"Maldição"

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Ele deitou-se na maca, com um meio sorriso no rosto. Não me parece nervoso... que razões teria ele para ficar nervosa? Já fez isto uma quase meia dúzia de vezes. Quando a agulha tocou a sua pele nem parece ter sentido nada. Continuou a segurar na ponta dos meus dedos, sem exercer nenhuma força, com se uma agulha embebida em tinta a romper a sua pele não passasse de uma pequena e agradável carícia. 

Não demorou para que a tatuagem ficasse pronta, e eu não vi a minha no espelho até que a dele ficasse pronta também. Quando se levantou da maca, ambos fomos até ao espelho, ficámos frente a frente. Ao ler continuamente as nossas tatugens não pude evitar soltar uma risada. 

"Eu gosto..." Acabei por comentar.

"Eu adoro..." Ele confirmou. "Hey, Sugar..." Olhou para mim, com o sorriso torto de quem está prestes a tramar alguma. "Assina o meu rabo."

"Han?" Esbugalhei os olhos, sem ter a certeza de que tinha ouvido o que tinha ouvido. 

"Assina-me o rabo." Repetiu, tão confiante e entusiasmado como da última vez.

"Eu não sei tatuar, Spice..." 

"Não é difícil... nem precisas de stencil. Apenas escreve SUGAR."

"Não..." Abanei a cabeça negativamente.

"Sim... anda lá! Vai ser giro!"

"Bem... ok. Se é isso que tu queres."

Voltou para a maca, baixou um pouco as calças. O tatuador explicou-me como usar a máquina. E eu com as mãos a tremer escrevi as letras uma a uma, e cada uma me parecia mais torta que a anterior.

Finalmente, agradecemos. Saímos e regressámos a casa. Subimos as escadas, ainda meio cambaleantes, e deixámo-nos cair sobre a cama... isso é a última coisa que me lembro.

~*~

Acordámos com os primeiros raios de sol a entrar pela janela que tinhamos deixado, incoscientemente, aberta, na noite passada. Mal abri os olhos fui tomada por uma grande, muito muito grande, dor de cabeça, e um ardor invulgar do lado direito do meu corpo, na zona das costelas, que me fez recordar do que fiz a madrugada passada. 

Levantei-me da cama e fui até ao espelho, apenas para me garantir que ela ainda está como eu a vi a noite passada, e na verdade, está até melhor do que me lembro. 

"Oh por favor... por favor! Dá-me uma aspirina." Ouvi um sussurro vindo da cama. 

"Bom dia, para ti também..." 

"Shh... não fales... tenho uma granada na cabeça." Pediu, a choramingar.

"Não sejas uma pussy!" Ri-me dele. Quem o mandou beber mais que eu?

Estava apenas a sair do quarto para lhe ir buscar a tão desejada aspirina quando o oiço de novo:

"Hm... que sensação esquisita." 

"Que foi?" Virei-me para trás, para tentar perceber a que se referia. 

"Diz-me uma coisa, por alguma chance, tu usaste um chicote em mim ontem à noite?" 

"Não..."

"Oh fuck... então porque é que me dói o rabo e sinto um ardor nas costelas? Arranhaste com demasiada força?"

"Não, são só tatuagens." Afirmei, a tentar disfarçar o riso.

"O Spencer mexeu no meu rabo? Que raio é que eu quis tatuar no meu rabo? Porque é que deixaste um gajo de 1,95m e 97kg, com ar de motoqueiro aproximar-se do meu rabo?" 

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