A escuridão tomava as camadas finas de tintas recém secas no quarto, que antes era de Catherine Waller. E caminhando por ele a passos lentos e sabendo que não se veria mais um berço de bebê no canto esquerdo, um trocador de fraudas no direito, estava Christine, estendendo uma das mãos e passando a ponta dos dedos nas paredes, percebendo estarem úmidas, mas não largando a cor na pele. Era um bom sinal.
A adolescente voltou e ficou no centro daquele imenso e vazio local, onde antes tinha uma cama e guarda-roupa, livros e muitas outras coisas, apenas observando o que poderia fazer, já que sua mãe iria voltar para o Palácio e lá, o quarto do bebê seria mais do que suficiente.
Nada vinha em sua mente, que não fosse uma nova biblioteca exclusiva.
Mas para quem? Quem iria desfrutar dela?
O toque do celular da adolescente tomou o espaço, fazendo ela voltar ao mundo real e o atender. A voz do outro lado da linha, parecia falar com ela em francês e um toque de inglês, e isso era engraçado, porque a diferença de sotaque tornava tudo ainda mais engraçado.
- Moça? Se decide - ri Christine, percebendo a amiga e governanta de sua falecida tia, falando em inglês - Melhor.
- Senhorita Waller, me avisaram que está pretendendo vir para França em uma temporada? É verdade?
- Sim! - caminha lentamente até a saída do quarto - Quem avisou?
- Fernanda.
- Bom, preciso ficar alguns dias, aí.
- Precisa? Aconteceu alguma coisa?
- Muitas.
A forma como uma adolescente de apenas 16 anos falava, deixava claro que sua idade, em nada, era algo que a tornava inferior no quesito responsabilidade. E saber que ela não era uma adolescente qualquer, e que tudo o que aconteceu com Camilla, por um lado, foi 90% por causa dela, a faria pensar em não deixar rastros ou sua mãe não iria lhe perdoar nunca.
Christine se sentou no sofá, olhando para o teto, enquanto a mulher continuava falando do outro lado da linha que Fernanda havia recebido um telefone estranho, e que desde esse momento, não vai para fora da casa. Os seguranças dobraram a vigilância, mas ela não sabia o que estava acontecendo.
- Quando foi isso?
- Acredito que a dois dias atrás.
- Impossível ser a Camilla.
- Foi o que pensei.
- Qualquer coisa, não saiam até eu verificar do que ela está falando.
- Não irá falar para a sua mãe, não é?
- Não! - se levanta, ficando de costas para a porta - Ter a Fernanda ao meu lado e aí, sabendo que ela tem tudo o que eu preciso para acabar com a Camilla para sempre, é o mínimo que ela precisa fazer para se redimir e o que eu quero.
- Você quer o quê?
Christine congelou ao ouvir a voz grave de William ecoando atrás dela em um visível tom de reprovação. "Como ele entrou aqui?".
A adolescente virou lentamente, encontrando o homem com roupas, totalmente diferentes da de horas atrás. Assim como braços cruzados e olhar de reprovação.
- Você quer se vingar da Camilla? Já não basta o que aconteceu? Você quer mais?
- Preciso ir, mas qualquer coisa lhe mantenho informada.
- Boa sorte, Senhorita Waller.
William viu o momento exato em que a adolescente afastou o celular da orelha, deixando-o dentro do bolso e sorrindo, como se nada estivesse acontecendo e ele ouvisse coisas.
- De onde você tirou isso? Eu estava só falando com a amiga da falecida Clarisse.
- Você está com a Fernanda, Christine?
O homem a viu caminhando para longe, ignorando sua pergunta nitidamente.
- CHRISTINE?
A jovem parou, não porque William gritou, mas porque ele havia gritado com ela e na casa dela, como se fosse a autoridade. E por mais que Chris fosse carinhosa com todos e respeitasse muitas coisas, ela não iria admitir tal comportamento.
- Você acha que está onde?
- Não importa! - se aproxima - Como você, uma adolescente de 16 anos, conseguiu levar para a França, uma mulher acusada de tentativa de assassinato e sequestro de um membro da Realeza Britânica?
- Você deveria estar na sua casa e com a sua esposa, sabia? - ri, tentando mudar de assunto - Você nem deveria estar aqui.
- O que foi que você fez para levar ela para lá?
- Levar quem, William? - o encara confusa.
- Fernanda Petrico, irmã do seu falecido pai, e a mulher que tentou matar a Rainha e sequestrou a Princesa de Gales. - a encara - Como e por quê?
- Porque ela tem o que eu preciso para acabar com aquela velha. Só por isso.
- E você fez isso, como? Christine?
- Exatamente como você e seu bom senso está imaginando. Identidade falsa, passaporte falso e tudo falso. - o vê surpreso - Ou era isso, ou essa droga não acabava e ela estaria morta, porque a Camilla iria dar um jeito de matar ela. Era isso que você queria?
- Você não pode ter feito isso. Não você. Você não tem idade para fazer essas coisas, Christine. Quem fez isso por você?
- Não importa! - se afasta - O que importa é que a Fernanda, tem coisas que podem mandar a Camilla para a cadeia. E eu preciso delas.
- Por isso você disse que não vai ficar aqui. Você sabe o que fez, e fugir é a melhor alternativa. - ri de desdém - Você tem noção do que você fez, Chris?
- Tenho!! E se não fosse por isso tudo que eu fiz, a minha mãe não estaria voltando para a sua casa, para o seu lado, e não estaria feliz. Então, ao invés de me falar dos meus erros, agradeça!
- Agradecer?? Você sabe como a Kate vai ficar ao saber disso?
- Se você falar alguma coisa, papai, antes que eu tenha acabado com a Camilla e resolvido tudo. Você vai se ver comigo.
- Você fala da Camilla, mas está se comportando como ela.
Christine sentiu um nó na garganta. Jamais imaginou ser comparada com a mulher que mais odiava em sua vida. E isso a fez olhá-lo de forma séria e dizer:
- Saí daqui!
- Eu vou contar para a sua mãe o que você está fazendo.
- Você não se atreva! - o vê caminhando até a porta - Eu tô fazendo isso por causa dela!! Não se atreva a falar nada, William!! - percebe ele sumir - WILLIAM?? Droga!!
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SMILE - Vol. 2
Random*Vol. 2 de A Vendedora de Livros* O sorriso nos lábios da Princesa de Gales, Kate Middleton, exaltava a liberdade de ser uma mulher comum acima da Coroa Britânica, e só existiu graças a uma adolescente de 15 anos, que mudou sua vida em 360 graus. So...
