Hoje A Noite Tem Luar

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A noite ia caindo, e uma lua cheia linda despontava no céu iluminado onde estávamos. Wendy deitou em uma das pedras e ficou olhando a lua, deitei ao seu lado para aproveitar o duplo espetáculo, ela e a lua. Ela quebra o silencio.

___ É linda não?

__ Sim, demos sorte de ser uma noite de luar.

___ Não foi sorte, eu sabia que hoje seria lua cheia.Antes eu vinha sempre aqui, mesmo sozinha, mas minha moto foi roubada.

___ Como descobriu esse lugar, digo, como descobrir um modo de entrar escondida?

___ Bem eu tinha um amigo que me trouxe aqui uma vez, ele queria aproveitar de mim e eu queria aproveitar o lugar, não deu muito certo, quando disse que não queria nada, ele simplesmente foi embora e me largou aqui a pé, o lado bom é que me apaixonei por essa cachoeira.

O fato dela falar sobre um cara que estava afim me fez sentir um pontada de ciúmes, o que era totalmente descabido, eu nem conhecia ela nessa época e mesmo se conhecesse, não sou nada além de uma amiga, mas quem entende as coisas do coração. Senti raiva também do modo como ele a havia tratado.

___ Ele foi um idiota.

___ Foi, mas muita gente é assim hoje em dia, sempre procurando segundas intenções em tudo.

Esperei com toda sinceridade que aquilo não fosse uma indireta, porque quando recebi o convite, já imaginei segundas intenções, agora já não tinha certeza de nada. Hora de começar minhas perguntas.

___ Você tem um leve sotaque, de onde é?

Mesmo no escuro vi o corpo de Wendy se tensionar e demorou um pouco antes de responder.

___ Sou do Norte. Nasci no Pará.

___ Você ainda tem família lá?

___ Não. Eu não tenho mais ninguém.

Era bem difícil arrancar informação dela, mas como sou uma porra de uma teimosa ainda queria mais, insisti mais.

___ Wendy, você não namora? Não tem alguma pessoa que esteja afim? Nada nada?

Ela se sentou e me olhou e foi uma das poucas vezes que demonstrou sua emoções, 100% sem tentar esconder. O rosto estava tão triste que me arrependi de ter feito a perguntas.

___ Eu já disse doutora, não tenho ninguém, nem família, nem namorado, nem amigos, eu sou só.

Me sentei também e lhe dei um abraço, dessa vez sem nenhum intenção além de consolar ou fazer um pouco daquela tristeza desaparecer.

___ Agora você tem a mim. Já sou sua amiga, não vai se livrar tão fácil assim.

___ Quem disse que quero me livrar. Vamos nadar?

Assim que acabou de dizer isso, ficou de pé e começou a tirar a roupa, por mais que tentasse era impossível não olhar, ela se despindo a luz do luar fazia com que parecesse uma deusa. Quando tirou a blusa, pude ver uma enorme fênix tatuada nas costas. Ela ficou nua na minha frente, e então entrou com cuidado na agua, eu estava sem palavras, eu não conseguia prever o que ela faria.

___ Hey doutora, vem nadar. Essa é a melhor parte do passeio

___ Eu... eu...err...não sei...

Wendy começa a rir, ela tinha entendido o porque da minha relutância em entrar na lagoa. Ela me lia como um livro aberto e eu não decifrava nada dela.

___ Está com vergonha de tirar sua roupa? Faz assim eu me viro, você tira sua roupa e entra, dentro da agua eu não vou ver nada.

Me senti uma tonta por ter que ser assim, já tinha ficado nua na frente de garotas estranhas, mas sempre estava bêbada, mas não era só isso, Wendy Alba de alguma forma me fazia sentir mais tímida ainda, como se eu ainda fosse uma adolescente inocente. Fiz como combinado, arranquei minha roupa e entrei na agua, assim que ouviu o barulho dos meus movimentos ela se virou e veio em minha direção.

Jogamos agua uma na outra, nadamos, apostamos corrida, ficamos debaixo da cachoeira, a agua estava tão agradável, eu fui aos poucos perdendo a vergonha da minha nudez. Foi quando algo meio inesperado aconteceu.

Estávamos mais uma vez apostando corrida, nadando debaixo d'agua, cheguei primeiro até o ponto marcado como " chegada", Wendy chega logo depois, sem fôlego e emerge bem na minha frente.

Ficamos as duas assim, corpos quase colados, o rosto dela tão próximo ao meu que chegava a sentir seu hálito em meu rosto. Não resisti e passei a mão pelos seus cabelos que caiam cobrindo seus seios. Ela fechou os olhos e por um momento pareceu aproveitar e gostar daquele carinho, mas como se tivesse sido atingida por um raio, se afastou, nadou para a margem de pedras e começou a se vestir.

___ Já está tarde doutora, melhor irmos embora.

Fiquei sem entender nada, mas também fui até a margem e me vesti, não tive que me preocupar com a vergonha, Wendy já estava apagando as velas e recolhendo as coisas, nem notou quando sai.

O resto do caminho até a cidade foi feito em silencio constrangedor, senti que havia ultrapassado algum limite e que ela não havia gostado daquilo.

Me pediu para deixa-la em um ponto de táxi, não queria que levasse até em casa, pois tinha medo que meu carro chamasse atenção eu fosse assaltada, mas eu achava que não queria que soubesse onde morava. Desci do carro para me despedir, meu coração doía, porque não sabia se a veria outra vez, só consegui pedir desculpas.

___ Me desculpa por ter estragado a noite.

Ela me dá um beijo terno no rosto e faz um carinho em meu rosto.

___ Você não estragou. O problema sou eu.

Eu estava apaixonada por Wendy Alba, eu mal a conhecia, mas dessa vez eu tinha certeza quer era diferente, era a primeira vez que sentia isso por alguém, eu queria protege-la, queria que sentisse por mim o mesmo que estava sentindo, mas ela era um enigma, e eu não fazia menor ideia se conseguiria desvenda-la ou não.









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