""_– Por que eu deveria, Yudi? Eu estou salva aqui. Aqui dentro eu estou segura.
_– Eu sei. Mas chegará uma hora que você ficará sem comida. Você está sozinha aqui e não tem quem lhe ajude, ficará ainda mais desesperada. – ela só queria se auto convencer que estava segura, ela queria acreditar nisso. – Eu não queria lhe falar, mas eu quebrei a porta lá embaixo, será só uma questão de tempo para que eles entrem.
_– Por que demônios você quebrou a porta do prédio?
_Ela fez o que eu esperava: gritar e me xingar. Mas foi necessário mentir para ela. Eu não poderia deixá-la só.
_– Eu precisei. Eu tinha que entrar e eu não sabia se alguém atenderia o interfone e nem tinha tempo para saber se funcionava.
_– E por que não usou a chave reserva que fica de baixo da pedra no meio dos arbustos? Você sabia que havia uma. – ela realmente estava frustrada, mas o medo estava claro em seu rosto.
_– Me desculpe, Clarice. Mas não lembrei dela. – o que é a pura verdade. – Não tive tempo para pensar em outra coisa a não ser entrar. Ou queria que eu morresse lá fora procurando uma chave?
_Ela havia me olhado como se pudesse me fazer estar arrependido, mas ela não havia percebido que eu já estava. Eu não soubera mais o que poderia dizer para que ela mudasse de ideia, eu só tinha uma certeza do que poderia fazer: eu precisava sair de lá e não poderia deixá-la só.""
""_Pulando apenas um pedaço de uma história na qual eu não preciso detalhar tanto. A história é que depois de muitos pontos negativos dela ficar só, ela concordou em sair do apartamento comigo. Então eu percebera o tamanho do meu erro. Eu falhei, mais uma vez.""
""_Eu agradeci a cada degrau descido por essas criaturas serem surdas. Porque o tanto que Clarice gritou, quase a joguei escada abaixo.
_Para nossa sorte não havia nenhuma criatura em frente ao seu prédio e nem a vista pelo condomínio, e para minha sorte, Clarice não notara que eu mentira para ela em relação a porta.
_Ela tremia tanto que eu achei que ela cairia dura no chão. Toda vez que ela ouvia um som que julgava ser suspeito ela travava no mesmo lugar, o que era o maior problema dela.
_Foi então que nós ouvimos os urros. Meu único pensamento foi correr, mas tive que arrastá-la o mais rápido que eu podia para que ela não ficasse imóvel.
_Só tínhamos duas escolhas a fazer naquele momento, esquerda ou direita, um lado nos levaria em direção a um cemitério e a outra para mais ruas e um valão praticamente vazio. Ou, poderíamos subir a rua por qual eu descera antes de vir encontrá-la. Mas quando eu notara, ela já estava correndo para direita, em direção ao cemitério. Eu sei que eu errara e feio em tê-la arrastado para fora do seu único local seguro, mas ela não duraria muito tempo ali.
_Continuamos correndo e estávamos próximos da entrada principal do cemitério quando meu corpo paralisou. Ela não havia percebido.
_Tudo aconteceu tão rápido. A criatura surgiu em sua frente, ela se esbarrou na coisa sangrenta. Ela estava tão aterrorizada que nem gritar ela conseguiu.
_Eu senti o arrepio da morte.
_Por sorte de Clarice, quem estava em sua frente era Julie.
_E para o meu azar, quem aparecera fora Julie.
_Ela não deu a mínima para menina no chão. Ela só tinha um alvo, e essa alvo era eu, no caso, ainda é... Ela erguera a cabeça e farejara, ela havia sentindo o meu cheiro no ar. Seus olhos vidraram em mim.
_Clarice se levantara e correra, sem pensar duas vezes, ela passara por mim sem me ajudar.
_Então Julie fez o mesmo, mas caminhando lentamente, foi então que eu notara que ela estava ainda mais diferente, havia sangue fresco nas poucas roupas que restara e os dentes podres estavam a amostra por causa da carne deteriorada. Dos dedos pingava sangue grosso e escuro, ela não tinha mais as unhas e seu corpo tinha novas feridas abertas causada por mordidas. Ela fora atacada, o que era mais provável.""
Eu me lembro como se isso tivesse acontecido ontem, aquela mesma voz que falara na minha cabeça quando eu encontrara Julie pela primeira vez nessa forma, havia sido mais alto e forte: "se pulsa ainda está vivo. Se ainda está vivo, deve morrer!". Eu ainda não entendi o porquê dessa voz soar na minha cabeça toda vez que eu a vejo.
""_Ela caminhara em minha direção cuspindo sangue para todos os lados. Um dos seus poucos dentes caíra no chão. Parecia que ela sabia que eu estava paralisado de medo.""
Coragem, eu preciso ter coragem. Não esses surtos aleatórios, mas sim algo que seja duradouro.
""_Eu só conseguira enxergar Julie à minha frente e ouvir a voz de Clarice bem distante de mim me chamando aos berros de algum lugar.
_Preciso deixar registrado aqui, Clarice fora corajosa, ela voltara por mim e me puxara com força pelo braço depois de um belo tapa na cara. Eu só sentira as lágrimas em meus olhos. Meu corpo demorara um pouco para responder ao chamado, mas fora em tempo o suficiente para fugirmos. Certeza de que ela capturara o cheiro de Clarice assim como fizera com o meu.""
Eu preciso decidir para aonde irei quando sair daqui. Não tenho certeza se sigo a estrada ou passo por alguma delegacia por aqui próximo, é impossível que não tenha sobreviventes por aí, ou alguma colônia de pessoas. Preciso de ajuda.
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Sangue Morto
ActionOBRA REGISTRADA NA BIBLIOTECA NACIONAL (ISBN) * 29 de setembro de 2013. Foi o ano que o terror começou a andar sobre a terra. De tantos bilhões de seres humanos, apenas um parecia ter sobrevivido a uma pandemia que destruiria a raça humana. Yudi é...
