Os dias passaram tão rápido, que agora, e quase um mês depois de tudo que aconteceu, o grande salão do palácio estava em silêncio. Os nobres, os conselheiros, e até a realeza estrangeira esperavam a resposta de Christine. Todos esperavam uma adolescente de 16 anos falar diante da proposta oficial: aceitar ser coroada Princesa do reino que tanto a amava — e que agora via nela não só uma herdeira, mas um símbolo de esperança, de renovação, assim como uma quebra de uma ideologia enraizada por anos.
Christine, de vestido sépia e olhar firme, respirou fundo. Olhou para Kate, que a observava da primeira fileira, com os olhos marejados e um sorriso sutil, contido, como se dissesse “tudo bem, seja quem você nasceu pra ser.”
Então a adolescente falou, a voz doce, mas firme:
— Eu aceito a coroa. Com honra, com respeito à minha família, à minha mãe Catherine, à minha mãe Kate… e a tudo que esse reino representa pra mim.
Aplausos suaves ecoaram. Mas ela não terminou.
Christine deu um passo à frente.
— Mas eu também quero viver minha verdade. Quero ser Princesa, sim… mas quero viver uma nova escolha. Quero estudar em Paris, caminhar pelas ruas onde Monet, Degas e Rodin sonharam. Quero pintar, criar, contar histórias com cor e alma. Quero viver o que minha tia viveu.
Quando a voz de Christine terminou, e seu discurso acabou no salão, aceitando a coroa, mas pedindo Paris em troca, o silêncio foi mais profundo do que antes.
Kate, sentada entre os membros da corte, piscou algumas vezes. O coração acelerou como se tivesse escutado errado. Ela olhou ao redor — os rostos surpresos, os murmúrios contidos — e voltou o olhar para a filha, que agora estava ali, em pé, brilhando e cheia de convicção.
Paris? Artes?
Ela se levantou devagar. O vestido longo tocando o chão como se o tempo tivesse desacelerado. Caminhou até Christine, tentando esconder o redemoinho que se formava dentro do peito.
Chris, que esperava um sorriso direto, se surpreendeu com a hesitação no rosto da mãe.
— Paris? — Kate perguntou baixinho, como se estivesse tentando entender de verdade. — Você nunca falou disso antes… Pensei que tínhamos um acordo, filha.
Christine engoliu em seco. Seu olhar ainda era firme, mas agora trazia um toque de insegurança, como quem teme decepcionar.
— Eu guardei em silêncio… porque tive medo de não estar à altura do que todos esperam. Mas a arte sempre esteve em mim. Desde que eu era pequena. Os desenhos no canto do diário, os livros de história que eu lia buscando cores, não só datas. Quero viver esse mundo que, um dia, minha mãe viveu. Quero honrar o nome dela. Quero honrar os Wallers.
Kate respirou fundo. O orgulho e o susto lutavam dentro dela.
— Você quer mesmo deixar tudo isso? Agora?
Christine segurou a mão da mãe.
— Eu não tô deixando, mãe. Eu tô levando. A coroa, a nossa história… você. Tudo vai comigo. E outra, eu não irei sumir. Estarei aqui quando sempre precisar de mim, tá bom?
Os olhos de Kate encheram-se de lágrimas. Não eram de tristeza — mas de uma dor boa, aquela que só sente quem ama profundamente.
— Você me pegou de surpresa, meu amor… mas também me lembrou da mulher que chegou até mim: livre, sonhadora e corajosa. E é exatamente isso que você está sendo agora.
Christine sorriu com os olhos brilhando.
— Posso?
Kate assentiu, puxando-a para um abraço apertado. E enquanto o salão voltava a respirar, os dois corações ali se conectavam em silêncio.
A mãe que acolhe. A filha que voa.
E assim, com o coração ainda batendo forte, Kate soltou a mão de Chris… mas nunca deixou de segurá-la por dentro.
Era fim de tarde no castelo. O céu tingido de dourado vazava pelas janelas altas da biblioteca, e William, como de costume, folheava um velho livro de filosofia sem realmente prestar atenção. A mente dele andava em outro lugar desde que notou a inquietação de Christine nos últimos dias.
O som dos passos leves ecoando entre os corredores o tirou dos pensamentos.
A jovem parou na porta, com uma pasta nas mãos e os olhos… diferentes. Menos firmes, mais suaves. Havia um pedido ali. Algo que ele nunca tinha visto vindo dela daquele jeito.
— Posso entrar?
William fechou o livro sem nem marcar a página.
— Claro. Sempre pode.
Ela entrou, sentou de frente pra ele e ficou em silêncio por alguns segundos. Depois, abriu a pasta e tirou alguns papéis, fotografias e folhas escritas a mão... vida.
— Eu não sou só uma princesa, William. — a voz dela saiu baixa, mas decidida. — Eu sou isso também. Eu sou cor. Movimento. Criação. E aprendi isso com a minha mãe.
Ele olhou as fotografias com cuidado. Viu não só talento, mas alma. E algo nele apertou.
— E você quer ir atrás disso. — não era uma pergunta.
Christine assentiu. Depois hesitou… e então falou como quem tira um peso do peito:
— Eu sempre admirei você. O jeito como você protege a Kate, como cuida da gente mesmo quando ninguém percebe. Sempre achei que não precisava te procurar, porque você já estava ali. Mas agora… eu preciso perguntar.
Ela respirou fundo, e os olhos ficaram úmidos:
— Você acha que tô fugindo? Que tô decepcionando vocês?
William sentiu o coração ser atravessado por uma flecha suave.
Se levantou, foi até ela, sentou-se ao seu lado. Não falou de imediato. Apenas pegou uma das fotografias de Kate, vendo a Princesa olhando o horizonte enquanto sorria com uma câmera fotográfica nas mãos.
— Isso aqui não é fuga. Isso aqui é coragem. Fugir seria ficar por medo de ir. Você… você tá indo por amor ao que te move. Isso é raro, Chris. Isso é lindo.
Ela sorriu, vendo nele, pela primeira vez, o pai que nunca teve.
— E você? Vai cuidar bem da minha mãe e dos meus irmãos, pai?
William sorriu. Aquele sorriso meio torto que ele dava quando se segurava pra não chorar.
— Vou! Mas assumo que estou um pouco assustado, talvez. Mas mais do que tudo… orgulhoso. De ser chamado de pai por alguém como você.
Christine encostou a cabeça no ombro dele.
— Então, posso ir? Com seu apoio e a certeza de que você não irá machucar ela novamente?
Ele a abraçou de lado, com firmeza e carinho.
— Pode. E quando a saudade aperta, lembra: teu velho pai vai estar aqui, guardando teu lugar no mundo. E esperando sua exposição de fotos cheias de Paris e de ti.
Christine sorriu em silêncio.
E naquele abraço, selaram um laço que não precisava de sangue. Só de verdade.
— Cuida dela. E não me faça te acertar com uma vassoura novamente.
— Não farei.
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SMILE - Vol. 2
אקראי*Vol. 2 de A Vendedora de Livros* O sorriso nos lábios da Princesa de Gales, Kate Middleton, exaltava a liberdade de ser uma mulher comum acima da Coroa Britânica, e só existiu graças a uma adolescente de 15 anos, que mudou sua vida em 360 graus. So...
