PARTE III - FAÇO UMA PROMESSA [ATUALIZADO]

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     – Bom dia.
     Disse Beatriz sentada na cama.
     – Oi. – respondi com a voz cheia de sono. – Dormiu bem?
     – Sim, aparentemente sim. E você?
     Ela me olhou de um jeito terno.
     – Dormi sim.
     – Então é melhor você descer e tomar seu café. Logo vamos embora.
     Eu sorri para ela. Ela se levantou, me deu um beijo e saiu do quarto.

     – Bom dia.
     Disse Carla.
     Felipe me cumprimentou com a cabeça. Sentei-me e comi o ovo que ela havia feito. O que eu achara pouco, para o tanto que havia na geladeira. Mas não reclamei.
     – E o que faremos agora?
     Perguntei entre garfadas.
     – Vamos ir para a delegacia, já é óbvio. Já deveríamos estar lá. Não podemos mais perder tempo.
     Felipe respondeu.
     – Planos?
     O olhei e ele balançou a cabeça negativamente.
     – Não adianta formamos um plano se na hora tivermos que mudar, e eu sou péssimo para bolar planos. Precisamos apenas seguir.
     Concordei. Era melhor.
     – Como está o braço e a perna?
     Perguntou-me Carla, sentando-se ao lado de Felipe.
     – Estão bem. Minha perna já está sarada, só precisava descansá-la. Já o braço não dói muito, consigo movê-lo sem dor. Mas ele ainda está inchado.
     – E ficará por mais alguns dias. Só não faça muito esforço... – ela relembrou.
     Beatriz segurou um riso. Senti meu rosto esquentar.
     – E isso me lembra uma coisa. Se você se acha especial, não pense alto, você não é! Então dá próxima vez, não deixe alguém morrer no seu lugar, não seja covarde.
     Realmente, não esperei ouvir essas palavras e elas me acertaram mais forte do que eu poderia imaginar. Acho que eu poderia ouvir de todos, mas não do Felipe, acho que por ele também ser homem. Mas isso foi algo que eu deveria esperar, já que na última noite ele me ignorara quando eu dissera o que aconteceu.
     – Não deixarei. Prometo.
     *Não prometa o que você não pode cumprir!*, me alertou Jim. *Você não deve morrer, você sabe disso.*
     – Mas uma coisa, sei que você escreve as coisas que aconteceram, eu acabei que li algumas folhas ontem quando você perambulava por aí. E da próxima vez que você desejar morrer por estar difícil a vida, peça para mim.
     Ele piscou, e aquilo me gelou.
     – Não seja tão duro com ele. Ele é só um garoto. Tenho certeza de que ele aprenderá...
     Disse Carla, bondosa desde o dia que eu a conhecera. Parece que esse mundo não a incomoda nem um pouco.
     – Pode deixar. Desculpe. Não se preocupe, não vai se repetir.
     – Como você está?
     Beatriz debruçou-se sobre mim e me deu um beijo na bochecha. Felipe e Carla me olharam meio espantados.
     – Ficarei bem.
     Sorri.
     – Querem explicar?
     Carla me olhava meio apreensiva.
     – Estamos namorando.
     Respondeu Beatriz. Mas eu não lembro de tê-la pedido, mas eu me senti bem, senti outro tipo de calor esquentando meu rosto, e não era vergonha.

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