Ponto de vista do Kev
"Eu amo-te, Sugar. Nunca pensei alguma vez dizer isto a alguém, mas eu amo-te, e a partir de hoje, por muito que me rejeites, eu só vou dar-te o melhor de mim." Surpreendi-me a mim próprio por dizer isto, mas é a mais pura das verdades. Ela olhou-me com um desprezo cortante.
"O melhor de ti continua a ser mau. Se não te importar, vai-te embora." Foda-se, isto dói!
"Ok... cuida-te..." Eu saí do quarto e ela ficou lá.
Há muito tempo que não me sentia tão frustrado com tudo. Eu não choro por merdas destas! Eu não choro por levar com os pés... eu só choro por problemas reais. Isto não é um problema real! No entanto não consigo evitar. Saio do prédio, com os punhos fechados a fazer uma força inacreditável para não dar um murro na primeira coisa que me apareça à frente.
Eu sei que já estou sóbrio há muito tempo, e que não devia voltar aos maus velhos hábitos, mas neste momento a única coisa que eu quero é chegar a casa para poder fumar um, deitado na minha cama e esquecer-me que o mundo existe, ou que ela existe... Sem bem que por esta altura, para mim, não existe grande diferença entre ela e o mundo. Para ajudar à festa começou a chover, pus o gorro do casaco e comecei a andar mais rápido, com a cabeça completamente perdida. Sem saber se devo continuar a andar para ir para casa, ou se devo dar meia volta e voltar para casa dela, bater àquela maldita porta até ela se fartar de me ouvir a for abrir, e de alguma forma convencê-la a desculpar-me...
Acabei de atravessar a estrada para o lado da estação, mas porra! Eu nunca desisto de nada, porque é que estou a desistir dela? Inverti o meu caminho demasiado rápido e quando dei por mim estava no meio da estrada, vi a luz de uns faróis a vir do lado esquerdo e nem tive tempo de reagir. Apenas ouvi os pneus a derrapar na estrada molhada e depois mais nada...
Ponto de vista da Nat
~*~ 1 dia depois ~*~
Aqui estou eu, mais uma vez sentada no maldito sofá de minha casa, a comer porcarias para o jantar. Estou especialmente irritada esta noite, a minha mãe acabou de me ligar a informar que vamos passar o Natal e o ano novo ao Havai... eu, ela e o meu pai, como a família feliz que nunca fomos. O telemóvel tocou novamente... juro por deus que se for a minha mãe outra vez eu não vou atender. Olhei para o ecrã, mas é um número que não conheço.
"Estou?"
"Estou? Estou a falar com a Nathalie?" Esta voz não me soa estranha.
"Sim, sou eu. E você é...?"
"Sou o Martin. O Kev está contigo?"
"Não, porquê?"
"Quando foi a última vez que falaste com ele?"
"Ele esteve aqui em casa ontem à noite, saiu mais ou menos por esta hora, mas porquê? O que é que aconteceu?"
"Nós não sabemos dele. Ele não vem a casa desde ontem à noite, não responde às mensagens, quando ligamos vais diretamente para o voice mail." O meu coração começou a apertar. "Já passei na loja e o patrão dele disse que ele não apareceu no trabalho hoje, também não está no bar do Ray, nem esteve nas últimas 24 horas. Eu procurei por todo o lado, mas parece que ninguém sabe nada dele desde ontem à noite." Quando acabou de falar já soluçava e posso ouvir o Rick e a Jules também a chorar.
"Ouve, tentar manter as coisas calmas por aí, ok? Tu és o responsável agora. Bebe um copo de água com açucar, pára de chorar, recompõe-te, está bem? Tu tens de acalmar os teus irmãos e fazer com que eles parem de chorar também. Não entrem em pânico. Eu vou fazer o que puder para o encontrar... nós ficamos em contacto está bem? Eu vou ligando para ti, se ele entretanto chegar a casa liga-me. Se ainda não o tivermos encontrado até à meia-noite eu vou para aí ficar com vocês, ok?"
"Ok..." Respondeu, com voz de choro.
"Acalmem-se todos. Eu ligo daqui a bocado." Desliguei a chamada.
