Não tive noticias de Wendy nos dias seguintes, ela não atendia meus telefonemas, havia me bloqueado no Whatsapp e eu não tinha coragem de ir até o seu trabalho, pelo menos não para falar com ela, não seria nada legal um escândalo lá, e como eu estava descontrolada, faria um com toda certeza, mas não me impedia de ir até a rua do seu estúdio, estacionar o carro um pouco distante e ficar ali observando se ela sairia com alguém, se estava bem ou mesmo só para matar a saudade, as vezes também ia de táxi e ficava parada perto de sua casa, sei que não era nada legal ficar stalkeando ela dessa forma, mas não conseguia ficar longe.
Minha vida parecia estar suspensa, eu não comia e nem dormia direito, vivia distraída no trabalho o que era um perigo para meus pacientes, meu corpo parecia anestesiado e o único momento bom era quando eu ia espiar Wendy escondido.
Tinha medo de ir até sua casa e ela não abrir a porta para falar comigo, isso ia doer muito mais do que as recusas de forma indireta.
Quando fiquei na Alemanha com meus pais e estávamos brigadas, eu sabia de alguma forma que ainda existia uma esperança de voltarmos, mas agora, lá no fundo eu ia aos poucos perdendo minha convicção de que ela um dia me perdoaria, se nem eu mesma conseguia me perdoar, como esperar que ela fizesse isso e eu não podia tirar sua razão, me ver daquele jeito com outra pessoa não deve ter sido nada fácil
Em algumas noites eu ficava deitada na minha cama me torturando e imaginando como seria maravilhoso uma maquina que pudesse voltar no tempo para mudar tudo, então eu voltava do sonho e a dor da realidade se abatia sobre mim com toda força.
Um final de semana qualquer eu estava prostrada no sofá da sala, mais uma vez sentindo pena de mim, quando para passar um pouco o tempo entro no meu Facebook, a primeira foto que vejo é da Bruna, a secretaria do estúdio de Wendy, senti um pontada aguda no estômago quando vi Wendy na foto junto com mais algumas pessoas, estavam em um bar e por sorte Bruna havia marcado o local.
Minha primeira sensação foi de raiva: Como assim ela lá se divertindo e eu aqui sofrendo? Depois veio a baixa auto estima: Todos lá devem ser bem mais interessantes que eu! Por fim o medo: Ela ia acabar conhecendo alguém lá, ia ficar com o cara e me esquecer.
Eu sabia que isso tudo era consequências do meu ciúmes, e sabia que o ciúmes sempre foi um dos sentimentos mais avassaladores e desnorteantes da minha vida.
Não consegui controlar o o impulso, me troquei, peguei meu carro e fui até o bar onde ela estava, só esperava e rezava para chegar lá a tempo, para ela não ter saído do local com outra pessoa. Hoje eu teria prefiro mil vezes que isso tivesse acontecido naquele dia.
Esse bar eu ainda não conhecia, era grande com um ambiente esfumaçado e uma luz verde pulsante, havia uma pista de dança e algumas mesas e cadeiras encostadas nas paredes, Green Bar, um nome bem apropriado.
Fui até o barman e pedi um uísque puro, tomei um gole e senti a conhecida sensação de fogo liquido descendo pela garganta, fiquei olhando em volta, precisava encontrar o pessoal com quem ela estava, se achasse um seria mais fácil achar Wendy. Foi quando a vi na pista de dança, por um instante só consegui reparar na sua beleza e sensualidade enquanto dançava, e então notei que não era a única pessoa a reparar nisso.
Um rapaz se aproxima e começa a dançar junto a ela, cada vez mais perto, não sei ao certo se ela não havia reparado, porque quando dançava era como ser fosse para outro planeta, ou se simplesmente não se importou por ele estar ali. Eu já não aguentava mais, bebi o resto do meu copo e fui até lá.
Segurei ela pelo braço e tentei levar para fora da pista de dança. Claro que isso não teve o resultado esperado.
___ Porra Giu, o que você pensa que tá fazendo?
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Uma mente sem lembranças
Fiksi UmumO que você faria se todas as suas lembranças fossem apagadas? Meu nome é Giulia Schneider, minha vida sempre foi cheia de reviravoltas, mas nenhuma tão radical como quando, conheci Wendy Alba ou quando a matei. Se tiver paciência para me acompanhar...
