– Deveríamos decidir se confiamos nele ou não. Acho melhor sairmos. Podemos nos virar sozinho. Nos viramos muito bem até agora.
Eu disse, com esperança que eles fossem me apoiar.
– Vamos decidir então. – disse Felipe aproximando-se de mim. – O que será?
– Eu voto para ele vir com a gente. – disse Beatriz. – Ele tem uma espada. Não tem medo. Além disso ele sabe lutar. Podemos usá-lo para ganhar tempo e nos mantermos vivo. – ela sussurrou.
– Concordo com minha irmã. Ele saber lutar é um diferencial enorme, vai poder se defender e nos dar tempo caso precisemos. Quem sabe até nos salvar.
– Não acho boa ideia. – comecei. – Ele é maluco. Ouviram o que ele disse? Ele tem prazer em matar pessoas. Nós somos pessoas. Ele vai nos matar uma hora ou outra.
Ele parece estar concentrado sentado lá no canto, com os olhos fechados eu imaginei o que ele poderia estar passando pela cabeça dele. 1001 maneira de como esquartejar alguém usando uma espada.
Felipe riu baixinho. Até parece que havia escutado meus pensamentos.
– Ele virá com a gente. – ele dizia baixo. – Nós usaremos ele para a nossa salvação. Ele adora matar pessoas. Aquelas criaturas lá fora já foram pessoas, é a mesma coisa para ele, é o que acho. Tem muitas delas para ele degolar. Podemos nos manter a salvo até o local seguro.
– Não acho boa ideia. É maluquice. Vamos sair daqui. – pedi. – Por favor.
– Para de ser covarde, Jim. – Beatriz me cutucou. – Ele não fará nada. Caso tente, Felipe irá mata-lo com a arma.
Não levei fé. Ele pode ser muito mais rápido do que Felipe, e acho que é.
– Você pode vir com a gente. – disse Felipe virando-se para o homem. – Nós iremos procurar o caminho para o lugar seguro juntos.
Ele abriu os olhos e nos encarou. Estava tramando algo. Dava para sentir isso. Como eles não percebiam.
– Tudo bem. – ele respondeu com um sorriso frio. – Vocês deveriam dormir. Amanhã partiremos cedo, né?
– Sim.
Felipe concordou.
DORMIR? ELE ESTÁ JOGANDO NA CARA QUE NOS MATARÁ. COMO CONSEGUEM PENSAR EM DORMIR?
– Para de pensar besteira. Isso é tudo fruto da sua cabeça. – disse Beatriz. – Vamos dormir. Amanhã será um dia longo e cansativo. Boa noite. – e me deu um beijo na bochecha.
Que horas são? Deve ser meia noite. Francisco continua sentado no canto, acho que ele dormiu. Felipe está roncando no sofá perto dele. Carla está deitada no sofá do meio, dormindo profundamente. Beatriz dormiu no meu colo. E eu, óbvio, estou observando ele desde então. Não posso ceder ao sono e não acordar ao amanhecer. Vou vigiar todos eles.
Meus olhos estão se adequando a escuridão cada vez mais. Que horas são? Acho que são uma hora da madrugada. Felipe ainda está roncando. Carla parece uma pedra, não se moveu um centímetro até agora. Beatriz ainda dorme no meu colo. Francisco, o assassino ainda não se moveu. Tenho certeza que ele não consegue enxergar meu rosto perfeitamente. Ele só pode está fingindo estar dormindo. Não é coisa da minha cabeça.
Sono. Péssima hora para ter sono. Não irei ceder. Não posso. Preciso ter força de vontade para me manter acordado e muita coragem para enfrentar esse maluco quando ele se rebelar.
Que horas são? Já deve ser duas da madrugada. Só ouço os roncos irregulares do Felipe, o coaxar dos sapos lá fora e o cricrilar dos grilos. Carla está quase caindo do sofá e Beatriz está deixando minhas pernas dormente. Preciso levantar, mas isso irá acordá-la. Francisco tossiu e voltou a ficar imóvel. Sabia, eu sabia, ele está esperando a oportunidade perfeita para nos massacrar. Ele está acordado.
O sono está mais forte, meus olhos estão pesando, mas eu não posso dormir. Não agora.
Os grilos e os sapos pararam. Deve ser mais do que três horas. Tenho que levantar devagar para não acordar Beatriz. Não sinto minhas pernas, mas não posso andar pelo cômodo para circular o sangue, irei acordar alguém e tenho certeza que será Francisco que acordará. Felipe me assusta com esses roncos desesperados dele assim do nada, me deixa preocupado. Carla se ajeitou no sofá. Francisco enquanto isso se mantém imóvel. Tenho que agradecer por ter ótimos olhos, está um breu só, mas meus olhos acostumaram-se perfeitamente, consigo ver tudo.
Sentei-me na poltrona e o encarei. Quem ele engana?
O sono está pesando com mais força. Minha cabeça está bamba e o sono quer me vencer. Não posso deixar.
Isso não é fruto da minha cabeça. Não pode. Ele é louco. Sei disso. Ele mesmo confirmou isso.
"– Você precisa dormir. "
Eu não queria e sei que não podia, mas com mais força do que eu, o sono me acertou e eu adormeci sem ao menos me dar chances de tentar lutar.
*
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Sangue Morto
ActionOBRA REGISTRADA NA BIBLIOTECA NACIONAL (ISBN) * 29 de setembro de 2013. Foi o ano que o terror começou a andar sobre a terra. De tantos bilhões de seres humanos, apenas um parecia ter sobrevivido a uma pandemia que destruiria a raça humana. Yudi é...