Fui buscar o computador, e recolhi todos os números de todas as esquadras das redondezas e de todos os hospitais... e por incrível que possa parecer eu estou a torcer para me dizerem que ele está numa das esquadras detido. Liguei para cada uma delas, cansei-me de dizer a frase "Estou, boa noite. Eu gostaria de saber se está alguém detido com o nome de Kevin Lucas Turner se for possível, por favor." E a resposta foi não em todas as 23 esquadras para onde liguei. Agora restam-me os hospitais e a frase repete-se: "Estou, boa noite, eu gostaria de saber se alguém com o nome de Kevin Lucas Turner deu entrada entre ontem à noite e agora, por favor." Já vou a mais de meio da minha lista de hospitais e ele não está nem esteve em nenhum deles... marquei o próximo número e cá vamos nós outra vez.
"Estou, boa noite, eu gostaria de saber se alguém com o nome de Kevin Lucas Turner deu entrada entre ontem à noite e agora, por favor."
"Boa noite, poderia repetir o nome, por favor?"
"Kevin Lucas Turner."
"Kevin com K?" Não burra... com W. É claro que é com K.
"Sim, com K."
"Sim, eu estou a encontrar o nome dele nos nossos registos, ele deu entrada ontem, às 23:46 nas urgências do hospital e continua internado. No relatório entregue pelos paramédicos que fizeram a sua assistência no local o paciente terá sofrido um atropelamento." Nunca fiquei tão feliz e tão desesperada ao mesmo tempo. O meu coração está completamente descompassado.
"E pode dizer-me qual é o estado dele agora?"
"Não tenho essa informação, mas o paciente deu entrada inconsciente, no relatório paramédicos consideram a possibilidade de fratura na coluna ou possiveís danos a nível cerebral pois existe sinal de impacto no crânio."
"Ok, obrigada. Boa noite."
Desliguei. E desmoronei nesse exato segundo. Permaneci calma ao telefone, mas apenas quando desliguei consegui assimilar tudo o que ela disse e entrei em choque... Ela é daquelas pessoas que nós não estamos preparados por ver numa situação de vulnerabilidade ao ponto de estar inconsciente... E ele foi atropelado quando estava a ir de minha casa para casa dele... eu posso nunca mais poder falar com ele e a última coisa que lhe disse foi que o seu melhor continua a ser mau. Porque é que eu falei assim com ele? Eu não devia... Ele tinha acabado de dizer que me ama, meu Deus! O que é que me passou pela cabeça para tratá-lo daquela maneira. Porra! Ele disse que achava que quando me abraçava eu sabia o quanto ele gostava de mim e eu sei... eu sei mesmo. Quando ele me abraça todas as incertezas desaparecem... e posso nunca mais sentir o seu abraço. Ele pode ficar com danos cerebrais... ele pode não se lembrar mais de mim, ou dos irmãos sequer. Ele pode ter a coluna fraturada e nunca mais andar, ou nunca mais se mexer de todo... Ele pode deixar de ser o Kevin que todos conhecemos, ele pode deixar de ter capacidades de cuidar dos irmãos e ainda precisar que alguém cuide dele... se isso acontecer todos os irmãos vão para uma instituição... e quem sabe ele também. Por esta altura eu estou a soluçar agarrada a uma almofada do sofá que já tem uma enorme mancha molhada. Eu fui tão injusta com ele... eu nem devia tê-lo deixado sair daqui! Eu devia ter derretido por dentro quando ele disse que me ama... e a verdade é que derreti mesmo, mas por alguma razão que desconheço achei que seria boa ideia magoá-lo bem lá no fundo e rejeitá-lo... outra vez, mal eu sabia que aquela poderia ser a minha última oportunidade de o amar... Posso ter perdido a nossa última oportunidade.
Hey babes <3 Como assim? O que é que aconteceu ao Kev? :O
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Kiss <3
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Rule Breakers
Romance- Ele: Kevin Lucas Turner, apenas Kev para os amigos, e apenas Turner para quem não o conhece. Muitos fazem trocadilhos com o seu apelido - Turner: Para as miúdas do bairro "Such a TURN on"; para os professores "TURNS everything into trouble" ; em c...
