Mocinho ou vilão? - part.2

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     – Olá. Nós não somos inimigos e não queremos causar uma briga, – Carla deu um passo à frente. – tudo bem? Achamos que essa casa estava abandonada. Não encontramos nada então ficamos aqui.
     – E quem são vocês? – repetiu o homem. – É uma pergunta simples, não sabem responder.
     – Meu nome é Carla. Essa é minha irmã Beatriz, esse é meu namorado Felipe – ela apontava, cuidadosamente, sem tirar os olhos do homem. – e aquele é o namorado da minha irmã, Jim. 
     NAMORADO? OI? QUANDO ISSO FOI ESTABELECIDO?? Mas era de supor, estava conectado com Beatriz sem termos feito um pedido. Talvez Carla estivesse certa. Beatriz corou e eu pude sentir o meu rosto esquentar, o meu corpo esquentar.
     – E quem é você?  perguntou Felipe sentando-se no sofá. – Consegue nos responder? É uma pergunta simples, não? 
     Ele parecia maluco desafiando o homem daquele jeito. Eu o queria do jeito que o conheci, mas não desse jeito suicida dele.
     – Meu nome é Francisco. Estou morando aqui há dois dias. Estava explorando um pouco mais esse lugar.
     – Acabamos de chegar. Estávamos procurando o tal local seguro que nos falaram. – disse Carla. – Mas fomos atacados de repente lá naquela barricada e os policiais que nos trouxeram foram mortos.
     – Então existe realmente um lugar seguro? – o homem perguntou, aproximando-se a cada passo. – Achei que era o fim. Estamos seguros graças a essas barricadas, mas eu não confiaria nelas...
     – Por quê?
     Felipe perguntou, o olhava curioso. Sentei-me no sofá, o mais longe possível do homem. Beatriz aproximou-se e se sentou do meu lado e Carla ao lado de seu namorado.
     – Uma coisa óbvia. Não sejam ingênuos quanto a essas criaturas. Ainda mais sobre o barulho de hoje.
     Ele também ouviu.
     – Que barulho? – Felipe me encarou pelo canto do olho. – Não ouvimos nada.
     Meu corpo relaxou imediatamente. Ele não dirá que eu também ouvi.
     – Sério? Tem que ser surdo para não ter ouvido. Aposto que eles conseguiram ultrapassar aquelas coisas.
     – Você não tem medo?
     Carla perguntou.
     – Medo? – o sorriso daquele homem me gelou. – O que é ter medo? Você sabe me dizer? Olha, já que estamos no mesmo barco, então posso contar um segredo meu. Eu sou professor de kendo e eu tenho um enorme prazer em matar pessoas.
     Ele riu.
     E eu senti ainda mais frio. Senti Beatriz gelar do meu lado. Carla deve ter sentido o mesmo porque ela perdera a cor. Felipe permaneceu estável. O que tem de errado com esse cara? Quem é ele? Estamos em perigo!
     – Mas kendo não se usa espada de madeira? – perguntou Felipe destravando a arma. – Isso na sua mão não parece madeira.
     ESSE GAROTO FICOU MALUCO. ELE VAI MATAR NÓS TODOS.
     – Exatamente. Mas o que me impede de usar uma de verdade? Não estou dando aula, esses dias de professores estão terminados. 
     Felipe se levantou e ergueu a arma para o homem. ELE REALMENTE VAI FAZER TODOS NÓS MORRERMOS. ESSE GAROTO PERDEU A CABEÇA.
     – O que você quer? – ele perguntou. – O que realmente você quer?
     – Com vocês? – o homem riu. – Nada. Mas confesso que tive uma vontade de matar todos vocês quando cheguei. Mas vocês sabem um caminho seguro e eu quero viver. Preciso de vocês.
     Ele não é confiável. Felipe por favor, não seja estúpido. Não acredite nele.
     – Nós não sabemos o caminho.
     Foi Carla que disse. O QUE FOI QUE DEU NESSA GAROTA? ELES VÃO FAZER TODOS NÓS MORRERMOS.


     " 
– Mas por que não usá-lo? Por que não o enganar e se aproveitar dele?
     Péssima hora para minha consciência querer tomar vida. Deveria para de conversar sozinho."

     – Nós não devemos confiar nele. – achei que minha voz não sairia. – É melhor irmos embora daqui.
     POR FAVOR.
     – Não tenho mais interesse em matar vocês. Podem ficar, mas terão que me levar para o local seguro com vocês. Podem confiar, como um professor de arte marcial, origem japonesa, não posso quebrar minhas palavras. 
     Ele deu mais uma risadinha. Então sentou-se no canto do cômodo encostado na parede.

...

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