Capítulo 8

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CAMILA PDV

- Me dê seu braço. – pedi a Ally.

A loira sentou-se melhor na cama e esticou o braço esquerdo para mim. Eu o coloco sobre minha coxa direita e analiso os pontos que dessa vez pareciam ter aguentado. A pele ao redor das suturas estava menos avermelhada e um pouco menos sensível, o que possibilitou que eu passe a ponta dos meus dedos sem que a enfermeira suspirasse de dor. Sua palidez havia passado e as vertigens também.

- Como você está se sentindo? – pergunto, abrindo um saquinho onde as últimas cápsulas de anti-inflamatório se encontravam.

- Eu estou bem. – Ally respondeu. – O que vocês fizeram hoje? Eu dormi o dia todo, não foi?

- Sim, dorminhoca. Já é noite e todos estão na sala. – eu a provoco, ganhando um sorriso genuíno da mesma. – Não aconteceu muita coisa...

O sistema de vigia havia continuado o mesmo. Lauren, Chris e Normani – sim, incrivelmente sim – haviam saído para caçar ou colher uns frutos nas redondezas. Precisávamos pelo menos de uma refeição farta antes de entrar em um condomínio que poderia ter zumbis saindo até de ralos.

Eles voltaram no final da tarde. Amarrados em uma cordinha, Chis segurava três esquilos que havia conseguido capturar. Meu estômago resmungou ao pensar que teríamos que comer aquilo, mas era necessário, já que não podia comer o resto da comida enlatada que tínhamos.

Lauren carregava um saco de pêssegos, frutas vermelhas e algumas nozes que havia achado. A expressão da mulher não era uma das melhores, mas ela pelo menos não era rude com mais ninguém.

Sim, eu havia visto quando ela fora rude com o irmão ontem após ter salvado minha irmãzinha de três zumbis. Mesmo assim eu não conseguia expressar em palavras a minha gratidão por ela ter arriscado a própria vida para manter Sofia viva.

Eu apenas a olhava.

Enquanto os três saíram o restante dividiu entre si tarefas. Eu, Troy e Ally – mesmo dormindo – ficamos na casa cuidando das crianças. Dinah, Taylor e Austin foram até o lago pescar e buscar mais água fresca para nós.

Durante a tarde pude conversar com Troy e percebi como o loiro era gentil. Ele até se disponibilizou em me ensinar como retirar peles de animais, já que precisaríamos fazer aquilo com os esquilos. O seu "talento" para a cozinha se justificava de bicos que precisou fazer antes de conhecer a mãe de Claire.

Claire nos observou durante toda a conversa. A loirinha tentava evitar, mas a tosse já estava lhe irritando. Os olhinhos da pequena já lagrimejavam e ela estava nervosa, não aguentando mais a provável dor em seus pulmões.

Precisamos de remédio. Urgentemente.

"É a culpa do tempo" Troy choramingou, olhando sobre o ombro a filha encolhida no meio de cobertas.

Eu precisava concordar com o homem. Era véspera de Natal. Em Miami não nevava, mas o frio era de cortar.

Minha família sempre foi religiosa e eu me lembrava perfeitamente dos banquetes que fazíamos na noite de Natal. Familiares vinham e celebravam conosco. Era bom. Aconchegante. Feliz.

Agora não temos mais nada, porque infelizmente comemorar essa data parece ser uma piada muito irônica.

- Camila? – a voz de Ally me fez voltar dos devaneios. – Terra chamando Camila... – a loirinha deu um sorrisinho fraco.

- Me desculpe. – murmuro, envolvendo seu braço com gaze.

- Você e a Lauren se resolveram? – elevo o olhar e vejo a enfermeira com uma sobrancelha arqueada.

Into The DeadOnde histórias criam vida. Descubra agora