Lara

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___ Calma, me explica o que aconteceu.

___A pasta com nome Lara.

Senti o ressentimento crescendo dentro de mim outra vez, eu tinha feito tantas coisas para ela se lembrar de mim, nem que fosse só alguma lembrança mesmo que tênue ou borrada e nada surtiu efeito, agora foi só ela ver as fotos o seja o que for dessa maldita Lara e deve ter ser lembrado de algo, senão não estaria nesse estado.

A pior parte era tentar manter a calma e fingir que não me importava por ela estar toda arrasada por conta de alguma biscate que eu nem faço ideia de quem seja.

___Ok ok, você viu as fotos da tal Lara e se lembrou dela?

Ela me olha como se eu tivesse falado o maior absurdo do mundo.

___ Não, não. Caramba não é isso. Você precisa ver.

___ Eu não quero ver essa Lara.

___ Por favor, tem que ver. E então vai entender tudo.

Saio meio forçada do quarto com ela me puxando pelo braço, eu realmente não tinha o menor interesse em ver essa Lara, mas fui, porque Wendy me pediu, e por mais que me doesse eu fazia tudo por ela, até despedaçar meu coração se fosse preciso.

Eu sento no sofá e pego o notebook com uma sensação de enjoo no estômago, mas assim que começo a olhar tudo quase caio do sofá. Como ela havia me dito, não era nada do que eu imaginava, nem nos meus sonhos mais doidos eu poderia imaginar aquilo ali.

Naquela pasta havia várias fotos com recortes de jornais falando sobre uma chacina em uma pequena fazenda no interior do Pará, duas famílias havia sido assassinadas de forma brutal, o suspeito era um grande fazendeiro local, apelidado de Marreta.

Lembrei na mesma hora da história que ela havia me contado sobre esse Marreta, então comecei a olhar as fotos, a primeira ela de uma família chamada Azevedo, não vi nada de diferente, pai, mãe e dois irmãos e então passei a ver a foto da segunda família, sobrenome Costa, foi quando algo me me chamou a atenção, pai, mãe, um filho e uma filha, o que exatamente chamou minha atenção foi a filha, era Wendy, estava mais nova, cabelo diferente, mas era ela, ainda dei zoom na foto para ter certeza.

Segui olhando a pasta, e tudo fez sentido, ali havia feito um acordo do PROVITA (Programa de Proteção às Vítimas e às Testemunhas Ameaçadas), vários emails salvos que ela havia recebido do responsável pelo caso. Wendy era a única sobrevivente daquela chacina, a única testemunha que poderia reconhecer e depor contra o assassino da sua família. Seu nome completo era Wendy Lara Alba Costa.

___ Caramba, isso é... eu nem sei o que dizer. Meu deus.

Quantas vezes eu havia brigado com ela por ciúmes, achando que havia fotos ou coisas de outra pessoa ali, como fui injusta, isso caiu em cima de mim de forma tão dolorosa como caiu em cima dela.

___ Você entende doutora? Não havia outra pessoa, se eu não mostrava era porque não podia ou tinha medo que você fosse envolvida nisso tudo. Era proteção e não traição.

___ Me sinto muito mal com tudo isso, tantos desentendimentos, tanta dor que te causei. Isso não tem como se desculpar.

Ficou olhando enquanto ela anda de uma lado para outro da sala, deixo ela liberar um pouco de toda revolta que estava sentindo, alguns dias atrás ela teria quebrado metade do meu apartamento, agora, apesar de tudo ela conseguia manter o controle. Quando ela voltou a falar, sua voz estava tão carregada de dor quer quase não parecia a mesma.

___ O pior é que não me lembro de nada, eu era a única que poderia colocar o culpado ou culpados na cadeia, mas agora não posso fazer isso, minha família não vai ter justiça, e o PROVITA deve pensar que algo me aconteceu, já que sumi. Eu não sirvo nem para isso.

Nada do que eu dissesse ia fazer ela se sentir melhor, e eu nem sabia o que dizer, era tudo verdade, ela não tinha mais como testemunhar ou reconhecer os culpados, que provavelmente ficariam impunes, tudo que pude fazer foi lhe dar um abraço, levei ela até o sofá e fiz com que deitasse a cabeça em minhas pernas, fiquei ali passando a mão na sua cabeça até que as lágrimas dela( e as minhas) parassem e ela pegasse no sono.







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