Mais tarde, a casa estava mergulhada em uma calma gostosa. As luzes estavam baixas, a janela aberta deixava entrar um vento morno, e o som do milho estourando na panela enchia a cozinha com aquele estalo reconfortante.
Kate estava encostada no balcão, rindo baixinho enquanto William, com um avental engraçado de "Chef do Lar", fingia ser o mestre da pipoca.
— Você colocou sal demais, certeza... — ela provocou, com um sorriso de canto.
— Duvida da minha receita secreta? Tá mexendo com o alquimista do milho! — ele respondeu, com ar dramático, girando a panela com maestria exagerada.
Ela riu, e nesse exato momento… sentiu.
— Ai... — Kate parou, levando a mão à barriga, surpresa.
William se virou na hora, derrubando um pouco de pipoca crua no chão.
— O quê? Tá tudo bem?! — perguntou, correndo até ela.
Kate sorriu largo, os olhos brilhando de emoção.
— Ele se mexeu, William. Foi forte agora. Como se tivesse... dançando com o barulho da pipoca!
William arregalou os olhos, maravilhado. Ele ajoelhou-se rápido, encostando a mão na barriga dela.
— Dança, meu milho estourado! Papai tá aqui! — ele disse, encantado.
E o bebê se mexeu de novo. Uma onda sutil, mas intensa, sob a pele da mãe. William olhou pra cima, completamente bobo.
— Ele reconhece a minha voz! Viu? Eu falei que ia ser pai babão!
Kate acariciou o cabelo dele, rindo com a emoção embargando a voz.
— Você é muito mais do que isso. Você tá sendo tudo o que eu sempre precisei, mesmo que tudo tenha sido tão difícil.
William se levantou, puxando ela com cuidado para mais um abraço, dessa vez com o aroma de pipoca recém-pronta ao redor.
— Nosso filho vai crescer com amor até pelos estalinhos da panela. E com a Catherine vigiando tudo lá de cima... ou aqui mesmo, com a gente. Não a conheci, mas sei que a Christine, nossa filha, teve os valores adquiridos dessa mulher.
Eles ficaram ali, juntos, com o bebê se movimentando entre eles como se estivesse dizendo: “Ei, tô aqui também!” — e a cozinha, antes apenas um cômodo, agora era um templo de amor, pipoca e promessas silenciosas.
Depois da pipoca e das risadas, os dois foram para a sala, onde a luz do abajur dourava tudo com um tom suave, quase mágico. Kate se acomodou no sofá com um cobertor leve sobre as pernas, e William se encaixou ao lado dela, como se aquele fosse o lugar exato onde ele deveria estar.
Ela encostou a cabeça no ombro dele e fechou os olhos por um instante.
— Sabe o que é engraçado? — ela começou, com a voz suave. — Quando a Catherine apareceu pra mim… eu não senti medo. Foi como rever uma velha amiga.
William apertou de leve a mão dela, ouvindo com atenção.
— Ela tava calma. Me olhava com tanto carinho… e colocou a mão aqui — Kate levou a mão ao ventre — como se já conhecesse nosso bebê.
William olhou pra barriga como se pudesse ver algo além da pele. Os olhos dele estavam marejados, mas ele segurava a emoção com aquele sorriso bobo de pai babão.
— Você acha que ela vai estar por perto? Tipo… acompanhando a gente?
Kate assentiu, sorrindo.
— Eu sinto que sim. Catherine é luz. E agora, parte da gente também. Como se ela fosse a primeira guardiã do nosso filho e da nossa menina, Christine.
William não respondeu de imediato. Ele apenas se inclinou e beijou o ventre dela com toda a delicadeza do mundo.
— Ei, meu amorzinho… tua mamãe é uma fortaleza, sabia? E você já é tão amado… pela gente aqui e por quem tá do outro lado também.
Kate sorriu, com lágrimas nos olhos.
E então, como se fosse uma resposta silenciosa, o bebê se mexeu de novo. Uma onda suave, como quem dança ao som da ternura.
Eles riram juntos, e William ficou ali, com a cabeça encostada na barriga dela, como se estivesse escutando o coraçãozinho bater. A casa parecia suspensa no tempo — uma bolha de amor, memória e esperança.
E pela primeira vez em muito tempo, Kate sentiu que tudo ia ficar bem.
Do alto da escada, escondidinha entre os degraus, Christine observava em silêncio.
Kate, sua mãe do coração, estava deitada no sofá com William ao lado, e os dois riam baixinho de algo que o bebê parecia ter feito com mais uma daquelas mexidinhas. Era um momento tão simples, mas que transbordava amor de um jeito que Emily podia sentir no ar — como se o amor tivesse perfume, cor, presença.
Ela sorriu. Um daqueles sorrisos contidos, mas cheios de significado.
E então, enquanto o casal se envolvia naquele instante cheio de carinho, Christine desviou o olhar para a janela entreaberta. Uma brisa suave entrou, movimentando levemente a cortina. E naquele instante, ela soube. Não precisava ver, nem ouvir. Apenas… sentiu.
Fechou os olhos devagar, e em sua mente formou-se uma imagem: a da mãe que ela perdera. Catherine. Serena, envolta por uma luz cálida, olhando para Kate com um amor quase maternal. A mão invisível repousando sobre a barriga da mulher que agora era tudo para Christine.
Era como se Catherine dissesse: “Ela é tua mãe agora… e minha missão ainda não acabou.”
Christine levou a mão ao peito e, num sussurro que ficou preso entre o coração e os lábios, murmurou:
— Obrigada, mamãe… por cuidar dela como cuidou de mim. Por me dar uma nova chance, através dela.
E quando abriu os olhos novamente, a cortina ainda dançava com a brisa, como se Catherine tivesse tocado o mundo só por um segundo.
Lá embaixo, Kate acariciava a barriga, William beijava-lhe a testa, e Christine desceu devagar, em passos leves. Não queria interromper, só se aproximar.
Kate olhou para ela e abriu um sorriso terno.
— Vem aqui, minha flor.
a adolescente se manteve no mesmo lugar, alegando que não iria interromper e que estava ali para beber água, mas Kate estreitou os olhos, fazendo ela correr até o sofá, encaixando-se no abraço da mãe com a familiaridade de quem pertence. William envolveu as duas com o braço livre, formando aquele ninho de gente que se escolheu — carne, sangue, espírito e alma.
E ali, no calor daquele abraço, três corações batiam juntos. O quarto — pequenino, ainda em formação — já aprendia o que era ser amado.
E, em algum lugar entre este mundo e o outro, Catherine sorriu.
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SMILE - Vol. 2
Acak*Vol. 2 de A Vendedora de Livros* O sorriso nos lábios da Princesa de Gales, Kate Middleton, exaltava a liberdade de ser uma mulher comum acima da Coroa Britânica, e só existiu graças a uma adolescente de 15 anos, que mudou sua vida em 360 graus. So...
