Meu coração saltou quando ouvi a voz estridente do capitão gritar.
– Acordem!
...
Ele repetiu enquanto fazia barulho com as mãos.
– Acordem!
Despertei completamente e dei um salto ainda assustado quando ele berrou pela segunda vez.
*Qual é a dele? Para quê esse escândalo? Qual é mesmo nome dele?*, Jim não sabia, eu muito menos.
Beatriz abriu os olhos e não fez a mínima questão de se levantar, Felipe e Carla se levantaram enquanto se espreguiçavam.
– Já estamos prontos para partir? – perguntou Felipe ansioso. Havia uma animação em sua voz a qual eu não vi desde que ele encontrara a caixa de munições na casa da irmã.
– Sim! Se arrumem e me encontrem na entrada...
– Onde está minha irmã? – perguntou Felipe para as costas de um homem.
Sem respostas.
*Você confia nele? ... Precisa nem me responder, sei que sim.*, Jim ria e isso me preocupou. Se eu não puder confiar em um policial que diz que nos salvará e nos levará para um lugar seguro, em quem devo confiar então?
– Confio, Jim. – sussurrei.
– Como chegaremos até esse lugar seguro? – perguntou Carla.
Felipe encarava o capitão Douglas e eu podia jurar que se fosse capaz, feriria esse homem com os olhos. Ele ainda espera respostas pela pergunta que foi ignorada.
Posso imaginar como não é ter resposta do único familiar vivo.
*Talvez eles estejam vivos... Não é como se eu soubesse, mas se eu fosse você, não esperava muito por isso...*, Jim não sorria dessa vez, mas eu podia ver seu rosto olhando para outros dois, meus pais.
– Iremos usar aquele carro ali. Ele é grande o suficiente para nós seis e para passar por cima dessas malditas coisas mortas.
– Seis?
– Claro, o motorista está nos esperando já.
– É minha irmã? – perguntou Felipe ainda mais preocupado.
Mais uma vez ele não obteve nenhuma resposta. Então ele deu a ordem para que a gente entrasse no carro. Felipe o olhava com fúria, mas ele sabia que não podia ficar ali parado fazendo qualquer pirraça.
*Ele está perdendo a cabeça aos poucos por não saber nada de sua irmã.*, sussurrou Jim baixo demais.
– Prestem atenção. Só irei falar apenas uma vez...
Eu ouvia o capitão falar ao longe, pois o carro sacolejava de um lado ao outro, como se estivéssemos em uma rua de terra toda esburacada.
– Em breve chegaremos ao fim de uma rua que está completamente fechada por barricadas e fios de metal. Obviamente o carro não poderá passar. Teremos que descer e tomar cuidado com as possíveis criaturas que poderão estar lá. É o único caminho que temos para o local seguro. Espero que vocês consigam escalar um pouquinho, pois precisarão. E precisarão ficar espero com os fios de metal, eles cortam como se fossem navalhas. Depois que saltarmos a barricada, caminharemos por mais algumas horas e pegaremos mais um transporte até o nosso destino. O destino seguro de vocês.
Depois que ele terminou de explicar, toda aquela postura de militar desapareceu.
– Como assim, "com as possíveis criaturas que poderão estar lá"? – perguntou Carla não escondendo o nervosismo.
– Eu não disse que não teria nenhuma em nosso caminho. Eu apenas disse que durante o dia, elas não são tão ativas quanto a noite. Logo desceremos. Fiquem espertos. Não arrisquem a vida a troco de nada.
*Arriscar mais do que já arriscamos?*, o que havia em minha cabeça fez Jim rir e eu tive que segurar o riso também, porque logo senti um sorriso se esboçando em meus lábios.
O capitão pareceu ter recuperado a postura.
*
Não consigo mais disparar...
– Minha munição está acabando. Essa é minha última recarga. – gritei aos ventos esperando que o Felipe ouvisse. Mas acho que ele não ouviu, porque não se deu nem o trabalho de responder.
Não acredito que tão perto da nossa salvação estamos sendo atacados.
"Se pulsa, ainda está vivo. Se ainda está vivo, deve morrer!". Mas por que estou lembrando disso agora?
O piloto que nos trouxe até aqui já desapareceu no meio das criaturas que estão nos atacando.
– Vão! Passem por essa defesa e corram por mais alguns metros. Tem mais um carro esperando lá.
O capitão gritou.
Por que o ouvi como se estivesse se aliviando de um grande peso? Pareceu estar se aliviando de sua última obrigação.
Com o canto do olho consegui ver Beatriz ajudando Carla a subir a barricada com as mochilas, ela parou antes que segurasse no fio de metal.
Felipe não se moveu, continuou atirando nas criaturas que se aproximavam. Ele parecia uma máquina programada. Ele sabia exatamente a hora certa de trocar a munição antes que ela terminasse.
Não são poucas criaturas, como Douglas nos havia advertido e estamos cercados.
*Eu sabia que não poderia confiar nele. NÃO CONFIE EM NINGUÉM, JIM. Quantas vezes eu te falei isso?*
– Ele não tem culpa dessa infeliz situação. – gritei de volta para o Jim em minha cabeça, seguro de que ninguém mais prestaria atenção no meu momento descontrolado. Eles pensariam que sou louco.
Jim não rebateu.
– Felipe, me dê cobertura enquanto recarrego minha arma.
Enquanto eu estava enrolado, com as mãos um pouco tremulas tentando recarregar, ele me deu cobertura. Assim eu esperava que estivesse fazendo, mesmo que estivesse ligado no modo máquina de tiros sem me ouvir...
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Sangue Morto
ActionOBRA REGISTRADA NA BIBLIOTECA NACIONAL (ISBN) * 29 de setembro de 2013. Foi o ano que o terror começou a andar sobre a terra. De tantos bilhões de seres humanos, apenas um parecia ter sobrevivido a uma pandemia que destruiria a raça humana. Yudi é...
