamentado permanecia, solitário, refletindo a luz suave que entrava pela janela. O silêncio era absoluto, mas havia algo no ar, uma sensação que fazia seu peito se apertar e, ao mesmo tempo, se expandir.
Seus olhos encontraram seu próprio reflexo, e por um momento, ela hesitou. Aproximou-se devagar, observando cada detalhe da mulher diante dela. O rosto cansado, os olhos carregando histórias que ainda não haviam sido escritas. E então, seus olhos desceram para sua barriga, onde uma nova vida se desenvolvia. Colocou uma mão ali, sentindo o calor suave sob a palma. O vestido leve mal escondia a curva discreta que começava a se formar, um lembrete físico de tudo que estava por vir.
Foi nesse instante que sentiu. Uma presença. Não um fantasma, mas uma energia doce, vibrante. Como um sopro de alegria no ar. Catherine. Kate não precisava vê-la para saber que estava ali. Podia senti-la, sua felicidade pulsando ao redor do quarto vazio. E então, ouviu. Não uma voz clara, mas um eco de emoção, um riso abafado, quase como um sussurro de aprovação vindo do tempo.
Kate fechou os olhos, deixando-se envolver por aquela sensação. Catherine estava feliz. Feliz por vê-la ali, carregando o futuro em seu ventre. Um sorriso suave curvou os lábios de Kate. Quando abriu os olhos novamente, viu-se diferente no espelho. Não apenas uma mulher cansada, mas uma mãe forte, uma futura rainha. Pela primeira vez, ela compreendia verdadeiramente o peso que carregava nos ombros.
Ser uma princesa não era apenas um título. Era uma responsabilidade imensa, uma que Catherine sempre soubera carregar com graça. Kate se deu conta, então, de que talvez fosse por isso que Catherine sempre a admirara. Porque, apesar de tudo, Kate nunca fugira de seus deveres. Ela os abraçara. E agora, com um filho crescendo dentro de si, sentia-se mais conectada à falecida Catherine do que nunca. Era como se a mãe de Christine a estivesse protegendo por todo esse tempo.
Uma nova lágrima desceu por sua bochecha, mas dessa vez, não era de tristeza. Era de compreensão.
— Você sempre esteve por perto, não é? — sussurrou, sua voz embargada pela emoção.
O quarto continuava vazio, mas Kate nunca se sentiu tão acompanhada. Agora, mais do que nunca, sabia que não estava sozinha.
Do lado de fora, Christine observava tudo em silêncio. A adolescente havia parado na porta, sem que a mãe percebesse sua presença. A cena diante dela era tão delicada, tão genuína, que ela sentiu a necessidade de capturá-la. Levantou o celular e, com um clique discreto, eternizou aquele momento. Kate, refletida no espelho, perdida em seus pensamentos, tocando a barriga como se segurasse o futuro nas mãos.
Um vento suave soprou pela janela aberta, adentrando o quarto e bagunçando os cabelos de Kate. Um arrepio percorreu sua pele, mas, dessa vez, não era de medo ou incerteza. Era como um sussurro silencioso da própria casa, da própria Catherine Waller, uma demonstração de que, finalmente, tudo havia acabado. O passado, com suas dores e segredos, havia se dissipado, deixando apenas o presente. O futuro, por sua vez, estava ali, crescendo dentro dela, esperando para ser vivido.
A imagem no espelho mudou. Kate piscou, o coração acelerando ao ver, por um breve instante, uma silhueta surgir atrás dela. O vulto se tornou nítido aos poucos, tomando forma. Catherine. Seu rosto sereno, os olhos brilhando com um carinho que transbordava através do reflexo.
— Eu sempre acreditei em você, Kate — a voz de Catherine soou suave, mas carregada de emoção. — Sempre soube que encontraria seu caminho, que teria uma nova vida. E ver você aqui... ver o que se tornou... me enche de orgulho. Pois lhe admiro como mulher e como Princesa.
Kate sentiu a garganta se fechar. O peso das palavras de Catherine era esmagador e, ao mesmo tempo, confortante. Catherine continuou, um sorriso gentil nos lábios.
— Christine está muito melhor agora. Ela tem você. Uma mãe que a ama, que a protege. Obrigada, Kate. Obrigada por tudo que fez por minha filha.
O coração de Kate se apertou, e as lágrimas finalmente caíram. Ela tentou falar, mas as palavras não vieram. Apenas assentiu, deixando a gratidão e o amor preencherem o espaço entre elas. Sentia-se tomada por uma emoção avassaladora, um misto de alívio, saudade pelos poucos minutos ao lado da mulher e felicidade. O peso de anos de incerteza, dor e dúvidas parecia se dissipar naquele instante.
Foi quando sentiu braços ao seu redor. Um abraço quente, apertado, cheio de preocupação e amor. Kate se sobressaltou levemente, apenas para se dar conta de que Christine estava ali, a segurando com força.
— Mãe... você está bem? — a voz da adolescente era hesitante, carregada de temor pelo que acabara de testemunhar.
Kate fechou os olhos por um breve momento, permitindo-se sentir o conforto da filha. Chris não precisava entender tudo. Apenas estar ali já era o suficiente. Com um suspiro profundo, Kate envolveu a filha em seus próprios braços, segurando-a tão firme quanto podia.
— Estou bem, minha querida... — murmurou contra os cabelos de Christine. — Agora, mais do que nunca.
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SMILE - Vol. 2
Rawak*Vol. 2 de A Vendedora de Livros* O sorriso nos lábios da Princesa de Gales, Kate Middleton, exaltava a liberdade de ser uma mulher comum acima da Coroa Britânica, e só existiu graças a uma adolescente de 15 anos, que mudou sua vida em 360 graus. So...
