"_Ser racional ou ser ignorante com a raça humana?
_É parecido com aquela peça de Hamlet... "Ser ou não ser, eis a questão."
_Eu lembro de ter tido algo relacionado a isso na aula de filosofia na escola. E talvez hoje, eu entenda realmente o que essa frase signifique.
_Mas ainda é um talvez. E é esse o problema."
"_Quando mais cedo, enquanto Carla e Beatriz estavam na cozinha depois que a louca Beatriz me acordara, eu conseguira fugir. Felipe estava admirando o resto das balas que não conseguira guardar.
_As ruas estavam desertas e eu precisava de um ar puro longe dessas pessoas... e óbvio que longe de criaturas sedentas por sangue. A sensação do sol quente em cima da minha cabeça queimando minha pele foi revigorante.
_Novamente eu estava andando sem rumo, com medo e ansioso com o que encontraria. E claro, eu não pensara em nenhum momento se encontraria o caminho de volta...
_Eu estava cauteloso, atento a cada barulho que escutava. Mas isso não me garantia que estava preparado, e foi o que aconteceu, meu coração quase pulara para fora da minha boca quando um cachorro saíra assustado do meio de algumas latas de lixo.
_E quando percebi, eu já estava longe da casa. E eu notei isso quando a rua estreita dera lugar a uma rua larga e comprida com pequenas casas e árvores. Havia carros parados de qualquer jeito, viaturas de polícia e obviamente muitos gritos, pessoas correndo desesperadas arrastando umas as outras, e não é surpresa escrever aqui que o caos era causado por criaturas urrando perseguindo quem estava em seus caminhos.
_Eu não precisava prever o futuro para saber qual lado perderia ali... E era óbvio que eu estava do lado que perderia. Os humanos.
_As criaturas estavam avançando, os urros estrondosos, os rastros de sangue, os tiros disparados, fumaças subindo ao céu e as pessoas no meio daquilo tudo. Ou eram mortos pelas criaturas ou pelos tiros. De qualquer forma qualquer um que estivesse entre os dois eram mortos... e as criaturas ganhavam de qualquer jeito.
_Os poucos polícias corajosos que ficavam para trás e atiravam não escondiam o pavor e o tremor que percorriam seus corpos. Isso era visível. Eu sentira isso. Eu sinto.
_Algumas pessoas conseguiram abrigos com outras que permitiram a entradas em suas casas, já outras não abriram nem as portas e as deixavam morrer em frente às suas casas."
"_Até que ponto chegaria o egoísmo do homem? O medo? A coragem? Isso me lembra, minha coragem é limitada?"
"_Os tiros não surtiam efeito nenhum. Era perda de tempo e munição... sem dizer das vidas que estavam sendo mortas aleatoriamente. O medo se tornara ainda maior. Mais criaturas surgiram enquanto sangue era derramado pelo asfalto. Gritos assustados e urros se uniram em um som só.
_Talvez vocês até se perguntem o porquê eu ainda permaneci lá no meio do caos. A resposta é simples. Minhas pernas não me obedeceram. Eu estava travado naquele lugar. Paralisado por algum medo.
_E mais uma vez eu fora traído por uma escolha. Eu havia visto uma garotinha tendo o abrigo negado por muitos outros que já estavam a salvos. Aquele cachorro que me assustara correra por mim, ele correra entre as criaturas latindo sem medo. O que eu não entendera o porquê de escolher correr no meio daquele caos. Certeza de que ele não estava vendo aquilo como brincadeira.
_A menina era atrapalhada ao correr de casa em casa, ela tropeçara em suas pernas diversas vezes. O medo em seu rosto era amedrontador. Seus gritos me causavam algo. Eu pude sentir o meu corpo vibrar, o que me fez acordar de todo aquela paralisação.
_Acho que o cachorro era dela, porque ele a seguia, latindo sem medo para as criaturas que o ignorava. Eu queria muito ter dado meia volta e voltar para casa em segurança. Mas não, eu simplesmente avançara em direção a garota. Que para deixar aqui registrado, eu quase perdera um braço quando uma criatura me agarra pelo pulso, eu nem o vira se aproximar.
_Mas há uma coisa de bom nessas criaturas, muitas delas parecem ser egoístas entre elas mesmo. Eu fora salvo por uma das criaturas que não queria dividir o meu sangue com a que me capturara. Eu conseguira fugir, com apenas uma dor absurda no ombro e um pulso inchado.
_Depois de ter fugido de criaturas sedentas por sangue, corrido por carros e pessoas despedaçadas no chão e claramente ter escapado com vida sem um furo de bala, eu quase fora mordido por um cachorro vira-lata defensor. Mas dessa vez eu fora salvo pela garotinha.
_Então agachei de costas e ela entendeu. Quando eu sentira que ela estava segurando com força, eu mordi os lábios com força por causa da dor no ombro e correra. Eu deveria ter voltado pelo caminho que fizera, mas segui na direção em que todos haviam fugido.
_Mas enquanto eu tentava correr e mantê-la nas minhas costas, o cachorro nos seguira, latindo como louco e sem medo..."
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Sangue Morto
ActionOBRA REGISTRADA NA BIBLIOTECA NACIONAL (ISBN) * 29 de setembro de 2013. Foi o ano que o terror começou a andar sobre a terra. De tantos bilhões de seres humanos, apenas um parecia ter sobrevivido a uma pandemia que destruiria a raça humana. Yudi é...
