Estamos perdidos - part.2

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     – Mas só temos conhecimento daquela rua que estava bloqueada. E espero que permaneça.
     Falei enquanto tentava respirar. 
     – Não seja pessimista, garoto.
     Carla me repreendeu entre arfadas. Estava exausta demais para dizer algo a mais.
     – Parem de gastar energias falando e corram. Apenas corram. 
     Felipe nos repreendeu.
     Eu consegui sorrir com a volta dele. Era o que parecia. Ele parecia estar de volta.
     Meu coração gelou e eu parei de correi. Olhei para trás, atento aos mínimos sons. Minhas pernas estavam bambas. POR QUÊ? O QUE FOI AQUILO QUE EU OUVI?
     – Jim, você está bem? Não pare se não vai ficar para trás. – ouvi Beatriz gritar.
     Disparei à frente e a alcancei, até porque nenhum deles pararam para me esperar.
     Mas agora meu peito queimava. Precisava de ar.
     – Vocês ouviram isso? – perguntei. – Ouviram?
     – O quê? – perguntou Carla. – Não ouvi nada.
     – Nem eu. – respondeu Beatriz.
     Felipe me olhou sobre os ombros, mas não disse nada.


     "Tenho certeza que não é da minha cabeça. Eu ouvi alguma coisa. Será que eles conseguiram passar pelas defesas? NÃO! NÃO PODEM TER PASSADO.
     – Mas eram muitos.
     Eu sei. Mas eles não conseguiram passar pela defesa. Não conseguirão.
     
– Ou eles passaram ou você está ouvindo coisas, Jim."


     – Pode ser da sua cabeça. – disse Carla. – Estamos cansados tanto fisicamente como mentalmente. É isso. Tente relaxar enquanto corre. Okay?
      – Isso. Ouça a Carla. Nós estamos seguros aqui. Okay?! Só precisamos encontrar o tal lugar e estaremos salvos para sempre. Não pire agora. 
     Disse Beatriz entre arfadas, mas eu pude sentir que ela mesmo não acreditava no que dissera.
     Felipe não falou nada e aquilo começou a me preocupar novamente, ou ele ouvira ou ele apenas está voltando a ser como antes, só liderando do jeito mais prático e rápido.
     – Precisamos parar. – Carla respirava com dificuldades. – Por favor. Já está anoitecendo. Já viramos mais de 8 ruas e acho que já passamos por aqui.
     O tanto que ela suava me incomodava. Eu podia ouvir o coração dela disparado pedindo por descanso. 
     – Isso parece um labirinto. – resmungou Beatriz apoiando-se em mim enquanto tentava inserir o máximos de ar nos pulmões. – Por favor Felipe. Estamos perdidos. Deveríamos ter seguido reto desde o começo.
     Ou direita. Talvez.
     – Melhor descansarmos mesmo. – disse Felipe. – Podemos parar em qualquer casa. Essa área é segura.
     – No momento é.
     Retruquei. Ainda acho que algo aconteceu naquela barricada.
     – Podemos descansar ali? – apontou Carla para o alto. – Ali poderemos ter uma boa visão do local e pensando no pior, poderíamos fugir por trás. Já sabemos que eles são péssimos em agilidade. Vai ser um show ver eles tentarem subir essa escadaria.
     Ela apontara para uma enorme escadaria enquanto falhava em rir. No topo não dava para ser ver o que tinha.
     E Beatriz tinha razão, isso parece um labirinto de ruas.
     É a primeira vez que me deparo com ruas assim. É uma boa estratégia. Mas subir essas escadas vai ser um desafio.

     Esse é o vigésimo degrau. Já não aguento mais subir. Beatriz está suando logo atrás de mim segurando em minha blusa. É, além de ter que subir tenho que puxá-la.
     Trigésimo sexto, estou sentado descansando e Beatriz está morta. Felipe e Carla estão muito na nossa frente, e sei que um deles irá desmaiar em breve, porque o tanto de suor que tinha nos degraus formavam uma trilha.
     Tenho certeza que os dois querem se mostrar fortes. Felipe por sua irmã e Carla por Felipe. 
     
Por que estou contando os degraus? Perda de tempo e energia.
     Felipe e Carla já chegaram ao topo e estão sentados nos esperando. Eu acho. Ainda estou no mesmo lugar com a Beatriz. A lua já está no céu e pulsa com um brilho que eu já não lembrava que ela tinha.

...

Sangue MortoHistórias para pegar e não largar. Descubra agora