O céu de Londres estava especialmente azul naquela tarde de primavera, como se o universo também tivesse se alinhado para celebrar uma data tão simbólica. No Palácio de Kensington, cada detalhe da recepção parecia ter sido tirado de um conto de fadas discreto: arranjos florais em tons de lavanda e pérola, música suave ecoando nos corredores e um bolo de três camadas decorado com pequenas réplicas de livros clássicos.
Christine Waller, agora com 18 anos recém-completos, atravessava o salão central vestindo um macacão de alfaiataria creme, elegante e confortável — como ela mesma: simples, cheia de charme e dona de um sarcasmo que só Kate conseguia decifrar de imediato.
— Não acredito que vocês imprimiram meu diploma em papel que parece tecido. Isso aqui dá até dó de guardar na gaveta... — disse Christine, erguendo o rolo de papel com fita dourada, os olhos semicerrados em pura ironia.
William riu do outro lado da sala, segurando Nellie no colo, que usava um vestidinho branco com pequenas cerejas bordadas.
— Foi ideia da sua mãe. Eu queria que fosse em pergaminho egípcio, mas me vetaram.
Kate, ao lado da lareira acesa apenas por charme, ergueu uma taça de suco de maçã espumante.
— Historiadora agora, né? Vai ter que aprender a lidar com documentos importantes, querida. Inclusive os impressos em tecido caro.
Christine riu, balançando a cabeça, mas o sorriso era aberto, genuíno. Apesar de toda a ironia que carregava como escudo, seus olhos estavam marejados. Ela olhou em volta — para a mulher que a amou como mãe, para o homem que aprendeu a ser pai para ela, e para a garotinha que corria agora entre as pernas de um dos cavalheiros da guarda.
— Não sei como vocês fizeram isso... mas conseguiram. Conseguiram fazer com que esse lugar fosse minha casa.
Kate se aproximou em silêncio e a abraçou. Um abraço longo, daqueles que curam partes antigas, daqueles que dizem "eu estou aqui" mesmo quando palavras não bastam.
— Você fez isso acontecer, Chris. Nós só demos o empurrão.
William, fingindo estar com os olhos irritados por causa da luz da tarde, disfarçou um suspiro emocionado.
Nellie correu até Christine com um livrinho nas mãos.
— Tiiiiine lê?
Christine se ajoelhou, pegando a garotinha no colo. Abriu o livro, olhou para as figuras e disse:
— Era uma vez... uma princesa meio azeda, que gostava de livros, detestava queijo e fazia piada de tudo. Um dia ela se formou e virou uma historiadora muito famosa. Fim.
Kate revirou os olhos.
— Muito realista essa princesa, viu.
— Baseado em fatos reais, madame Middleton-Windsor.
E todos riram. Não havia câmeras oficiais naquele momento. Não havia multidões. Só uma família — estranhamente perfeita à sua própria maneira — celebrando o que importava: amor, conquistas e um caminho que, por mais inesperado que tivesse sido, agora era lar.
Christine ainda ria com Kate, Nellie nos braços, quando o som de passos apressados ecoou pelos corredores de mármore de Kensington. A música instrumental foi suavemente abafada por vozes jovens se aproximando, e uma criada surgiu, sorrindo largo, antes mesmo de anunciar:
— Vossa Alteza... os jovens príncipes e a princesa chegaram.
Christine piscou algumas vezes, confusa.
— Quê?
Antes que pudesse perguntar mais, a porta dupla se abriu com um rangido leve, revelando os três herdeiros — George, agora um jovem de quase 15 anos, alto, elegante e com os traços sérios de William; Charlotte, aos 13, dona de uma beleza firme e um olhar astuto; e Louis, com 11, já mais alto que a irmã, o cabelo castanho claro bagunçado e o sorriso arteiro.
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SMILE - Vol. 2
De Todo*Vol. 2 de A Vendedora de Livros* O sorriso nos lábios da Princesa de Gales, Kate Middleton, exaltava a liberdade de ser uma mulher comum acima da Coroa Britânica, e só existiu graças a uma adolescente de 15 anos, que mudou sua vida em 360 graus. So...
