PARTE II - EM SEGURANÇA E EM PAZ - part.2 [ATUALIZADO]

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     Preciso apressar os passos. Essa última carta que escrevi aconteceu há uns sete dias e tenho tantas coisas para escrever ainda. Mas hoje eu não tenho noção do que eu poderia fazer, eu só quero ficar tranquilo e sossegado por mais um tempo. Agora eu posso sentir isso novamente e quero aproveitar.
     Meu corpo está implorando para voltar para cama dura e descansar mais um pouco. E é só isso que quero. Eu nem deveria pensar nisso agora, mas se não fizer agora, não sei quando será a próxima vez que conseguirei.
     Amanhã será um novo dia e então eu decido o que será feito.

*

     Não imaginei que seria tão complicado acordar. O sol está amanhecendo. Significa que eu pedir um dia inteiro e sinceramente não me arrependo. Eu precisava disso.
     Comer. Tomar banho. Escrever. Esse é o plano para hoje. Amanhã iriei embora, por mais que eu me sinta seguro aqui não posso ficar. Aqui não é completamente seguro e eu não conheço nada por aqui. Se por aqui também está deserto, como por onde eu morava, então aqui também não é tão seguro.
     *Você fez certo em pensar desse jeito.*, Sussurra o outro na minha cabeça. A voz dele está tão baixa que mal o ouço.

""_Eu não fazia a mínima ideia de onde eu estava. Parecia uma cidade nova para mim, só que deserta. O dia havia sido bom porque eu não esbarrara com nenhuma criatura.
_Tirando todo o sangue e a destruição ao redor, a única coisa que estava em pé, era um posto de gasolina, e como sempre tem pequenas lojas de conveniências, resolvi me aproximar. ERROR. Tenho gravado na minha cabeça até hoje a cena do frentista morto em meio ao próprio sangue com a cara dilacerada por mordidas, obviamente estava morto. Eu não deveria ter olhado tanto para aquela cena, mas vi que suas pernas eram as únicas coisas intactas, porque a mão esquerda fora arrancada com osso e tudo. O cheiro de gasolina que vazava da mangueira da bomba era forte demais e fez com que minhas narinas ardessem demais.
_Minha cabeça doía demais e eu tive uma sensação de que ela iria explodir. Não explodiu...
_A pequena loja no fundo do posto era só destruição, como tudo aquilo aconteceu eu não faço a mínima ideia, mas havia sangue em tudo que era parede, até no teto. Não encontrei sequer um remédio que pudesse me ajudar naquela hora. Com pressa, eu pegara uma garrafa de água de um frigobar ao lado da entrada e saíra. Nem fizera questão de procurar o que precisava.
_Eu já havia notado quando chegara ali, então resolvi arriscar. Foi idiotice minha, mesmo sabendo que precisava fugir dali. Mas a moto estava largada e com a chave, por que não tentar? Tudo bem que não sei andar de moto, mas já havia assistido filmes suficientes para saber como funcionava.
_Eu subira na moto, senti o banco e a marcha toda oleosa, girei a chave, levantei o apoio de descanso e dei partida lentamente. Por uns 30 segundos eu até consegui, mas perdi o equilíbrio e caí. Sem ferimentos. Tentei novamente. Depois de 3 vezes eu conseguira andar sem tremer. Por mais que eu estivesse indo devagar, eu conseguira. O sol que fazia naquele dia não me ajudava muito com aquela famosa brisa na cara que sempre rola nos filmes. Bem tudo naquele momento estava ótimo e calmo, mesmo eu indo por um caminho que não fazia ideia para aonde me levaria, até que 1 hora depois a gasolina pareceu acabar.
_Eu sei, nem digam, eu deveria ter visto o quanto de gasolina restava no tanque...""

Sangue MortoHistórias para pegar e não largar. Descubra agora