Capítulo 115

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A escuridão tomava as camadas finas de tintas recém secas no quarto, que antes era de Catherine Waller. E caminhando por ele a passos lentos e sabendo que não se veria mais um berço de bebê no canto esquerdo, um trocador de fraudas no direito, estava Christine, estendendo uma das mãos e passando a ponta dos dedos nas paredes, percebendo estarem úmidas, mas não largando a cor na pele. Era um bom sinal.

A adolescente voltou e ficou no centro daquele imenso e vazio local, onde antes tinha uma cama e guarda-roupa, livros e muitas outras coisas, apenas observando o que poderia fazer, já que sua mãe iria voltar para o Palácio e lá, o quarto do bebê seria mais do que suficiente.

Nada vinha em sua mente, que não fosse uma nova biblioteca exclusiva.
Mas para quem? Quem iria desfrutar dela?

O toque do celular da adolescente tomou o espaço, fazendo ela voltar ao mundo real e o atender. A voz do outro lado da linha, parecia falar com ela em francês e um toque de inglês, e isso era engraçado, porque a diferença de sotaque tornava tudo ainda mais engraçado.

- Moça? Se decide - ri Christine, percebendo a amiga e governanta de sua falecida tia, falando em inglês - Melhor.

- Senhorita Waller, me avisaram que está pretendendo vir para França em uma temporada? É verdade?

- Sim! - caminha lentamente até a saída do quarto - Quem avisou?

- Fernanda.

- Bom, preciso ficar alguns dias, aí.

- Precisa? Aconteceu alguma coisa?

- Muitas.

A forma como uma adolescente de apenas 16 anos falava, deixava claro que sua idade, em nada, era algo que a tornava inferior no quesito responsabilidade. E saber que ela não era uma adolescente qualquer, e que tudo o que aconteceu com Camilla, por um lado, foi 90% por causa dela, a faria pensar em não deixar rastros ou sua mãe não iria lhe perdoar nunca.

Christine se sentou no sofá, olhando para o teto, enquanto a mulher continuava falando do outro lado da linha que Fernanda havia recebido um telefone estranho, e que desde esse momento, não vai para fora da casa. Os seguranças dobraram a vigilância, mas ela não sabia o que estava acontecendo.

- Quando foi isso?

- Acredito que a dois dias atrás.

- Impossível ser a Camilla.

- Foi o que pensei.

- Qualquer coisa, não saiam até eu verificar do que ela está falando.

- Não irá falar para a sua mãe, não é?

- Não! - se levanta, ficando de costas para a porta - Ter a Fernanda ao meu lado e aí, sabendo que ela tem tudo o que eu preciso para acabar com a Camilla para sempre, é o mínimo que ela precisa fazer para se redimir e o que eu quero.

- Você quer o quê?

Christine congelou ao ouvir a voz grave de William ecoando atrás dela em um visível tom de reprovação. "Como ele entrou aqui?".

A adolescente virou lentamente, encontrando o homem com roupas, totalmente diferentes da de horas atrás. Assim como braços cruzados e olhar de reprovação.

- Você quer se vingar da Camilla? Já não basta o que aconteceu? Você quer mais?

- Preciso ir, mas qualquer coisa lhe mantenho informada.

- Boa sorte, Senhorita Waller.

William viu o momento exato em que a adolescente afastou o celular da orelha, deixando-o dentro do bolso e sorrindo, como se nada estivesse acontecendo e ele ouvisse coisas.

- De onde você tirou isso? Eu estava só falando com a amiga da falecida Clarisse.

- Você está com a Fernanda, Christine?

O homem a viu caminhando para longe, ignorando sua pergunta nitidamente.

- CHRISTINE?

A jovem parou, não porque William gritou, mas porque ele havia gritado com ela e na casa dela, como se fosse a autoridade. E por mais que Chris fosse carinhosa com todos e respeitasse muitas coisas, ela não iria admitir tal comportamento.

- Você acha que está onde?

- Não importa! - se aproxima - Como você, uma adolescente de 16 anos, conseguiu levar para a França, uma mulher acusada de tentativa de assassinato e sequestro de um membro da Realeza Britânica?

- Você deveria estar na sua casa e com a sua esposa, sabia? - ri, tentando mudar de assunto - Você nem deveria estar aqui.

- O que foi que você fez para levar ela para lá?

- Levar quem, William? - o encara confusa.

- Fernanda Petrico, irmã do seu falecido pai, e a mulher que tentou matar a Rainha e sequestrou a Princesa de Gales. - a encara - Como e por quê?

- Porque ela tem o que eu preciso para acabar com aquela velha. Só por isso.

- E você fez isso, como? Christine?

- Exatamente como você e seu bom senso está imaginando. Identidade falsa, passaporte falso e tudo falso. - o vê surpreso - Ou era isso, ou essa droga não acabava e ela estaria morta, porque a Camilla iria dar um jeito de matar ela. Era isso que você queria?

- Você não pode ter feito isso. Não você. Você não tem idade para fazer essas coisas, Christine. Quem fez isso por você?

- Não importa! - se afasta - O que importa é que a Fernanda, tem coisas que podem mandar a Camilla para a cadeia. E eu preciso delas.

- Por isso você disse que não vai ficar aqui. Você sabe o que fez, e fugir é a melhor alternativa. - ri de desdém - Você tem noção do que você fez, Chris?

- Tenho!! E se não fosse por isso tudo que eu fiz, a minha mãe não estaria voltando para a sua casa, para o seu lado, e não estaria feliz. Então, ao invés de me falar dos meus erros, agradeça!

- Agradecer?? Você sabe como a Kate vai ficar ao saber disso?

- Se você falar alguma coisa, papai, antes que eu tenha acabado com a Camilla e resolvido tudo. Você vai se ver comigo.

- Você fala da Camilla, mas está se comportando como ela.

Christine sentiu um nó na garganta. Jamais imaginou ser comparada com a mulher que mais odiava em sua vida. E isso a fez olhá-lo de forma séria e dizer:

- Saí daqui!

- Eu vou contar para a sua mãe o que você está fazendo.

- Você não se atreva! - o vê caminhando até a porta - Eu tô fazendo isso por causa dela!! Não se atreva a falar nada, William!! - percebe ele sumir - WILLIAM?? Droga!!

SMILE - Vol. 2Onde histórias criam vida. Descubra agora